Espaço para desvanecer a cada instante. Aqui se encontram textos, imagens e gráficos de vários autores. Sempre precisei colecionar o que eu chamo de figurinhas mágicas. São cartas que abrem novos horizontes e paisagens. Então, boa viagem ;)

sábado, 11 de julho de 2026

Imaginação - Yiuki Doi

Imaginar não significa abandonar a realidade, mas ampliar as possibilidades de relação entre seus elementos. Ela opera como uma dança entre diferentes camadas da experiência humana, aproximando saberes, práticas e linguagens que a organização cotidiana tende a manter separados. Filosofia, arte, agricultura, política, educação, ecologia, afetos e espiritualidade não aparecem como disciplinas isoladas, mas como dimensões de uma mesma experiência viva. Imaginar consiste em perceber, experimentar e criar novas vizinhanças entre esses campos, permitindo que cada um ilumine o outro e faça emergir possibilidades inéditas de compreender e habitar o mundo. Essas composições retornam continuamente à materialidade da existência, onde são tensionadas, transformadas e novamente recriadas. Não se trata de buscar uma síntese definitiva, mas de cultivar relações suficientemente férteis para produzir novas subjetividades, novos modos de pertencimento e outras formas de compartilhar a vida.


Yiuki Doi

segunda-feira, 6 de julho de 2026

A criação do Tempo e do Amor - Ícaro Sol

Há muito tempo, antes de existir qualquer ser vivo, muito antes de o sol nascer, todo o universo era apenas branco.

Ninguém o conhecia.

O silêncio habitava todas as coisas.

Alguns chamariam esse branco de Deus.

Outros lhe dariam outros nomes.

Mas, antes de qualquer palavra, havia apenas o mistério.

Então nasceu um desejo.

O desejo de criar.

E a primeira criação não foi uma montanha.

Nem uma estrela.

Nem um rio.

Foi apenas uma linha.

Nada mais.

Talvez um desenhista estranhasse essa história.

Afinal, toda linha parece precisar de dois pontos. 

Mas o ponto é quase como o nada.

Não possui tamanho.

Não ocupa espaço.

Sozinho, mal consegue existir.

Deus contemplou a linha durante muito tempo.

Percebeu que ela fazia nascer duas extremidades.

Dois polos.

Uma diferença.

Sorriu.

Uma direção abriu-se no infinito. 

Durante muito tempo, nada mais aconteceu.

Observando bem, percebeu que poderia unir as extremidades.

Quando elas finalmente se encontraram, nasceu o Tempo.

E, com ele, nasceu também o Amor.

A linha descobriu que podia abraçar a si mesma.

Então surgiu a primeira circunferência.

Talvez o tempo seja o caminho dos encontros.

Deus olhou aquela primeira forma.

Dentro dela havia um vazio.

E foi ali que nasceu o primeiro círculo.

Então Deus disse ao Tempo:

— Caminhe.

Faça nascer os encontros.

E o tempo começou sua viagem.

Deus sorriu.

Depois criou outro círculo.

E mais outro.

Logo havia incontáveis círculos.

Uns grandes.

Outros pequenos.

Alguns quase tocavam seus vizinhos.

Outros pareciam gostar do silêncio.

O universo tornava-se uma constelação de formas.

Ainda assim, alguma coisa permanecia à espera.

Então Deus aproximou-se de cada círculo.

Com um gesto delicado, tocou-lhes o centro.

Assim nasceu a alma.

Cada círculo recebeu uma centelha.

E começou a transformar-se.

Vieram as cores.

As texturas.

Os cheiros.

Os sabores.

As formas já não eram iguais.

Alguns tornaram-se flores.

Outros rios.

Outras montanhas.

Outras árvores.

Outros pássaros.

Outro tornou-se céu.

Cada um seguia um chamado que não sabia explicar.

Pouco a pouco descobriram algo.

Existir não bastava.

Era preciso encontrar um lugar. 

Mas nenhum lugar fazia sentido sozinho.

Foi então que começaram a mover-se.

Encontraram-se.

Afastaram-se.

Voltaram.

Aprenderam.

Transformaram-se.

O pássaro desenhou caminhos para o vento.

O rio levou montanhas até o mar.

As águas aprenderam a subir ao céu.

O céu acolheu os vapores da terra.

Os raios do sol atravessaram as nuvens.

As pequenas gotas inventaram o arco-íris.

Depois veio a chuva.

A chuva alimentou o solo.

O solo despertou as sementes.

As sementes chamaram as flores.

As flores receberam as abelhas.

As abelhas espalharam novos jardins.

E o universo começou a pulsar.

Muito tempo depois surgiram os últimos círculos.

Alguns passaram a chamá-los de Adão e Eva.

Outros de Rupave e Sypave.

Outros lhes deram nomes que só existem em suas próprias histórias.

