Espaço para desvanecer a cada instante. Aqui se encontram textos, imagens e gráficos de vários autores. Sempre precisei colecionar o que eu chamo de figurinhas mágicas. São cartas que abrem novos horizontes e paisagens. Então, boa viagem ;)

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sábado, 26 de maio de 2012

Árvore Nitzschiana – por Gaston Bachelard.

A árvore nitzschiana […] é um vinculo todo-poderoso do mal e do bem, da terra e do céu. “Quanto mais quer elevar-se rumo às alturas e à claridade, mais profundamente suas raízes se afundam na terra, nas trevas e no abismo – no mal.” (Zaratrustra, Da árvore sobre a montanha, 1ª ed., p.57). Não há bem evasivo, desabrochado, não há flor sem um trabalho da imundície da terra. O bem brota do mal.

Gaston Bachelard (O ar e os sonhos, Editora Martins Fontes, 1ª Ed., p.150)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Integração ;) by Merleau-Ponty

“Eu percebo de uma maneira indivisa com meu ser total, eu apreendo uma estrutura única da coisas, uma maneira única de existir que fale ao mesmo tempo a todos os meus sentidos.” (Merleau-Ponty, Sens et non-sense, p.101)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Cosmovisão que se altera mediante a fenomenologia de Merleau-Ponty

Achei interessante a mudança da crença religiosa que se surge indiretamente com a fenomenologia do Merleau-Ponty lendo o trecho abaixo do livro do José de Carvalho Sombra (A Subjetividade Corpórea, página 21):

“… ao aproximar o humano e o animal no comportamento, o mental e o vital na percepção, o vital e o simbólico na expressão, Merleau-Ponty instaura uma supreendente aproximação e parentesco entre humano e o biológico, entre o natural e o mental. Em lugar de uma natureza, que nos seria estranha e exterior, Merleau-Ponty inseri a consciência na vida e no mundo, reformulando radicalmente nossa idéia de natureza e de consciência.”

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A perfeição–Helena P. Blavastsky

“A perfeição, para ser completa, deve nascer da imperfeição; o incorruptível deve brotar do corruptível, tendo a este por veículo, base e contraste.” Helena P. Blavastsky

sexta-feira, 5 de março de 2010

A virtude do vazio

"Conta uma estória Zen-Budista sobre um mestre japonês chamado Nan-in.
Vai visitá-lo um professor universitário que deseja conhecer o Zen.
Segundo a etiqueta, Nan-in convida-o a sentar.
Começa a servir o chá.
A  chávena do visitante já está cheia mas Nan-in continua imperturbável
derramando o chá ,
que principia a escorrer no chão.
O professor não podendo mais conter-se exclama:
- A chávena já está cheia! Chegou o momento de parar.
Ao que Nan-in observa:
- Assim como esta chávena , também estás cheio de conceitos e especulações.
Como poderei mostrar-te o Zen, se não te esvaziares primeiramente?"

(Texto transcrito e repassado para mim pela Paty em set 2006. O livro que ela retirou é o  Lao Tsé, O Livro do Caminho Perfeito
com comentários de Murillo Nunes de Azevedo da editora Pensamento)

quarta-feira, 24 de junho de 2009

CONHECIMENTO x FENOMENOLOGIA - HEGEL, G.W.F.

"Segundo uma representação natural, a filosofia, antes de abordar a coisa mesma, ou seja, o conhecimento efetivo do que em verdade é, necessita pôr-se de acordo sobre o conhecer, o qual se considera ou um instrumento com que se denomina o absoluto, ou um meio através do qual se o contempla.

Parece correto esse cuidado, pois há, possivelmente, diversos tipos de conhecimento. Alguns poderiam ser mais aptos do que outros para a obtenção do fim último, e por isso seria possível uma falsa escolha entre eles. Há também outro motivo: sendo o conhecer uma faculdade de espécie e de âmbito determinados, sem uma determinação mais exata de sua natureza e de seus limites, há o risco de alcançar as nuvens do erro em lugar do céu da verdade. Ora, esse cuidado chega até a transformar-se na convicção de que constitui um contra-senso em seu conceito todo empreendimento que, mediante o conhecer, almeje conquistar para a consciência o que é em si, de que entre o conhecer e o absoluto passa uma nítida linha divisória. Pois, se o conhecer é o instrumento para apoderar-se da essência absoluta, logo se suspeita que a aplicação do instrumento não deixe a coisa tal como é para si, mas com ele traga transformação e alteração. Ou então, o conhecimento não é instrumento de nossa atividade, mas de certa maneira um meio passivo através do qual a luz da verdade chega até nós. Nesse caso, também não recebemos a verdade como é em si, mas como é nesse meio e através dele.

