O motor da geladeira murmura
No meio da tarde da minha vida
Embora engasgue de vez em quando
Ele não reclama nunca, de nada
Mesmo sofrendo fraquezas súbitas, inexplicáveis
Ele murmura para dizer, rouco: eu continuo
Continuo vivo, isto nunca é pouca coisa
Para um motor de geladeira já muito usado
De minha parte, ouço e aprecio a resistência
Da máquina
Ela também há de cessar um dia
Ela também
Mas até lá, murmúrio e vida,
Nesta cozinha
Silenciosa e limpa.