Pois os nomes mudam.

Mudam as paisagens.

Mudam as histórias.

Mas o mistério permanece.

E a pergunta continua.


segunda-feira, 1 de junho de 2026

Notas para comunidade utópica

Epígrafe: O ser humano floresce quando não precisa enfrentar sozinho a fragilidade da existência.


Lema: 

Nesta terra todos cuidam das crianças, dos idosos e dos enfermos. 
Este é o princípio originário e irrevogável da comunidade.
A vida não é sustentada pelo medo da morte ou pelo desamparo, mas pela partilha da fragilidade humana.
O cuidado é dever comum, o afeto é direito de todos, e a interdependência é a lei maior.
A partir deste fundamento, o ser humano se emancipa não como indivíduo isolado, mas como parte de um todo vivo, plural e encantado.
É neste pacto que floresce a dignidade, a coragem e a esperança coletiva junto da vocação individual.


Objetivo:

  1. Acolher a doença e a finitude como partes naturais do ciclo da vida, para integrar a fragilidade humana ao horizonte comunitário.
  2. Libertar o indivíduo do medo do desamparo, visando religá-lo ao ecossistema e à segurança compartilhada. 
  3. Promover o encanto da coexistência plural, com o propósito de fortalecer vínculos e ampliar a diversidade. 
  4. Potencializar a vocação individual, para que floresça junto ao todo comunitário.

Fundamentos: Aqui afirmamos os princípios que sustentam nossa convivência e o cuidado com a vida.

  1. Nesta comunidade, todos cuidam da criança, do idoso e do enfermo.
  2. Saúde, comida, roupa, teto, festa, arte e educação são direitos de todos.
  3. A sustentação da vida comunitária é uma responsabilidade de todos.
  4. O trabalho existe para sustentar a vida, não o contrário.
  5. Não se deve machucar a si, o outro e o ambiente.
  6. Dialogar é preciso, no tom assertivo e no momento adequado.
  7. As decisões devem ser coletivas.

Princípios Organizativos - para que o cuidado coletivo seja possível, organizamos nossas responsabilidades de forma transparente, participativa e compartilhada.

  1. As funções de organização e coordenação serão exercidas coletivamente, preferencialmente em tríades.
  2. As decisões serão construídas coletivamente e aprovadas por maioria qualificada definida pela comunidade.
  3. A divisão das tarefas e responsabilidades deve ser construída coletivamente.
  4. Transparência na gestão dos recursos.
  5. Rotatividade de funções.

Horizontes - em respeito aos que vieram antes de nós e aos que caminham conosco, mantemos vivos os seguintes horizontes:

  1. Respeito a todas as individualidades.
  2. Manejo adequado dos ecossistemas.
  3. Regeneração do ar, da água e da terra.
  4. Cultura de paz.
  5. Inclusão radical: social, cultural, plural e diverso.
  6. Relações humanas através da admiração e encanto.
  7. Observar a vida a partir da essência genuína imaterial.
  8. A comunidade participa da vida política sem abrir mão da autonomia, do diálogo e do cuidado com todas as formas de vida.  

Critérios para a atividade econômica comunitária 

  1. Baixo desgaste físico.
  2. Possibilidade de participação feminina e intergeracional.
  3. Compatível com o cuidado de crianças, idosos e enfermos.
  4. Uso de recursos já disponíveis no território.
  5. Baixo investimento inicial.
  6. Possibilidade de agregação de valor local.
  7. Não exigir crescimento infinito.
  8. Sustentar a vida comunitária.

Matéria-prima disponível: Jaqueiras

  1. doce de jaca;
  2. geleia;
  3. compota;
  4. fruta desidratada;
  5. polpa congelada;
  6. farinha da semente;
  7. produtos veganos usando a jaca verde.

Fluxo de arquitetura comunitária    

  1. Os ambientes dos bebês, crianças, adolescentes, idosos e enfermos são coletivos - centralizados e integrados à vida comunitária - mas também abertos para momentos de intimidade e descanso.
  2. As crianças ficam próximas dos locais de convivência, para que cresçam em meio ao cuidado e à alegria compartilhada.
  3. Os idosos ficam próximos da vida cotidiana, para que participem das trocas e não sejam isolados.
  4. Espaços de cuidado conectados às áreas comuns, garantindo acessibilidade e presença constante.
  5. Trabalho acessível a pé, integrado ao território e ao ritmo comunitário. 
  6. Encontros espontâneos entre gerações, favorecidos por espaços coletivos: praça, cozinha, refeitório, biblioteca, salão de festas, área de lazer e pátios abertos.. 
  7. Perguntas a fazer:
    • onde ficam as crianças?
    • quem cuida dos idosos?
    • onde acontece o trabalho?
    • como se prepara a comida?
    • como se toma decisões?
    • como se transmite conhecimento?
    • onde ficam: a praça, a sala de estudo, bosque, o pátio, a cozinha, o forno, o galpão, etc.