Nos dois casos, usamos um meio que produz imediatamente o contrário de seu fim; ou melhor, o contra-senso está antes em recorrermos em geral a um meio. Sem dúvida, parece possível remediar esse inconveniente pelo conhecimento do modo de atuação do instrumento, o que permitiria descontar no resultado a contribuição do instrumento para a representação do absoluto que por meio dele fazemos, obtendo-se assim o verdadeiro em sua pureza. Só que essa correção nos levaria, de fato, aonde antes estávamos. Ao retirar novamente, de uma coisa elaborada, o que o instrumento operou nela, então essa coisa – no caso o absoluto – fica para nós exatamente como era antes desse esforço, que, portanto, fora inútil. Se, através do instrumento, o absoluto tivesse apenas de achegar-se a nós, como o passarinho na visgueira, sem que nada nele mudasse, ele zombaria desse artifício, se já não estivesse e não quisesse estar perto de nós em si e para si. Pois, nesse caso, o conhecimento seria um artifício: com seu múltiplo esforço, daria a impressão de produzir algo totalmente diverso do que só a relação imediata, a qual, sendo imediata, não exige por isso empenho. Ou então, se o exame do conhecer, aqui representado como um meio, nos faz conhecer a lei da refração de seus raios, de nada ainda nos serviria descontar a refração no resultado. Com efeito, o conhecer não é o desvio do raio: é o próprio raio, através do qual a verdade nos toca. Ao subtraí-lo, só nos restaria a pura direção ou o lugar vazio.

Desse modo, o temor de errar introduz uma desconfiança na ciência, que, sem tais escrúpulos, se entrega espontaneamente à sua tarefa, e conhece efetivamente. Entretanto, deveria ser levada em conta a posição inversa: por que não cuidar de introduzir uma desconfiança nessa desconfiança, e não temer que esse temor de errar já seja o próprio erro? De fato, esse temor de errar pressupõe com a verdade alguma coisa (ou melhor, muitas coisas) na base de suas precauções e conseqüências, verdade que deveria antes ser examinada. Pressupõe, por exemplo, representações sobre o conhecer como instrumento e meio e também uma diferença entre nós mesmos e esse conhecer; mas, sobretudo, que o absoluto esteja de um lado e o conhecer de outro lado – para si e separado do absoluto, e mesmo assim seja algo real. Pressupõe com isso que o conhecimento, que, enquanto fora do absoluto, está também fora da verdade, seja verdadeiro, suposição pela qual se mostra que o assim chamado temor do erro é, antes, temor da verdade.

Essa conseqüência resulta de que só o absoluto é verdadeiro, ou só o verdadeiro é absoluto. E possível rejeita-la mediante a distinção entre um conhecimento que não conhece o absoluto, com quer a ciência, e ainda assim é verdadeiro e o conhecimento em geral, que, embora incapaz de apreender o absoluto, seja capaz de outra verdade. Mas vemos, afinal, que esse falatório acaba em uma distinção obscura entre um verdadeiro absoluto e um verdadeiro ordinário, e que o absoluto, o conhecer, etc., são palavras que pressupõem uma significação que é preciso primeiro adquirir." [HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Fenomenologia do Espirito].

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Tao - Yiuki Doi

Só podemos estar em harmonia com o todo, no dia que percebemos que somos canais de energias e que nessas passagens possuímos o poder de mudá-las. Somos canais das emoções, matérias e de conhecimentos. Tudo que chega uma hora precisa ser repassado para frente. O egoísmo aprisiona a energia e nós faz mal, pois ela foi feito para circular. Nós, seres humanos, possuímos o livre arbítrio de mudar o percurso e a forma das energias quando compreendemos as regras universais e divinas. Toda ansiedade e a dor nascem quando não aceitamos esse aprendizado. Yiuki

O eu e a garrafa sem fundo - Jornal Tao do Taoísmo - n. 20 índice

Se o arqueiro atira uma flecha no vazio, em que ele vai acertar? Vencer o ataque através do vazio é o primeiro fundamento da estratégia chinesa, ou seja, trabalhar com a ausência do ego.

