Espaço para desvanecer a cada instante. Aqui se encontram textos, imagens e gráficos de vários autores. Sempre precisei colecionar o que eu chamo de figurinhas mágicas. São cartas que abrem novos horizontes e paisagens. Então, boa viagem ;)

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sexta-feira, 17 de junho de 2011

A obra faz o seu chamado no processo de criação

Trecho da entrevista do Bandeila de Mello na exposição “EU EXISTO ASSIM” no Espaço Cultural da Caixa em Curitiba:

 

“Quando você começa, você tem um tema na cabeça. Tem os materiais na cabeça, o suporte na cabeça, a técnica que vai usar. Tá tudo na cabeça, organizado. Tá pré-organizado isso. Mas no momento em diante que você começa o trabalho, você perde o comando, é o trabalho que começa a comandar”… “É o próprio trabalho que vai fazendo um chamado daquilo que tem que ser feito. E acaba sendo um diálogo entre o que você queria fazer e o trabalho quer que você faça. Agora, o mais importante nisso tudo, é que o que vai transformar aquilo em obra de arte é precisamente o que você não programou, é aquilo que saiu e ficou impressão no trabalho, independente da sua vontade. A temática do meu trabalho é sempre ligada a questão da sobrevivência do indivíduo enquanto indivíduo e enquanto membro da espécie. Quer dizer, essa questão de que a vida é uma luta permanente para não morrer, certo? Então, mesmo quando você entra nas questões da comida, do alimento, do amor, etc... É sempre a questão da sobrevivência da espécie. Do indivíduo como indivíduo e da espécie como um todo. Mas não contada de uma forma anedótica, mas contada de uma forma plástica.”

Bandeira de Mello, anotação do vídeo da exposição “EU EXISTO ASSIM” no Espaço Cultural da Caixa em Curitiba no dia 17 de Junho de 2011 feita por mim.

ARTE CONTEMPORÂNEA NA PINTURA: “…idéia de permanência não tem. O artista permanece, mas o ofício de pintor acabou.” por Bandeira de Mello

“Uma coisa que a gente nota é o descaso pela permanência do trabalho. Tem uma denúncia nesse sentido num dos livros do André Lotte. "Se perguntarmos a um restaurador quais são as obras que precisam de restauração, mais de restauração, certamente são as obras modernas. È uma coisa que eu sempre falo com meus alunos. É preciso que você faça alguma coisa que seja boa e que ela tenha uma certa permanência. Na própria obra de Van Gogh já tem trabalhos que são difíceis de se manter aparência deles porque ele já não se preocupava tanto com isso. Eu acho que quanto mais você sabe, mais livre você é. Mesmo porque você entra numa fase em que você sabe o que fazer e o que não fazer. O que não fazer sabendo fazer aquilo. Você deixa de fazer por uma necessidade expressiva. Eu ainda vou mais longe: Acho que se você não sabe desenhar você não pensa na forma. Nós tínhamos 900 horas aula de modelo vivo. O curso. E essas 900 horas não eram garantia de que você ia sair um bom desenhista. Eles foram cortando, cortando, cortando, cortando... E hoje são 90 horas obrigatórias. Quer dizer 10%. As pessoas que sabem desenhar, normalmente elas desenham apesar do ensino oficial, vão procurar fora, vão estudar fora, vão procurar um mestre fora para poder aprender, porque lá é meio difícil, meio complicado de aprender. Você vê obras hoje feitas com o intuito de desaparecer mesmo. O sujeito faz uma exposição com uma escultura de gelo e ela derrete durante a exposição. Faz uma cera para derreter se fizer calor, etc. Faz um livro de carne, para apodrecer, etc. Quer dizer, essa idéia de permanência não tem. O artista permanece, mas o ofício de pintor acabou. Eles pintam com qualquer coisa, em cima de qualquer coisa, com qualquer tinta, de qualquer jeito. Mistura com qualquer coisa, umas com as outras, sem saber o resultado final daquilo. Então, ele diz o seguinte: - Isso se deve à morte do ofício do pintor. Permanece o artista, mas não tem mais o técnico, o pintor.”

Bandeira de Mello, anotação do vídeo da exposição “EU EXISTO ASSIM” no Espaço Cultural da Caixa em Curitiba no dia 17 de Junho de 2011 feita por mim.

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