Projeção de sustentabilidade 

  1. Família: núcleo de cuidado e afeto.
  2. Comunidade: junção de famílias, organiza a economia e a vida cotidiana comunitária  (moradia, alimentação, festa, cultura, educação e convivência).
  3. Cooperativa: produção, beneficiamento, comercialização, formação profissional e gestão econômica.
  4. Associação ou Instituto: articula serviços especializados como saúde (médicos, dentistas), justiça (advogados), cultura (projetos, cursos, eventos) etc. Além de realizar captação de recursos e articulações institucionais.
  5. Federação: união de várias comunidades e associações para decisões de caráter federativo e/ou políticas públicas.
  6. Política Pública Nacional: cada instância realiza conexão com Estado e programas nacionais, garantindo direitos, deveres, serviços e recursos.

Estudo econômica: Cadeia produtiva da jaca

  1. Vantagens:
    • Matéria-prima já existente.
    • Baixo custo inicial de aquisição.
    • Produto regional.
    • Possibilidade de agregar valor.
    • Trabalho compatível com cooperativa feminina.
    • Possibilidade de participação intergeracional.
  2. Necessidades:
    • Cozinha regularizada.
    • Capacitação sanitária.
    • Embalagem.
    • Marca coletiva.
    • Comercialização.
  3. Possibilidades de produtos: 
    • Jaca madura;
      • doce cremoso;
      • geleia;
      • compota;
      • fruta desidratada;
      • polpa congelada
    • Jaca verde;
      • conserva;
      • produtos veganos;
      • recheios.
    • Sementes.
      • farinha;
      • snacks;
      • ingredientes culinários.
  4. Pergunta principal:
    • Como transformar a abundância de jacas do território em renda comunitária sem comprometer os princípios de cuidado da comunidade?
  5. Implementação:
    • Fase 1 - Experimentação.
      • coleta das jacas;
      • testes de receitas;
      • definição dos produtos;
      • degustações;
      • cálculo de rendimento;
      • identidade visual;
      • aceitação do mercado
      • Nessa fase, muita gente investe em estrutura antes de saber se o produto funciona.
    • Fase 2 — Cozinha comunitária regularizada - Dependendo da legislação municipal e estadual, pode ser suficiente uma cozinha de processamento de alimentos de pequeno porte com:
      • piso lavável;
      • paredes adequadas;
      • água potável;
      • área de higienização;
      • equipamentos de inox;
      • armazenamento adequado;
      • boas práticas de fabricação.
      • Nem sempre é necessário construir uma "fábrica".
    • Fase 3 — Unidade agroindustrial - Quando a produção cresce, então surge algo mais próximo de uma agroindústria familiar ou cooperativa de.
      • doces;
      • geleias;
      • compotas;
      • frutas desidratadas;
      • polpas.




terça-feira, 26 de maio de 2026

Capital cultural de Pierre Bourdieu

 O conceito de capital cultural de Pierre Bourdieu busca explicar que as desigualdades sociais não acontecem apenas por dinheiro (capital econômico), mas também pelo acesso desigual à:

  • conhecimento;
  • linguagem;
  • repertório cultural;
  • educação;
  • gostos;
  • hábitos;
  • e formas de comportamento valorizadas socialmente.

Ou seja:

certas culturas e modos de existir são reconhecidos como “mais legítimos” pelo sistema social.

Exemplo simples:
uma criança que cresce numa família:

  • que lê livros;
  • frequenta museus;
  • conhece música erudita;
  • sabe falar dentro da norma culta;
  • entende códigos acadêmicos;

já chega na escola com vantagens invisíveis.

Enquanto outras pessoas possuem saberes profundos:

  • populares;
  • corporais;
  • comunitários;
  • ancestrais;
  • territoriais;
  • artísticos;
  • ou tradicionais,

mas esses conhecimentos muitas vezes não são reconhecidos institucionalmente.

Então Bourdieu mostra que:

a escola frequentemente reproduz desigualdades ao valorizar determinados repertórios culturais como “naturais” ou “superiores”.

Ele divide o capital cultural em três formas principais:

  • Incorporado
    aquilo que o corpo aprende e carrega:
    • modo de falar;
    • postura;
    • gostos;
    • repertório;
    • sensibilidade;
    • maneiras de agir.
  • Objetivado
    bens culturais materiais:
    • livros;
    • instrumentos;
    • obras de arte;
    • acesso à cultura.
  • Institucionalizado
    reconhecimento formal:
    • diplomas;
    • títulos;
    • certificados.

Muitas vezes existem:

  • inteligências;
  • sensibilidades;
  • técnicas;
  • cosmologias;
  • e conhecimentos sofisticadíssimos

que o sistema dominante simplesmente:

não reconhece como “capital legítimo”.

