O conceito de capital cultural de Pierre Bourdieu busca explicar que as desigualdades sociais não acontecem apenas por dinheiro (capital econômico), mas também pelo acesso desigual à:
- conhecimento;
- linguagem;
- repertório cultural;
- educação;
- gostos;
- hábitos;
- e formas de comportamento valorizadas socialmente.
Ou seja:
certas culturas e modos de existir são reconhecidos como “mais legítimos” pelo sistema social.
Exemplo simples:
uma criança que cresce numa família:
- que lê livros;
- frequenta museus;
- conhece música erudita;
- sabe falar dentro da norma culta;
- entende códigos acadêmicos;
já chega na escola com vantagens invisíveis.
Enquanto outras pessoas possuem saberes profundos:
- populares;
- corporais;
- comunitários;
- ancestrais;
- territoriais;
- artísticos;
- ou tradicionais,
mas esses conhecimentos muitas vezes não são reconhecidos institucionalmente.
Então Bourdieu mostra que:
a escola frequentemente reproduz desigualdades ao valorizar determinados repertórios culturais como “naturais” ou “superiores”.
Ele divide o capital cultural em três formas principais:
-
Incorporado
aquilo que o corpo aprende e carrega:- modo de falar;
- postura;
- gostos;
- repertório;
- sensibilidade;
- maneiras de agir.
-
Objetivado
bens culturais materiais:- livros;
- instrumentos;
- obras de arte;
- acesso à cultura.
-
Institucionalizado
reconhecimento formal:- diplomas;
- títulos;
- certificados.
Muitas vezes existem:
- inteligências;
- sensibilidades;
- técnicas;
- cosmologias;
- e conhecimentos sofisticadíssimos
que o sistema dominante simplesmente:
não reconhece como “capital legítimo”.
Então o conceito de capital cultural ajuda a entender:
como a desigualdade também opera:
- no simbólico;
- no sensível;
- na linguagem;
- no gosto;
- e na validação social dos saberes.