Espaço para desvanecer a cada instante. Aqui se encontram textos, imagens e gráficos de vários autores. Sempre precisei colecionar o que eu chamo de figurinhas mágicas. São cartas que abrem novos horizontes e paisagens. Então, boa viagem ;)

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quinta-feira, 1 de março de 2012

Bebê agora vem com manual– Paty Muller

Olá mamães e simpatizantes!
Uma mamãe me perguntou sobre o livro que considero pra mim um verdadeiro Manual para lidar com Bebês.
Ela disse:

"Fiquei com uma dúvida aqui... o livro que estou lendo da Tracy Hogg chama-se "os segredos de uma encantadora de bebes" e esse que vc mencionou tem outro título.

Vc sabe qual é a diferença entre os dois?

Um é a sequencia do outro?"

Compartilho da minha resposta:

  • Sobre o Livro (veja o anexo).
    O livro que eu uso é o da capa rosa -" A ENCANTADORA DE BEBÊS RESOLVE TODOS OS SEUS PROBLEMAS", que tem complementos de exemplos bem práticos  além de alguns ajustes que ela faz referente à parte de tirar das fraldas pra usar o troninho.
    O livro da capa azul "Os Segredos de uma Encantadora de Bebês" foi escrito antes do da capa rosa e é mais teórico.
    Agora tem mais um livro dela "Mais Segredos da Encantadora de Bebês - Para Crianças de 1 a
    3 Anos", mas este ainda não tive o prazer de bizolhar.
  • Sobre a autora.
    Tracy Hogg é britânica, trabalhou por muitos anos como babá nos Estados Unidos.
    Tenho muita admiração por ela pois ignora saídas fáceis para escolher soluções que dão ferramentas pra que as crianças se desenvolvam respeitando sua natureza de criança !
    Difícil explicar uma coisa dessas.
    Vamos ao exemplo: Quando uma criança leva um tombo e cai ao chão. Se não foi grave, finja que não viu e permita que ela mesma se levante e siga em frente.
    Foi babá de filhos de famosos como John Travolta e teve até um programa de teve nos EUA.
    Infelizmente ela faleceu há uns 5 anos, de câncer.
  • Quando ler.
    Recomendo que seja dada uma lidinha, se possível, 2 mêses antes da criança nascer, prá que você se localize dentro do livro e compreenda a "espinha dorsal" do manual. Assim, quando sua dúvida é sobre alimentação sólida, não vai precisar ler sobre amamentação (alimentação líquida) antes.
  • O perfil do leitor.
    Sei de uma gestante cujo companheiro antipatiza manuais.
    Sabendo que ela precisava da ajuda dele e que agissem de maneira que não fosse divergente com o bebê (ou daria um nó na cabeça criança, não é?), ela poupou ele da leitura, mas passava de maneira sutil, verbalmente e aos poucos a "espinha dorsal" do manual e deu certo! Trabalho em equipe é isso mesmo.
    beijos


Patricia Muller

Prá além do choro

Queridos "Mamães e Simpatizantes",
Compartilho de infos que passei para uma mamãe que pediu uma ajudinha sobre sua pequena que estava numas de arquear o corpo pra tráz + bater o pé + dar tapas.

beijos repletos de ferramentas diante das frustrações da vida,

Patricia Muller

 


Pois é, para mostrar insatisfação, agora a criança tem mais ferramentas que chorar/berrar. Rsrsrs
De início, costuma resolver se você conseguir entender o que irrita a criança, pra ela se manifestar assim  e antes de acontecer novamente, acolha a criança pra perto de você, diga algo como: " olha eu sei que quando acontece isso, você não gosta, mas procure manter-se calma, a mamãe está aqui com você" e se perceber que a criança te escuta, continue dizendo "vamos encontrar uma maneira de juntos resolver isso".

É importante fazer uma leitura/acompanhamento da criança e intervir antes, por que depois, não conseguerimos resultado nenhum, nas terras do Sr. Descontrole.

Assim, se perceber que a criança está "mergulhando" na irritação, mas ainda no comecinho do "mergulho", retire ela do ambiente, acolhendo a pra perto de você, do seu corpo. Mesmo se estiver nevando, enrole a criança numa coberta e pronto. Os ambientes externos são ótimos pra tirar a criança deste espiral de descontrole. Não me pergunte porque. Só sei que super funciona. Agradeço à Tracy Hogg (autora do livro A Encantadora de Bebês Resolve Todos os Seus Problemas) por isso.

Se a coisa seguir sem sucesso, compartilho o que aprendi com a excelente professora da Giordano Bruno, Andrea Assumpção , quando meu pequeno estava numas de me bater no rosto no auge de seus 2 aninhos.

A instrução é simplicidade:

  1. Segure a mãozinha da criança antes de encostar em você.
  2. Olhe bem nos olhos da criança, de maneira séria (não é hora pra simpatias nem sorrizinhos pois você aplicará o que chamo de " NÃO verdadeiro")
  3. Diga uma única fraze curta e direta (e não a fique repetindo como um mantra, diga uma vez só) como por exemplo:  " Não, eu não quero que você faça isso!"
  4. Não agrade a criança na sequencia. Permita, que em silêncio, que ela sinta o reflexo do acontecimento em todo o seu ser.
  5. Não fique zangada com a criança. Ela está aprendendo e cabe a você fornecer ferramentas pra isso.
  6. Repita todo este procedimento até a criança mudar sua postura diante das frustações.