Então o conceito de capital cultural ajuda a entender:
como a desigualdade também opera:

  • no simbólico;
  • no sensível;
  • na linguagem;
  • no gosto;
  • e na validação social dos saberes.

domingo, 24 de maio de 2026

Martin Heidegger: Befindlichkeit - “disposição afetiva”, “tonalidade afetiva” ou “estado de ânimo

 O Martin Heidegger rompe parcialmente com a tradição filosófica que entendia emoção como algo:

  • secundário;
  • irracional;
  • ou que atrapalha o pensamento.

Para ele, nós nunca percebemos o mundo de maneira neutra ou puramente racional.
Nós sempre já estamos:

afetivamente lançados no mundo.

Um conceito central dele é:

Befindlichkeit
(às vezes traduzido como “disposição afetiva”, “tonalidade afetiva” ou “estado de ânimo”).

A ideia é muito profunda:
antes mesmo de formular pensamentos conscientes,
o mundo já nos aparece através de um clima afetivo.

CHAT GPT

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Paradigma a ser superado - Kaká Werá

Anotações feitas a partir da fala do Kaká Werá no:

II SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS DA UNESPAR. 

VELHO PARADÍGMA:

- Escravização dos seres humanos e animais; 

- Exploração dos recursos naturais em prol do desenvolvimento; 

- Envenenamento do ar, da água e da terra;

- Fomento da guerra como estratégia de fomento de riqueza

- Exclusão e invisibilidade social de parte da sociedade.

- Manipulação das relações humana em busca de poder

- A vida como sistema material (a vida é um sistema imaterial, que também se apresenta como material)


NOVOS PARADÍGMAS:

- Respeito a todas as individualidades;

- Manejo adequado dos ecossistemas;

- Regeneração do ar, da água e da terra; 

- Cultura de paz;

- Inclusão radical: social, cultual, diversidade etc.

- Relações humanas através da admiração e encanto.

- Observar a vida a partir da essência genuína imaterial.

terça-feira, 12 de novembro de 2024

Felicidade

 A felicidade não é a ausência de conflito, e sim a habilidade de lidar com ele. Uma pessoa feliz não tem o melhor de tudo, mas ela torna tudo melhor. (autor desconhecido)

sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

DOR DO SUICÍDIO

Para quem fica só nos resta a coragem. Sobre arrependimento do que não foi feito, dito, realizado acabam virando cicatriz que nada parece aliviar a dor. Contudo, creio que essa dor não deva nos imobilizar para sempre. Pois, ela precisa potencializar a nossa vida, assim como a tristeza precisa nos engrandecer como pessoa no mundo. Não é fácil, mas optei viver com coragem e me tornar uma pessoa melhor pelo que não consegui fazer no passado. Então, para quem fica sobra a garra de superar a si diariamente, gerando novas possibilidades de existência. Acredito que esse processo pode materializar a alegria adjunto da tristeza, afinal reinventar-se pela dor é um processo elaborativo e criativo, o qual é imbuída de amor, alegria e coletividade. Portanto, aceito que a dor seja eterna em mim. Acolho ela e busco atualizar diariamente a minha sensação, sentimento e sentido junto a sociedade. Assim sendo, a dor pode ser minha, mas sei que a responsabilidade sobre os casos de suicídios também é da sociedade. No mundo que imagino e que muitos defendem, tenho fé de que muitas pessoas teriam seguidos com suas jornadas. Por isso, vamos construir um mundo mais sensível, plural e diverso - isso é um trabalho coletivo e comunitário. 

Yiuki


Versão simplificada:



REINVENTAR-SE PELA DOR

Há dores que aprendemos a conviver com elas. Pois, só nos restou a coragem de superar a si mesmo - concebendo novas existências. Creio que esse processo pode materializar a alegria adjunto da tristeza. Afinal, reinventar-se pela dor é um processo elaborativo e criativo, o qual é imbuído de amor, alegria e coletividade. Então, aceito que haja dores eternas dentro de mim. Acolho-as e busco atualizar a minha sensação, sentimento e sentido diante da vida que me atravessa.

Foto: Estúdio no Quintal / Caroline Pellegrini
Bailarinos: Yiuki Doi e OberDan Piantino
Texto: Yiuki Doi

quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Feliz Casamento

Desejamos que vocês possam ser fiéis no amor e infiéis nas paixões.

Fiel no amor consigo, com a família, o trabalho e tudo que realmente é importante para o casal. Infiéis nas mais variadas paixões do cotidiano: num curso, num copo de bebida, num prato especial, numa roupa, num por de sol etc. Pois, é na renovação das paixões que o amor se alimenta.

