Quando eu era pequeno, havia um banheiro fora da casa, onde também era o nosso local de castigo.
Às vezes minha mãe me encontrava sozinho nesse banheiro fazendo nada, sentado no assento tampado.
Vendo a situação estranha, ela perguntava:
- Filho, o que está fazendo aí?
Diz ela que eu respondia:
- Estou de castigo, pois fiz algo errado.
Vagas memórias que se fundem com os relatos dela. Até hoje sinto que não era triste aquele troninho da infância. Sabia que era um lugar para ficar, somente isso.
Anos se passaram, saí de casa e pela vicissitude acabei me afastando dos meus pais. Não me sinto triste ou alegre quanto a isso. Eu aprendi a ficar longe deles, pois não cumpri o que esperam de um filho.
Deixei de telefonar, dar notícias e entrei no silêncio. Decidi manter as paredes do banheiro.
Depois de um tempo, eu recebi uma encomenda da minha mãe, que era um pacote de comidas japonesas. Nele, havia um bilhete escrito: Com carinho.
Talvez ser filho não é uma questão de merecer ou não...
Yiuki Doi, artista da dança e gay