Patricia Muller

sábado, 29 de outubro de 2011

Mudanças

Muitas vezes quando organizamos as coisas significa que estamos indo para outro lugar. Ana Gonzales

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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Preparo para deixar o seu filho pequeno com outra pessoa.

DEIXO POSTADO DICAS DE COMO CUIDAR DE CRIANÇAS QUE A MINHA AMIGA PATY COMPARTILHOU COMIGO. APRENDO MUITO LENDO ESSAS DICAS.
  • Deixe a criança com quem gosta de criança e está disponível para isso.
  • Perceba se o ambiente está harmônico.
  • O melhor é que a pessoa venha à sua casa ou que sua criança fique em local conhecido e dominado por ela. Será uma novidade a menos pra ela ter que se adequar.
    Se o clima do lugar estiver tenso, reconsidere e combine pra uma outra oportunidade ou um outro local. Proteja e não exponha sua criança a lugares que não são legais pra ela.
  • Combine o horário que retornará e respeite o combinado.
    Se quizer, combine também o horário que "ligará só para saber se está tudo bem".
  • Deixe todos o numeros de telefone possíveis, inclusive o dos avós. Verifique se o aparelho telefônico que ficará onde a criança está tem bateria e linha (para os da Net, costuma acontecer de ficar sem linha à toa).
  • Entregue a criança calma. Se a criança estiver agitada, a acalme. Aproveite pra ir locutando pra pessoa que ficará com a criança, o que está fazendo e como está fazendo, pode ser útil pra ela mais tarde e aguarde uns cinco minutos depois disso.
  • Passe por escrito hábitos e horários da criança. Leia junto com a pessoa pra ter certeza de que a mensagem foi bem transmitida.
  • Para crianças de colo, recomendo deixar uma camiseta ou camisola bem usada/suada  pela mãe, que tenha em evidência "o delicioso cheiro do sovaco da mãe". Muitos bebês se acalmam quando colocamos a peça de roupa usada da mãe junto de suas bochechas. E esta dica também serve (junto com outros artifícios que compartilharei em e-mail futuro) para aquelas que permitiram que a criança dormisse no quarto do casal e querem passar a criança para o seu quartinho.
  • Se despeça da criança sorrindo e olhando nos olhos dela. Fale com tom tranquilo e que essa tranquilidade venha do coração.
    Diga que já volta e dê ênfase ao que vão fazer juntos quando você retornar.
  • Durante sua saída, pare de pensar e se preocupar pois a criança capta sua insegurança e fica, digamos, áspera.

Patricia Muller

bebê de 2 meses

DEIXO POSTADO DICAS DE COMO CUIDAR DE CRIANÇAS QUE A MINHA AMIGA PATY COMPARTILHOU COMIGO. APRENDO MUITO LENDO ESSAS DICAS.


O que Tracy fala: O que a Tracy recomenda (e eu super concordo ) é evitar o excesso de estímulos, coisa que é tendência em nossa sociedade. A criança não precisa de tanta informação.

Música clássica é bom, mas, na maioria das vezes o silêncio é a melhor companhia.

Até pelo menos os 2 aninhos, super afaste o bebê da televisão (mesmo sem alcance visual). Proteja a criança.

Tracy fala também que pro bebê ficar calminho olhar uma parede branca já é uma atividade e tanto.

É importante respeitar o espaço do bebê. Quando tirar a roupa dele, pedir licença e dizer, "vou tirar sua roupa, dá licença." Ou "daqui a pouco vamos vestir o casaco prá ir pra rua". As crianças ficam mais calmas quando sabem o que vai acontecer depois e aí está o grande trunfo de ter uma rotina bem implantada! 

O que eu também fazia: Sempre que o bebê estava quietinho, eu saída de fininho e quando ia pra dar uma espiadinha se estava bem, procurava não chamar a atenção pra minha chegada.

Eu procurava proporcionar ao bebê contatos com a natureza como observar as núvens do céu ( com a criança à sombra, é claro) ou o movimentar das folhas da árvore ao vento ou mesmo uma cortina de janela. Caso queira um pouco mais de ação, todos os animais (passarinho, cachorro, gato, peixe em aquário) são boa idéia também. Uma visita à um petshop já resolve este assunto, não é?

Também permitia que ele sentisse a vibração de todas as cores, assim, evitava vestí-lo sempre de azul.

Sempre olhava pra ele nos olhos e sorria muito.

Permita que ela coloque os pés na terra , para sentir a textura e descarregar as energias. E isso serve para por pés e mãos na areia, nas pedras, na grama, etc. Ates de tirar o calçado, diga o que vai acontecer : " O Bruno vai por o pé na terra". Em seguida, permita o silêncio. E quando for colocar o calçado novamente diga o que aconteceu: " O Bruno colocou o pé na terra!

Além disso, é importante que a criança receba o toque da mãe por todo o seu corpinho . Não precisa ser shantala, basta pegar nos bracinhos e dizer "olhe que lindos braços!". Ou pegar na mão dela, com firmeza e suavidade ao mesmo tempo , olhar nos olhos e dizer "Mão!". Note que não falamos nada no diminutivo pra criança pois o desenvolvimento da linguagem dela, que já está super acontecendo, vai decorar primeiro o final das palavras e se todas terminarem com "inho", vai ficar mais difícil, não é?
Fale de maneira suave, devagar e como quem conta uma notícia boa, de maneira serena, entende?