Que vocês possam compreender que 1 + 1 é muito mais do que 2. E que estes elementos a mais precisam de sacro-ofício. Que sempre possam se encantar com o mundo que é maior do que vocês, pois acreditamos que ninguém pode ser o universo do outro. Afinal, ele é maravilhoso para ser vivido por todos.

Desejamos que, nos momentos mais difíceis, haja compreensão de um(a) oferecer ombro para que o(a) outro(a) possa descansar, recompor e sonhar novamente. Que esses afetos sejam mútuos a cada desafio que possa se apresentar.

Que tenham alegria naquilo que somente a união matrimonial oportuniza a sonhar, a elaborar e a construir. Que cada passo do casal se edifique com amorosidade, respeito e cuidado, tornando-se pessoas melhores consigo e com outros. 

Feliz casamento!

22 de novembro de 2023

terça-feira, 15 de agosto de 2023

Yan Machado

Tenho saudade daquilo que não fui

Sinto falta daquilo que não pude ser

Pois em meio as concretudes finitas minha alma explora os multiversos

Bebendo de diversas fontes e experienciando inúmeras vivencias

Sou livre para escolher minhas prisões 

Carrego comigo o peso de morrer a cada escolha e o gozo de renascer a cada vez que o faço.

Viver é saber compor com as contradições


Yan Machado

domingo, 14 de maio de 2023

DANÇA EFÊMERA

Uma vida é pouco para tamanha dor

Muito pouco para tantas paixões

Para tantas danças, mudanças e sonhos


A vida foi demais para tanta dor

Demasiada para tantas aflições

Para tantas danças, mudanças e sonhos


Você decidiu não ter o amanhã

Renunciar o infinito e o finito,

A dualidade da existência

Adentrar-se no mistério


Eu decidi estar no hoje

Buscar o infinito no finito,

A dualidade da insistência

Encantar-se no mistério


Vida suicida em paixões

Com instinto de sobrevivência

A vida foi demais para tanta dor


Vida kamikaze por paixões

Sem instinto de sobrevivência

Uma vida é pouco para tamanha dor


Texto: Yiuki Doi | Foto: Estúdio no Quintal / Caroline Pellegrini




quinta-feira, 13 de abril de 2023

PERTENCIMENTO

Pertencer é responsabilizar pela transformação do lugar que vivemos. Por isso, mais do que os estereótipos sobre curitibano, paulistano e japonês, o bonito é o pertencimento advindo da vida em comum - o exercício da cidadania.



domingo, 9 de abril de 2023

Trauma

A dor do trauma não é anulada, é preciso criar novas sensações, sinestesias e afetos junto a ela. No fluir delas, acalenta-se a ferida, gerando novo estado e memória corporal. Então, ao acessar o trauma, podemos vibrar nessa recordação sensorial e emotiva, atualizando a nossa relação existencial.

Texto: Yiuki Doi | Foto: Elenize Dezgenisk




quarta-feira, 5 de abril de 2023

INVEJA

Dor que anseia e inveja em ser deusa,

Só pra lhe dar a mão quando você precisou.

Mas, não fui, não pude e não sou.

Eu sei, não há julgamento divino...

Somos apenas almas humanas,

Atravessadas por amor.


Texto: Yiuki Doi | Foto: Guilherme Melnik




O que fazer quando toda imagem abre em branco no Photoshop?

- O que fazer se a tela fica branca e não abre nenhum arquivo? - Tela branca no photoshop?

Go to Preferences > Technology Previews... and check "Disable Native Canvas" - then restart Photoshop. Does the problem still occur? (https://community.adobe.com/t5/photoshop-ecosystem-discussions/tela-branca-no-photoshop/td-p/13701261)

O que fazer quando toda imagem abre em branco no Photoshop?

RESOLUÇÃO:

1) Vai na procurar e digita: GERAL / PREFERÊNCIA,  clicar nela.

2) Procura VISUALIZAÇÃO DE TECNOLOGIA, clicar nela:

3) Deixar ticado a opção: DESATIVAR TELA NATIVA.

4) Reiniciar o programa.


P.S. comentário que encontrei em inglês na internet, traduzido no google translate mesmo:

Pelo que entendi, "tela nativa" significa que o que você vê na tela é renderizado usando APIs nativas do sistema operacional, ou seja, Metal no Mac, DirectX no Windows. Desativá-lo significa reverter para as antigas APIs OpenGL. O OpenGL não é mais suportado pela Apple e pela Microsoft, portanto, todo o código da GPU está em processo de migração. Isso é um grande empreendimento e previsivelmente um passeio bastante acidentado. Falhas e bugs acontecerão. Quando tudo estiver pronto e totalmente testado e comprovado, a caixa de seleção "desativar tela nativa"

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

O FUTURO MUDA CONSTANTEMENTE A PARTIR DAS PEQUENAS AÇÕES

Há tempo para colher, plantar e semear. E há aqueles que somente cuidam da semente para que a futura geração possa desfrutar. Talvez os artistas e os professores ocupam este lugar no momento. Nossas ações parecem em vão, poucas ações parecem vingar. Porque trabalhamos com a cultura e este não muda de uma hora para outra. Tenho notado que esquecemos que nossa existência é contida dentro de um recorte temporal e espacial.