Mestre Wu Jyh Cherng - Sociedade Taoísta do Brasil


No estudo da estratégia, se diz que os grandes mestres de estratégia trabalham com o princípio da ausência do ego. Se as pessoas não tivessem ego, não haveria luta entre elas. Se, por exemplo, você tem um profundo apego por chocolate, quem na verdade tem esse apego? O seu "eu", que é o seu ego. Com a ausência do ego, não vai existir o apego ao chocolate. Nesse caso, você poderia até comer o chocolate, mas não teria apego a ele, não seria viciado. Apego é aquilo que você quer. Mais do que isso. É algo que você não consegue deixar de querer. Em outras palavras, apego é vício.

Nós somos viciados em inúmeras coisas. Existem pessoas que são viciadas, por exemplo, em cuidar de outras pessoas. Existem aquelas viciadas em coca-cola, em dinheiro, em ideologia, em sexo e em inúmeras outras coisas. Todos nós temos alguns vícios, de níveis e tipos diferentes. E existem vícios que, normalmente, nem são percebidos como vícios.

Como você poderia não ter vícios? Não tendo um ego, não tendo um "eu". Se você não tem esse "eu", como poderia ficar viciado em algo? A ausência do ego faz com que você se torne vazio e, se você é um vazio no sentido da quietude interior (a quietude interior faz com que nos tornemos vazios por dentro), você deixa de ser um alvo para o outro. A ausência do ego coloca seu espírito em estado de quietude, de transparência. Se o arqueiro atira uma flecha no vazio, em que ele vai acertar? Em nada. Então, se você esvazia seu coração, toda força que o seu adversário mandar na sua direção, por mais perversa que seja, não irá acertar em você.


Muitas vezes, você está numa festa ou num lugar público e percebe que, quando vira de costas, uma determinada pessoa dirige a você um olhar insistente e negativo. Você, então, poderia lançar mão de uma técnica muito usada por taoístas nessa situação: respirar umas duas ou três vezes prestando atenção ao ritmo da sua respiração para que ela fique tranqüila; não deixar transparecer no rosto nem nas atitudes externas que percebeu o que está acontecendo; e começar a esvaziar seu interior, imaginando que você todo está se tornando um vazio, restando do seu corpo apenas uma silhueta.

Nessa hora, a energia desconfortável daquele olhar vai passar por você como se estivesse passando por um vazio. Algum tempo depois, você vai notar que aquela pessoa está começando a sentir um cansaço imenso, e vai ficar cada vez mais cansada até desistir de olhar para sua direção.

Mas se você receber esse olhar e, por não estar esvaziado, for atingido por ele, ou seja, se a pessoa conseguir acertar você com aquela energia perversa, essa mesma energia vai voltar para ela e realimentá-la.

No caso contrário, se o olhar dela não conseguir acertar você, ela vai estar, apenas, jogando energia fora. É como se ela estivesse atirando no vazio: as balas do revólver vão acabar e ela não terá acertado em alvo algum, em nada.

Essa técnica de esvaziamento é muito fácil de ser praticada. Ela é muito usada para você não precisar lutar contra a pessoa que está dirigindo a energia perversa para você. E praticando esta técnica você vence a energia perversa sem precisar lutar contra a pessoa que a lançou.

Se essa pessoa ficar usando sua força contra o espaço, vai acabar se cansando. É como dar socos no ar: a pessoa vai se cansar e terminar por ser derrotada por si mesma sem que você, que praticou a técnica do esvaziamento pela respiração, precise sacar uma arma para brigar com ela.

Esse é exatamente o ensinamento de como vencer uma ação através da não-ação. Vencer o ataque através do vazio é o primeiro fundamento da estratégia da guerra, ou seja: trabalhar com a ausência do ego.