Mesmo que não esteja apaixonada pelo pai do bebê, fale bem dele pra criança. Fale das virtudes deste cavalheiro. E se estiver longe, mostre a melhor foto que tiver dele e diga " Papai Silvio" e sorria.

Nunca rotule o bebê : " você é um chato" ou "você é um brabo", por mais astralizada que você esteja. Nunca fale de alguma dificuldade da criança na frente dela também.

Dona Lurdes também me ensinou para não deixar que qualquer um pegue no seu bebê, principalmente nos pés, que é onde entra a energia ruim. Enfim, defenda o bebê.

Patricia Muller

Dentinhos, dor nas costas, elogios, dormir a noite inteira.

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Dentinhos.

Se não estiver frio por aí, ajuda deixar um pedaço de maça, manga ou pera no congelador por 10 ou 15 minutos e dar pra ela, como mordedor.
A intenção não é alimentá-la , neste caso, e sim que a temperatura geladinha amortece a gengiva dolorida e causa um conforto natural. Nunca usei dessas pomadas tipo BabyDent pois me disseram que antecipa desrespeitosamente  o processo natural da chegada do dente.

Dor nas costas.

Puxa, o que posso dizer?
Que a dor vai mudando de lugar. Quando o bebê é menor, doi mais em cima, perto da cervival. Conforme vai crescendo, a dor vai descendo, até que chega perto da bacia , que é onde está a minha. Com esse frio, tirei o Bernardo do banho quente e não queria que ele encostasse no chão gelado e ganhei esta dor gostosa, que me deixa meio torta e tendo que dar explicações a todos que me cercam.
Quando tiver gente por perto, peça pra que te alcance o bebê, assim, na cara dura!
Na medida do possível, pegue ela no colo o mínimo e preste atenção na postura de sua coluna ao amamentar, mesmo que pra isso, fique cercada de apoios, almofadas, o que for necessário, pois precisamos de você bem boa, mamãe. 

Como elogiar.

Você fez muito bem em elogiar a proesa do bebê sair sozinho do bebê conforto!
Sempre que elogiar, procure elogiar a tarefa e não a criança.
Por exemplo : "Muito bem Marina, você fez um bom trabalho saindo sainha do bebê conforto!"
Ou seja, evite dizer : "você é linda, ou você é inteligente, ou você é demais!"
E quando precisar chamar a atenção, evite falar o nome dela. 
"Menina, fique tranquila, a mamãe já está chegando." ou invéz de "Marina, não chore!"
Perceba também que para chamar a atenção o comando se inspira no que ela deve fazer e não, no que ela não deve fazer.
Use o nome Marina para os elogios e boas notícias.
Assim, logo logo teremos uma princesinha que gosta do nome que tem.

Acorda a noite.

Ela acorda as 00, 03 e 06:30 por que?
a) Com fome? amamente ela as 19h, as 21h e as 23h30 , que é o que Tracy chama de enchendo o tanque. Mesmo que ela esteja dormindo neste horário, coloque ela no seio, se não acordar tudo bem, mas estimule pra que a boquinha trabalhe sugando o leite.

Amamentar após as 24h é dar um tiro no pé, pois você estará dando o reforço negativo de fragmentação da noite.
b) Com desconforto de  xixi na fralda? Use a melhor fralda que você tiver na troca proxima das 19h e passe pomada em abundância pois a proxima troca será apenas apos as 5h da madrugada (mesmo que tenha cocô), quando ela acordar.

Acontece que uma troca de fralda entre as 19h e 5h pode ser muito estímulo pra ela, o que não permite que absorva a idéia de que é de noite e que devemos apenas dormir. Evitemos nestes horário também estimulos de luz acesa, barulho e formas mentais tumultuadas (que o bebê capta rapidinho e fica arisco).

No último banho do dia, eu sempre dava as 18h15 antes da mamada das 19h, misture na água da banheira um pouco de chá de camomila, que é calmante pelo aroma e pelo contato com a pele. Este banho, deve ser morninho, que já vai relaxando e a criança já vai entendendo que está entrando no ciclo noturno.

Patricia Muller

banho do bebê : prá relaxar ou pra brincar?

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1.Transição de uma atividade pra outra.

Como a Marina reaje se, quando sair da banheira para secar, levar pra secar tambem um ou dois brinquedinhos junto?
É importante que a transição da banheira pra toalha seja adequada, seja o banho-brincadeira ou o banho-relaxante.
Também avise uns 3 minutinhos antes de sair da banheira : "Tá quaze acabando o banho da Marina. Daqui a pouco vamos pra Senhora Toalha!"
Quando estiver saindo da banheira :" A Marina tá saindo da banheira, escutou, Senhora Toalha?"
E na toalha: "Oi Senhora Toalha, a Marina chegou!"

2.Tipos de banho.


Temos de fato dois tipos de banho:

  1. banho atividade/brincadeira.
  2. banho relaxante/morninho/calmante que prepara pro sono noturno.