Alguém já questionou por que o samba, salsa e blues nasceram no mesmo período, na virada do século XX? O sociólogo Muniz Sodré relata a relação da diáspora africana e o processo da abolição da escravatura, a qual fez surgir o fomento cultural dessas músicas nos três cantos da América no mesmo período. Quem se interessar sobre este assunto, o livro "Samba: O Dono Do Corpo" é uma leitura agradável, que pode abrir novas perspectivas sobre a cultura. Lendo ele, compreendi que nossas criações não são independentes do contexto social, econômico e político - nossas escolhas são mediadas juntas a eles. Assim, podemos pensar que o tempo oportuniza a criação, a existência e a resistência.

Sou nissei e descobri a dança contemporânea brasileira junto a desCompanhia de Dança. Na trajetória como artista, fui descobrindo que minhas obras possuem afinidade com o Butoh, que é uma dança contemporânea japonesa, surgida após a II Guerra Mundial. Não tive conhecimento sobre o Butoh antes da dança, principalmente porque venho de uma família japonesa de agricultores. No entanto, fui criado com altar budista, haikai, ikebana, manga, filmes, seriados japoneses, etc. Além da curiosidade de que a minha língua materna é japonesa, apesar de nunca ter visitado o Japão. Meus avôs e pais tiveram uma cultura nipônica pós-guerra e imigraram para o Brasil. Herdei muitas coisas deles e quando conheci a dança contemporânea brasileira fui me enveredar nas temáticas e estéticas, que posteriormente descobri que possuem afinidades com o Butoh.

Estou compartilhando estas reflexões, pois temos a ilusão de que somos independente e autônomo, respaldado pela liberdade e livre-arbítrio. Temos nossas escolhas dentro de uma existência contida, recortada no tempo e no espaço. Assim sendo, tenho descoberto a importância de ver o aspecto cultural em que vivemos. E principalmente compreender que nada muda de uma hora para outra na cultura. Então, quando noto a ignorância na política brasileira, a falta de envolvimento das pessoas nos espaços de participação e controle social nas instituições públicas (Conselhos, Fórum, Conferências, DCE, CA, etc.), a criminalização dos movimentos sociais, enfraquecimento dos sindicatos, o atentado aos jornalistas, o genocídio dos índios e dos pobres, aumento da agressão à comunidade LGBTQI+, o crescimento do fascismo, violências aos enfermeiros e médicos que estão combatendo à COVID-19 e tantas coisas que me assombram no Brasil, compreendo claramente que o caminho dos artistas e dos professores atualmente será longo, com muita paciência, amor e sem expectativa a curto prazo.

Atualmente estou cursando a minha segunda graduação, que é de Dança. Nela, tenho atuado fortemente no movimento estudantil. Fazemos muitas coisas que parecem em vão. E sim, na prática acho que não colhemos resultados efetivos, pois não se muda a cultura de uma hora para outra. Mas escolhi não me frustrar em ações que não possuem resultados efetivos. Escolhi compreender e valorizar o envolvimento das pessoas nestas ações e o fomento cultural que elas promovem. Manter a utopia, como Galeano diz, serve para caminharmos para frente. Mas, muito além do que isto, fomentar os processos básicos de democracia (reunir, discutir, acordar no dissenso, votar, planejar, dividir funções, trabalhar e revolucionar) é lutar bravamente num país onde a democracia constitucional está ruindo. Sem esta mudança cultural, o Brasil não sairá do buraco em que caiu junto com este governo fascista, militar e miliciano.

Nesta crise sanitária-econômica e da democracia que estamos vivendo, não há um destino certo a seguir, mas o meio para continuar está claro: É povo organizado. Neste aspecto são os movimentos sociais como MST, MTST e frentes populares (LGBTQI+, Negros, Feministas, etc) que tem muito a nos ensinar. Então, temos muito a fazer, mas não podemos esperar resultado efetivo a curto prazo. Nosso tempo é outro, manter utopias e proteger a chama da democracia para que o fogo não se apague. Grandes jornadas começam com pequenos passos. Companheiros, vamos resistir e nos organizar.