Raciocine desse modo: se eu não existo, quem poderia estar me atingindo? Mas é preciso tomar cuidado porque ausência de ego não significa não tomar uma atitude quando ela for necessária.

Se você não tiver ego, mesmo que alguém tente lhe ofender, não vai conseguir porque o eu não existe e, portanto, você não pode ser aquilo que a pessoa disse ser. Ela não vai estar falando sobre você – então, vai estar falando sozinha, sem conseguir lhe ofender. No entanto, isso não pode ser um mecanismo de convencimento intelectual. Isso tem de ser o resultado de um esvaziamento interior, de um esvaziamento do eu.

Mas como a ausência do eu é demonstrada na prática, na vida cotidiana? Por meio da tolerância, da aceitação e do coração esvaziado. Uma pessoa que não seja tolerante, acaba por preencher rapidamente o seu limite. Até mesmo popularmente, quando alguém não consegue aceitar mais nada, adota uma expressão facial que demonstra que seu limite foi atingido: "Eu estou cheio, não tenho mais capacidade de tolerar isso, não vou mais tolerar isso", é o que costuma dizer quem acaba por preencher rapidamente seu limite.

Numa situação como essa, nós nos tornamos "cheios" porque temos um limite que funciona como uma espécie de fundo de garrafa – ou fundo de copo –, que vem a ser, exatamente, o nosso ego. O ego humano é o fundo do nosso copo, da nossa garrafa. O ego faz com que nossa vida, mesmo que seja parcialmente esvaziada, tenha um limite. E a suprema abundância só é adquirida quando nós retiramos esse fundo da garrafa. Desse modo, tudo entra e tudo sai pela garrafa sem fundo e, por isso, a suprema abundância não se esgota.

Um mestre antigo dizia que nós deveríamos saber receber tudo o que vem do mundo e repassar tudo de volta para o mundo. Dessa maneira, a nossa vida torna-se algo vazio e esse vazio permite que a vida flua dentro de nós. É desse processo que vem a alegria sem euforia e a tristeza sem depressão. Vêm coisas saborosas e amargas, e tanto umas quanto outras entram e saem de nós como se estivessem sendo derramadas numa garrafa sem fundo.

Assim, a nossa capacidade tanto de receber quanto de dar nunca termina e, com isso, a vida se torna mais leve porque, nesse momento, deixamos de fluir na vida para deixar a vida fluir em nós. A partir dessa hora nós nos transformamos e ficamos como se fôssemos um tubo por onde a água, que simboliza a vida, passa por nós e vai adiante, fluindo sem parar porque não existe um fundo, um limite que a represe.

De modo contrário, se nós tivermos um fundo, como uma garrafa ou um copo, a água não vai fluir. Ela vai encher essa garrafa até seu limite, depois transbordar, e terminar levando o copo ou a garrafa junto com ela, em vez de passar e sair. Então, a pessoa que tem o ego muito forte é levada pelo destino, em vez de permitir que o destino ou a vida passe por ela.

Quanto mais esvaziados o copo ou a garrafa, mais a água vai fluir e passar dentro de nós, mais o destino vai passar por nós, e seremos donos desse destino. Quanto menos esvaziados, mais obstáculos a água vai encontrar para fluir dentro de nós e, nesse caso, os papéis serão invertidos: nós vamos passar por dentro vida e ela é que será a dona do nosso destino.

Precisamos nos esvaziar para podermos nos tornar receptivos. Sendo receptivos, podemos de fato abraçar todas as coisas e, ao mesmo tempo, permitir que todas as coisas se desenvolvam e se transformem de modo natural e fluido.

O homem iluminado é o que possui a abertura interior.




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... um visionário é aquele que encontra seu caminho pelo luar e vê o alvorecer antes do resto do mundo.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

DEUS / TAO - Yiuki Doi

Deus mostra sua grandeza pela diversidade, contudo se comunica pelo que há em comum entre todas as coisas. Por isso as respostas que buscamos estão no meio delas. Entre o Alto x Magro, Japonês x Baiano, Natureza x Ciência, Rico x Pobre, Homem x Mulher, Rio x Primavera e entre EU e VOCÊ. Yiuki Doi

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