Se a criança toma um único banho naquele dia, deve ser mantido o banho relaxante/morninho/calmante que prepara pro sono noturno. Que deve, pelo menos do meio pro final, ter uma considerável redução de estímulos (principalmente som e luz forte)

Se tem a possibilidade de um banho a mais, o banho atividade/brincadeira durante o dia é ótimo pra criança gastar energias e abrir o apetite!
Se não estiver frio, nem precisa colocar muita água na banheira.
Se colocar a banheira sobre um tapete no chão, você poderá realizar outras tarefas enquanto olha a criança.
Certa vez salvei meu almoço assim: Bernardo brincando na banheira ao chão, no sol e eu tendo um tempinho pra engolir meu arroz!

Patricia Muller

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Mudanças

Não é impedindo ou retirando que as pessoas mudam. As pessoas mudam se oferecemos possibilidades, espaços e principalmente oportunidades.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Nem calado posso me esconder

Às vezes noto que pessoa que possui boa dicção tem facilidade com forma e organização (3°logos). Muitos que não possui boa dicção lida bem com as energias (2°logos). Quem é meiga ou que tem voz fina, possui algo de misterioso atrás. Aquele que é calado ou tímido são observadores e percebem as leis (1°logos).

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Olhar é um ato de escolha - John Berger

“Só vemos aquilo que olhamos. Olhar é um ato de escolha. Como resultado dessa escolha, aquilo que vemos é trazido para o âmbito do nosso alcance – ainda que não necessariamente ao alcance da mão. Tocar alguma coisa é situar-se em relação a ela. […]. Nunca olhamos para uma coisa apenas; estamos sempre olhando para a relação entre as coisas e nós mesmos. Nossa visão está continuamente ativa, continuamente em movimento, continuamente captando coisas num círculo à sua própria volta, constituindo aquilo presente para nós do modo como estamos situados.”

John Berger – Modos de Ver - Tradução: Lúcia Olinto (J. Berger, Ways of Seeing. London: BBC 1972, p. 7)

P.S. Aquilo que não conseguimos ligar os pontos (relacionar) não enxergamos. Yiuki

Natureza da reciprocidade da visão - John Berger

Logo depois de podermos ver, nos damos conta de que podemos também ser vistos. O olho do outro combina com o nosso próprio olho, de modo a tornar inteiramente confiável que somos parte do mundo visível.
Se aceitarmos qeu podemos ver aquele morro ao longe, estamos propondo que daquele morro podemos ser vistos. A natureza da reciprocidade da visão é mais fundamental do que a do diálogo falado. E com frequência o diálogo é uma tentativa de verbalizar isso… uma tentativa de explicar como, quer metaforica ou literalmente, “você vê as coisas”, e uma tentativa de descobrir como “ele vê as coisas”.

John Berger – Modos de Ver - Tradução: Lúcia Olinto (J. Berger, Ways of Seeing. London: BBC 1972, p. 7)

Ver precede as palavras - John Berger

“Ver precede as palavras. A criança olha e reconhece, antes mesmo de poder falar.

Mas existe ainda outro sentido no qual ver precede as palavras: o ato de ver que estabelece nosso lugar no mundo circundante. Explicamos esse mundo com as palavras, mas as palavras nunca poderão desfazer o fato de estarmos por ele circundados. A relação entre o que vemos e o que sabemos nunca fica estabelecida. A cada tarde, vemos,  o Sol se pôr. Sabemos que a Terra está se movimentando no sentido de afastar dele. No entanto, o conhecimento, a explicação quase nunca combinam com a cena.”

John Berger – Modos de Ver - Tradução: Lúcia Olinto (J. Berger, Ways of Seeing. London: BBC 1972, p. 7)

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Você chegou com a lua, mamãe!

A primeira coisa que meu filho me disse hoje de manhã quando me viu: "Você chegou com a lua, mamãe!" e me abraçou.
Depois meu marido comentou que ele queria saber quando a mamãe chegaria, então ele precisou explicar que:

- Tinha que esperar um sol + uma lua + um sol e + uma lua e que então a mamãe chegaria.

Achei linda a história que minha amiga me contou. Realmente, precisamos entrar no universo das crianças para que elas possam aprender com a imaginação e amor.  

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Os modos de relação do ser humano com o mundo

Os modos de relação do ser humano com o mundo são “as relações prático-utilitárias com as coisas; relação teórica; relação estética etc. Em cada uma dessas relações, modifica-se a atitude do sujeito para com o mundo, já que se modifica a necessidade que a determina e modifica-se, por sua vez o objeto que a satisfaz” (VÁZQUEZ, 1978, p.55)

Texto acima retirado do artigo da psicóloga Andréa Vieira Zanella: Sobre olhos, olhares e seu processo de (re)produção. In: Lúcia Helena Correa Lenzi; Sílvia Zanatta Da Ros; Ana Maria Alves de Souza; Marise Matos Gonçalves. (Org.). Imagem: intervenção e pesquisa. Florianópolis: Editora da UFSC, 2006, v. , p. 139-150.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

O CARMA FAMILIAR, CHAVE DO DESTINO HUMANO? ……………por Olavo de Carvalho


Revista Planeta, # 67, abril de 1978
[A expressão "Carma Familiar" foi cunhada pelo professor Olavo de Cavalho. Na aula de 27 de junho de 2009 do Seminário de Filosofia Online ele declarou que este artigo foi vertido para o francês e apresentado ao Dr. Lipot Szondi que concordou integralmente com seu conteúdo. Se alguém tiver essa versão francesa, poderia, por favor, me enviar uma cópia? -- D.M.]