Apesar de abordar a micropolítica neste texto, por final gostaria de pedir algo que dialoga com a macropolítica: fortaleçam o movimento estudantil e os sindicatos dos docentes e dos agentes. Não vejo as pessoas nomearem colapso e crise da educação pública no país, tampouco falar da verba de emergência à educação. Todos colegas meus e professores se tornam refém da manutenção das atividades remotas ou não. Porém, o golpe catastrófico e maior a educação está a chegar, que é a privatização do ensino público, utilização do EaD de maneira excludente e o fechamento de várias instituições e áreas de conhecimento de desenvolvimento humano e tecnológico imprescindíveis à sociedade. Principalmente no Paraná que tem o governador Ratinho Jr. alinhado com o Governo Federal do Bolsonaro. Vamos ter que negociar com o Governo Estadual e isto só é possível com fortalecimento da luta de classe. Manter a universidade funcionando é uma resistência, mas não ter sindicatos e movimentos estudantis fortalecidos é fatídico nos tempos de hoje. Seguimos em direção ao colapso do ensino público, então precisamos agir enquanto ainda há tempo.

Abraços.

Curitiba, 15 de Maio de 2020

Yiuki Doi, artivista da dança

Por que civilizações antigas não reconheciam a cor azul?

 Por que civilizações antigas não reconheciam a cor azul?


Achei interessante esta matéria  da BBC, pois no japonês AOI HAPPA significa no pé da letra FOLHA AZUL. 

Mas, pesquisando na internet descobri que AOI, que significa AZUL em japonês, possui relação com frescor e vigor também:

lush fruits
青々とした果物 - 日本語WordNet

the deep blue sea 
青々とした海 - EDR日英対訳辞書

green grass
青々とした草 - EDR日英対訳辞書

fresh green bamboo 青々とした竹 - EDR日英対訳辞書

a green field
青々とした野原 - Eゲイト英和辞典 

a green needle of a pine tree
青々とした松の葉 - EDR日英対訳辞書

a vivid green color 
青々とした緑色 - EDR日英対訳辞書

Aoi, azul ou 青い possui radical lua 月 em baixo. Então vem da sensação noturna com a lua. Nunca tinha parado para analisar, mas a construção do ideograma facilita a compreensão da sua etimologia. 
Enquanto a cor verde (緑) possui Fio 糸... curioso. Depois vou pesquisar os ideogramas do lado direito, o que eles significam. 

O interessante é que para dizer ENSOLARADO, acoplamos o kanji Sol 日 ao lado do azul, então ensolarado é 晴れ (HA-RE) 

 MEU APRENDIZADO DO DIA: as cores como usamos possui relação com a evolução da tecnologia da pigmentação e da economia. Mas, elas sempre tiveram relação com emoção, espiritualidade, praticidade, metáfora etc. 

P.S. Inclusive o termo CÉU AZULADO que existe literal no Japão como AOZORA, talvez seja algo mais recente para um povo milenar. Pois a tonalidade do azul noturno para azul celeste na pratica de pigmentação seja recente. Talvez fazia mais sentido dizer ensolarado a que céu azul antigamente. 

P.S. Apesar do Japão ser uma arquipélago e seu povo possuir muita relação com o mar e a leitura do céu, os ideogramas vieram da China. Então, é necessário também reconhecer o aspecto continental de onde surgiram os ideogramas. 

P.S. Talvez não é uma questão de achar a verdade, é uma maneira perceber o mundo além da praticidade e funcionalidade da cor. Mais do que regras de publicidade e de propaganda - tentar sentir o mundo por outros paradigmas, os quais permitem interagir, imaginar e criar novas existências - muitos dos quais nossos antepassados partilhavam.


sexta-feira, 21 de agosto de 2020

DO SILÊNCIO AO CAOS, DO CAOS A PAUSA

 A humanidade não deu certo… Talvez eu concorde com a carta deixado pelo Flávio Migliaccio na despedida dele deste mundo no dia 04 de Maio de 2020. Acho que a crise sanitária-econômica da Covid-19 simplesmente escancarou o que muitos já sabiam, que a nossa economia capitalista neoliberal e globalizada é insustentável ecologicamente.

Quando falo ecologicamente penso no ser humano como uma espécie igual a todos outros seres vivos. Desta maneira, noto que houve princípios que embasaram e nortearam a nossa política, sociedade e a economia que foram equivocados. Não podemos viver uma produção econômica infinita achando que os recursos naturais são infinitos. Devemos viver responsabilizando do destinos dos nossos lixos e dos nossos esgotos. A monocultura deve ser revista através do aprendizado das agroflorestas. Nosso valor de existência não deve ser superior dos demais seres vivos. Logo, há toda cultura mundial e brasileira precisa ser revista urgentemente, buscando uma cultura que respeite da vida do planeta como todo.

Dentro de vários paradigmas a serem questionados, penso principalmente na separação do ambiente rural e do urbano. Acho que a humanidade precisa entrar mais em contato com natureza e buscar os ideais da permacultura. Nesta perspectiva, interessa-me aproximar a esse movimento enquanto artista da dança também.