O psiquiatra e humanista húngaro L. Szondi passou a vida tentando saber o que impedia a liberdade interior do Homem. Ele descobriu que as figuras dos antepassados permanecem vivas no inconsciente do indivíduo, forçando-o a repetir seus comportamentos e impedindo-o de escolher sua própria vida.

Talvez o símbolo mais popular da injustiça seja o lobo da fábula, que pune o carneiro pelos crimes hipotéticos de seus pais, avós ou bisavós. No entanto, cada um de nós carrega no coração um lobo que não descansa enquanto não pagamos com fracassos, doenças e humilhações, até o último erro e a última ignomínia real ou imaginária de nossos antepassados.

Isso pode parecer uma simples metáfora, mas é uma tese rigorosamente científica. É a teoria básica da Análise do Destino (Schicksalsanalyse), escola psicológica criada pelo psiquiatra e humanista húngaro L. Szondi. Embora pouco conhecida no Brasil, a Análise do Destino é um dos mais originais desenvolvimentos da teoria psicanalítica depois de Freud, Jung e Adler.

Szondi, que foi professor da Escola Superior de Psicopedagogia de Budapeste até que a invasão nazista o obrigasse a fugir para a Suíça (onde continua ativo aos 84 anos), passou a vida tentando responder a uma das questões mais dramáticas já formuladas a respeito da condição humana: por que as pessoas quase nunca conseguem agir da maneira que conscientemente desejam, e acabam fazendo outras coisas, que não tencionavam e que até procuravam evitar? Existe alguma força oculta mais poderosa do que a vontade? Existe algo assim como um destino? Será que o Homem nunca pode ser livre?

Em resposta a essas perguntas, Szondi criou uma grandiosa concepção psicológica e antropológica onde uma das chaves mais importantes é justamente a pesada influência dos antepassados sobre o destino, algo assim como um carma familiar que acompanha os indivíduos através da existência, levando-a, freqüentemente, a um desenlace trágico.

Analisando milhares de árvores genealógicas de cidadãos de Budapeste (onde era também diretor do Instituto de Genealogia), Szondi observou que determinados distúrbios psíquicos, sociais e somáticos pareciam repetir-se de geração em geração, como se uma compulsão misteriosa arrastasse os indivíduos à repetição eterna dos aspectos mais negros na vida de seus antepassados.

O que tem a ver a histeria com o jornalismo?

Além disso, as famílias pareciam distribuir-se em grupos claramente delimitados, onde a recorrência de certas doenças coincidia, por incrível que isto fosse, com a escolha das mesmas profissões. Para complicar ainda mais as coisas, as pessoas pareciam escolher seus cônjuges, e mesmo seus amigos, de preferência entre as famílias do mesmo tipo.

Isso levantava as mais estranhas hipóteses. Que tipo de parentesco poderia haver entre coisas tão aparentemente disparatadas como o eczema, a epilepsia e a profissão eclesiástica? Ou entre a depressão e a profissão de antiquário? Ou, ainda, entre a histeria e profissão de ator ou jornalista?

Szondi não recuou ante o absurdo aparente. Por mais diferente que fossem entre si, era evidentemente que as peças não se juntavam e separavam no tabuleiro unicamente segundo as leis do acaso. Tinha de haver uma regra nesse jogo maluco. Na tentativa de descobri-la, Szondi formulou as duas hipóteses básicas da Análise do Destino:

Primeira. Se as neuroses, conforme Freud tinha mostrado, eram manifestações “desviadas” dos instintos humanos, e se havia um parentesco entre essas doenças, as profissões e as escolhas de parceiros para o casamento e a amizade, era forçoso reconhecer que, por trás de todas essas manifestações, era a mesma necessidade instintiva básica que se expressava.

Segunda. Se cada tipo de necessidade instintiva se repetia de geração em geração, então era forçoso reconhecer que os instintos não pertencem unicamente à esfera individual (ou humana em geral), mas que têm também um caráter familiar. Ou seja, que ao lado do inconsciente pessoal descoberto por Freud, do inconsciente coletivo estudado por Jung e do inconsciente social (núcleo instintivo de uma dada comunidade cultural), descrito por Adler, devia existir ainda um inconsciente familiar.


O indivíduo carrega uma herança deixada por todos os seus antepassados.
As figuras dos ancestrais, cada um com seu comportamento e caráter determinado, 
permanecem vivas e ativas no inconsciente familiar, funcionando quase que 
como moldes ou padrões de comportamento da pessoa.

No inconsciente familiar o indivíduo carrega, em estado latente, todas as suas possibilidades de existência, modeladas por seus antepassados. As figuras dos ancestrais permanecem vivas e ativas, “quase como moldes e figuras, ou padrões de comportamento”, diz Szondi. Carregados de energia instintiva, esses padrões esforçam-se constantemente por manifestar-se. Szondi denomina isso pretensão dos ancestrais: os vários destinos possíveis – e freqüentemente contraditórios entre si – modelados pelos antepassados forçam o indivíduo a imitá-los, a repeti-los, e tudo quanto o indivíduo pode fazer é escolher ora um, ora outro entre os vários modelos herdados.

Aí surgia, porém, a pergunta: por que alguns indivíduos expressavam a pretensão dos ancestrais ficando doentes, enquanto outros limitavam-se a escolher determinada profissão ou a casar com determinado tipo de parceiro? Foi assim que Szondi chegou à terceira hipótese: a da luta perpétua entre compulsão e liberdade no homem.

Um caminho que vai da compulsão à liberdade

Se o Homem, diz Szondi, recebe pronta uma determinada estrutura instintiva básica, com todas as suas exigências e conflitos, nem por isso está fixada de uma vez para sempre a sua maneira, a sua fórmula pessoal de expressá-la. Esta será determinada, em parte, pelo ambiente social e cultural (também herdado dos antepassados) e em parte pelas escolhas conscientes do próprio indivíduo. Conforme o maior predomínio de uma ou de outra dessas ordens de fatores, haverá nos termos de Szondi, um destino compulsivo ou um destino de livre escolha. O caminho da compulsão à liberdade é o destino da vida humana. Numa das pontas do caminho, está a doença, a neurose ou psicose, que é a vitória absoluta das pretensões inconscientes dos antepassados sobre a consciência. Na outra ponta, a vitória da consciência.

O ego, diz Szondi, é a instância que, amparada pela mente consciente, governa as nossas escolhas. Ele opta, a cada instante, entre a repetição mecânica do destino compulsivo e a expressão deliberada, consciente, fundada em valores universais, e humanizada enfim. Daí provém toda a distância que separa “parentes” genéticos como o criminoso epilético e o sacerdote, o esquizofrênico delirante e o físico-matemático, o doente histérico e o orador político, o jornalista ou o ator. Iguais em sua estrutura instintiva básica, o homem doente e o homem são diferem unicamente na reação do seu ego ante a escolha básica: o mundo “escuro” e maligno das pulsões inconscientes, o mundo “luminoso” dos valores universais.

No entanto, o ego não cria a nossa liberdade negando as tendências herdadas, mas compreendendo-as, assimilando-as, orientando-as e expressando-as de maneira socializada (adaptada aos padrões da comunidade), ou, melhor ainda, numa instância superior, humanizada (identificada a valores universais).

Por isso mesmo, a escolha livre do ego é o mecanismo básico da psicoterapia concebida por Szondi. O psicoterapeuta szondiano (no Brasil não chegam a trinta), pocura conscientizar o indivíduo a respeito dos seus padrões familiares de comportamento, mostrando-lhe a possibilidade de uma nova vida livremente escolhida, e em seguida estuda com o paciente uma maneira mais adequada de expressar e aliviar as pretensões dos ancestrais, por exemplo mudando de profissão ou de ambiente social. Depurando a canga instintiva e orientando-a no sentido da realização humanizada, a terapia szondiana é um trabalho verdadeiramente alquímico de transmutação interior, no qual a mesma força que desequilibrou o paciente é usada para curá-lo.

Mas antes de saber quais as peças que o terapeuta e o paciente remexem no imenso tabuleiro dos instintos e de suas formas de expressão, é preciso saber como surgiram essas hipóteses na mente de Szondi.

Era como a sogra: queria matar os filhos.

A exposição lógica que acabo de fazer pouco tem a ver com a verdadeira ordem das descobertas na Análise do Destino.

Embora sempre amparada a posteriori em massas enormes de estatísticas e observações clínicas, as idéias de Szondi não nasceram da coleção de fatos isolados, mas de uma série de “impactos cognitivos” que levaram o mestre húngaro a uma sucessão de intuições fulgurantes sobre o fenômeno humano.

O mais conhecido desses impactos foi um acontecimento corriqueiro, narrado pelo ex-aluno de Szondi, dr. Juan Muller, psicólogo argentino radicado no Brasil, em seu livro Alquimia Moderna (São Paulo, Cupolo, s/d). Certa vez apareceu no consultório de Szondi um casal: a mulher sofria de crises depressivas motivadas pelo temor injustificado de matar os filhos, a quem amava. Szondi observou casualmente que já havia tido a oportunidade de tratar de uma senhora com sintomas semelhantes, numa cidadezinha distante 200 quilômetros da capital. Espantado, o marido da paciente pulou da cadeira:

– Mas essa paciente que o senhor descreve é minha mãe!

Daí surgiu a hipótese do libidotropismo (escolha de parceiro amoroso segundo o medelo ancestral), que foi uma das pedras angulares da Análise do Destino.

Outro impacto ocorreu quando Szondi estava para se casar e percebeu que sua noiva era quase uma cópia da mulher de um de seus irmãos. Szondi era de origem modesta, filho de um sapateiro. Seu irmão, jovem talentoso, havia atirado fora a oportunidade de uma brilhante carreira profissional ao casar-se com uma mulher que parecia empenhada em atormentar-lhe a existência. Ao notar que estava prestes a repetir esse destino, Szondi desistiu de casar e preferiu continuar os estudos. Mais tarde fez uma casamento feliz com outra mulher, mas esse fato lhe deu uma dimensão do conflito entre o desejo de liberdade e auto-realização e a tendência compulsiva de repetição. Deu-lhe ainda a visão do papel decisivo da escolha na determinação do destino.

O terceiro impacto foi a guerra.