Acredito que ser contemporâneo é estar ancorado no tempo e espaço, mais do que inovar na linguagem - a qual parece que é uma consequência das inquietações que movem os artistas. Logo, tenho refletido sobre o futuro da dança contemporânea e da arte em geral.

De um lado, creio que precisamos deslocar a nossa vivência e criação artística mais próximo da natureza, acompanhado do autocuidado do nosso corpo. Mas, por outro lado, vejo a necessidade do ativismo dos artistas nos centros urbanos em relação à cultura e política neoliberal brasileira - que se exime da responsabilidade social e ambiental. A priori, parece-me que são lugares distintos na sua maneira de se organizar e criar a arte, contudo tenho indagado se não é possível transitar entre estes dois lugares enquanto artista, incluindo o processo de criação artística.

Neste viés de pensamento, tenho interessado na cartografia urbana e o mapeamento de nichos que possam dialogar com o meio ambiente (parques, praças, rios etc.). Da mesma maneira, tenho pensado nos lugares inóspitos para a natureza dentro da cidade (avenidas, viadutos, valas etc.). Acho fascinante pensar em laboratórios de criação nesses espaços da cidade. No ambiente rural, penso em vivências em florestas, trilhas e em sítios. Mais do que uma temática de uma obra, interessa-me o que a experiência do trânsito entre esses ambientes podem promover como material criativo.

Há algum tempo a sabedoria indígena tem me chamado a atenção. Anteontem assisti a animação infantil “Pachamama” na Netflix, muito linda a cosmovisão andina compartilhada nela. O florartivismo que tenho feito advém da conexão indígena guaraní com o plantio do milho. Outro dia, a artista Laura Formighieri compartilhou comigo que quando implantamos o plantio na nossa vida a gente está sempre lendo a paisagem de maneira diferente. Creio que existem questões culturais nativas que precisamos visitar para compreendermos melhor o nosso mundo. Estar cuidando de uma plantação dentro do processo de criação parece algo a dialogar neste sentido.

Dentro das inquietações compartilhadas, questiono-me qual a habilidade de transitar entre uma floresta e uma avenida comercial na capital. Pergunto como conseguir meditar no meio do caos urbano. Quais fomentos artísticos surgem quando transitamos entre estes dois mundos no processo de criação. Gosto de assumir que somos parte do meio que vivemos na metodologia de criação. Assim, interessa-me utilizar a mudança de ambientes como provocação para encontrarmos novas perspectivas artísticas e sociais. Do silêncio ao caos, do caos a pausa, quero experimentar uma nova potência de vida. Não sei exatamente o que será, mas gostaria de descobrir na minha caminhada.

Curitiba, 27 de Julho de 2020

Yiuki Doi

cantar e dançar e suspender o céu - Ailton Krenak

"Nós não nos esquecemos quem somos. Nós não nos esquecemos sobre aquelas paisagens que nos acolhem, os rios e as montanhas. Mesmo tendo tirado aquelas florestas daquele lugar, nos ainda invocamos ou evocamos aquela floresta e os seres daquela dessa floresta como nossos aliados. Mesmo quando nós fomos descriminados pela ação do estado, nós seguimos sabendo que nós temos uma potência, que é de habitar outros lugares, além daqueles lugares depredados ou estragados, nós habitamos outros lugares. Estes lugares são criados pela nossa subjetividade, pela nossa memória, pela nossa capacidade de narrar, contar história e como foi mencionado aqui de cantar e dançar e suspender o céu. Um coletivo, um povo que é capaz de produzir este mundo, ele tem uma possibilidade de sobreviver a um desastre do que aqueles que já perderam a sua subjetividade e estão chapados com essa realidade cotidiana, achando que a única coisa que existe é isto, esta realidade cotidiana e esta narrativa abrangente do mundo. Uma narrativa abrangente do mundo que inclui a gente numa maneira negativa, não é numa maneira criativa. É uma maneira para menos, eu acho que nós temos a potência e a capacidade de despertar a nossa memória sobre quem somos e fazer desta memória um importante impulso para realização do que sejam projetos coletivos." (Ailton Krenak)

p.s. trechos transcritos por mim desta conferência ❤

 https://www.youtube.com/watch?v=NUhCKS_UezM&feature=youtu.be&fbclid=IwAR0N9yNVd5kqRGcW015cbqy4jrXArbAcoAmmCqOEKw5XOfU9YMlPiHGvTBk

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Ética e realidade - Hannah Arendt

“Somente a experiência de compartilhar um mundo humano comum com outros que o observam a partir de diferentes perspectivas pode nos habilitar a ver realidade ao redor e desenvolver um senso comum compartilhado. Sem isso, somos todos devolvidos a nossas próprias experiências subjetivas, nas quais apenas nossos sentimentos, necessidades e desejos têm realidades.” (Hannah Arendt – A condição humana)

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