Judeu de origem, Szondi teve de fugir às pressas com a família, enquanto vários de seus amigos e colaboradores eram presos, mortos ou deportados. Anos depois, ele teve a oportunidade de estudar – pessoalmente ou através de uma vasta rede de assistentes – a personalidade de criminosos de guerra, como Adolf Eichmann e Marton Zöldi (este, um coronel da polícia que durante a ocupação mandara matar pessoalmente milhares de sérvios e judeus em Budapeste).

Caim simboliza o desejo de poder, de ter e de ser.

Essa experiência gerou nele um profundo interesse pelo problema do mal em todas as suas formas. Daí nasceu a concepção absolutamente genial do Complexo de Caim, que é a chave de toda a filosofia ética szondiana.

“Caim rege o mundo”, escreve ele. “A quem duvida, aconselhamos o estudo da história universal. O historiador não oculta que a essência da história é a luta. Não oculta que a história não é a realização de um contínuo processo desde baixo até o alto, do mau ao bom, da escravidão à liberdade. Sua opinião é que a história é, antes, uma linha tortuosa de crueldades. A história registra quando um povo crucifica ou queima profetas e santos, tribunos e missionários. Ao cabo de milhares e milhares de anos, não diminui a atividade assassina de Caim. O fratricídio é infinito.”

Observando que o ódio ao pai acompanhado de paixão pela mãe é característico apenas de certas culturas, enquanto o ódio entre semelhantes, o desejo de matar os irmãos, é universal, Szondi afirma que o Complexo de Caim, tal como está descrito no mito bíblico, é um fenômeno mais profundo e abrangente do que o Complexo de Édipo descrito por Freud segundo a mitologia grega.

Mas Caim não é apenas o impulso assassino, é também o desejo de auto-afirmação, o desejo de poder, de ter e de ser. Por isso, pode transformar-se numa foca civilizadora, transmutando-se em Complexo de Moisés: o Homem violento e passional a serviço da justiça divina.

Na tradição judaica, concede-se muita importância ao fato de que na narrativa bíblica foram os descendentes de Caim (e não os de Abel) os fundadores de cidades, os civilizadores do mundo antigo, como se o arrependimento conduzisse esses homens, hereditariamente violentos, a canalizar sua imensa energia para finalidades construtivas. Por isso o “sinal de Caim”, a marca na testa que segundo a tradição lendária assinala a descendência do irmão assassino, tanto pode ser interpretada como indício de que se trata de um Homem violento, quanto como garantia de que esse Homem decidiu interromper a seqüência de iniqüidades de seus antepassados e dedicar-se doravante ao bem, à cultura, às leis, à humanização.

Na psicologia szondiana o tipo cainita pode ser tanto o criminoso epilético quanto o reformador moral tipo Moisés e Savonarola. No romance de Herman Hesse, Demian, a marca de Caim aparece como um sinal dos seres superiores, onde algo de diabólico coexiste estranhamente com um traço de humanitarismo e de criatividade divina.


Os instintos não pertencem apenas ao indivíduo, mas tem um caráter familiar
Ao lado do inconsciente pessoal descoberto por Freud, do inconsciente coletivo identificado por 
Jung e do inconsciente social descrito por Adler, Szondi estabeleceu a existência do que 
chamou de inconsciente familiar.

O mecanismo da transformação de Caim em Moisés é a própria essência da terapia szondiana. Mas todos os instintos humanos, e não somente a paixão assassina do cainista, afirma Szondi, podem seguir essa trajetória, pois todos podem ser sempre vivenciados de duas maneiras opostas.

Com pares de opostos, ele monta o jogo do destino.

Esse confronto de significados opostos atribuídos ao mesmo instinto é a base para a descrição que Szondi faz dos instintos humano – e, portanto, dos tipos de caráter e destino. Montando pares de opostos, ele constrói assim o tabuleiro onde se distribuem as peças para o jogo do destino.

Szondi reconhece a existência de quatro “vetores” – instintos básicos:
● a pulsão sexual;
● a pulsão paroxística (tendência a acumular e descarregar energias);
● a pulsão do ego (pulsão de escolher o próprio destino) e
● a pulsão de contato (instinto social).

Cada um desses vetores pode ser vivido de duas maneiras contraditórias, traduzindo-se, portanto, em oito necessidades pulsionais:

A pulsão sexual, por exemplo, contém em si as necessidades opostas de feminilidade e masculinidade, presentes em todo ser humano.

A pulsão paroxística contém as necessidades pulsionais de sentimento ético (necessidade de estar moralmente “certo”) e a necessidade de exibir-se, de fazer-se valor socialmente.

A pulsão do ego comporta a egossístole (retração do ego, possessividade, realismo) e egodiástole (expansão do ego, necessidade de crescer, de ser mais em contraposição ao ter da egossístole).

A pulsão de contato, por sua vez, comporta as necessidades opostas de mudar, de transformar-se, de adquirir novos valores e a necessidade de apoio, de apegar-se a algo ou alguém.

Cada necessidade pulsional, por sua vez, pode ser afirmada ou negada pelo indivíduo, gerando assim 16 tipos diferentes de tendências impulsivas que se alternam, aproximam. Afastam, combinam e combatem na sua alma. Isto resulta na sua configuração instintiva pessoal, que se organiza em cada momento da sua vida em torno de determinadas linhas básicas. (No quadro, a lista completa das tendências).

Cada tendência instintiva, por seu lado, pode ser vivida de inúmeras maneiras, que vão desde a doença até a profissão. A tendência para a sensibilidade individual (amor pessoal), por exemplo, pode ser vivida sob o aspecto de doença (homossexualismo masculino) ou sob o aspecto normal de apego a uma determinada pessoa, ou ainda ser socializada através da profissão (trabalhos que exijam manifestação direta do carinho e atenção).

“Cains de tinteiro” – uma
forma de socializar o ódio.

A tendência cainita para o mal (vingança, ódio) pode ser vivenciada sob o aspecto criminoso ou doentio, ou canalizada para uma profissão (os “Cains de tinteiro”, na expressão de Szondi: comentaristas de imprensa hipercríticos e mordazes, são um bom exemplo).

O número de combinações possíveis é imenso, e Szondi completa o quadro com análises das tendências instintivas inerentes a cada profissão. O repertório completo dos tipos profissionais e humanos e suas intermutações é um instrumento de análise social dos mais impressionantes já concebidos. À luz da teoria szondiana, a sociedade como um conjunto aparece como um gigantesco aparado destinado a reorientar, ordenar e dirigir os instintos, e dotada de uma inventividade quase infinita para a arte combinatória que transforma tendências sociais aceitáveis, e vice-versa: um imenso Caim-Moisés e combinando e recombinando necessidades e possibilidades, instintos e valores em busca da harmonia e da liberdade, e tropeçando a cada passo em novas formas de velhos obstáculos: a violência e o mal. É um quadro grandioso e sinfônico dos esforços do homem pela sua humanização.

Aí entra aquela que é talvez a mais impressionante das intuições de Szondi, que o levou a criar um teste psicológico ( o Diagnóstico Experimental dos Instintos ou Teste de Szondi), que é ao mesmo tempo aplicação e resumo da sua doutrina.

Essa intuição nasceu numa espécie de devaneio ou sonho, em que Szondi imaginou que o conflito eterno das combinações instintivas no coração do homem sob a forma de personagens, rostos humanos que entravam e saíam de cena conforme esta ou aquela tendência instintiva vencesse ou fosse vencida. Szondi imaginou, então, que os instintos básicos se expressavam no rosto das pessoas (antecipando assim as idéias atuais sobre o “inconsciente visível”), e que aceitar ou rejeitar determinada pessoa equivalia a aceitar ou rejeitar determinada tendência instintiva em si mesmo.

A partir daí, Szondi elaborou a imagem visual da sua doutrina. Como um artista que não se contenta com as idéias abstratas, mas quer realizar a proeza de dar-lhes forma concreta e sensível, Szondi passou a procurar aqueles rostos que havia vislumbrado, e que seriam a tradução exata da sua concepção. Para isso, examinou e testou nada menos de 80 mil fotografias de rostos humanos, até achar aqueles nos quais instintivamente toda e qualquer pessoa pudesse reconhecer, conscientemente ou não, a presença de determinada tendência.

Um teste que resume as possibilidades do indivíduo

A criação do Teste das Fotografias foi um ato de ousadia intelectual, pois somente os maiores gênios da humanidade conseguem vislumbrar um significado universal em suas visões interiores e depois comprovar com testes científicos que esse significado é verdadeiro. O Teste de Szondi não só fornece um quadro adequado das tendências que o paciente aceita ou rejeita em si mesmo como também – o que é mais espantoso – quando o terapeuta pede que o paciente invente uma biografia para uma das figuras, a história inventada quase sempre coincide com o caráter e a doença da pessoa que está na fotografia.

Szondi demonstrou, assim, que não apenas sua intuição a respeito da equivalência entre expressão e tendência era essencialmente verdadeira, mas que essa intuição era virtualmente a mesma em todas as pessoas, conscientizada ou não.

O teste é, em si mesmo, um resumo das possibilidades do destino individual. Como tem 48 fotografias, um psicólogo americano o chamou “As 48 faces do destino”.

Qual o valor último da obra de Szondi? Depois de um sucesso inicial, o prestígio da Análise do Destino nos anos 50-60 porque muitos psicólogos julgavam sem fundamento a sua insistência na herança genética. Mais tarde, a psicóloga norte-americana Susan Deri mostrou que, independentemente da explicação genética, o teste de Szondi – e portanto sua teoria – funcionava, na prática, para obter diagnósticos muito precisos e profundos.

Hoje, muitos discípulos de Szondi, como o belga Claude van Reeth, preferem falar de um discurso familiar em vez de transmissão genética, julgando que o carma familiar se transmite através de puras significações inconscientes e não por via genética. Essa questão continua em aberto, mas não invalida o fato de que, com Szondi, a realidade inegável do carma familiar ingressou na consciência moderna.

O culto dos antepassados parece hoje um costume bárbaro de épocas remotas. Entretanto, ele cumpria um papel psicológico indispensável: libertava o indivíduo dos fantasmas do passado e o deixava livre para escolher sua existência. Cultuando seus pais e avós, o antigo apaziguava suas exigências, vivas no seu inconsciente pessoal, e assegurava o predomínio da consciência clara, que é um pressuposto da sobrevivência humana.

Numa era de racionalismo, esse trabalho já não pode ser feito mediante práticas rituais que as pessoas julgariam entre bárbaras e cômicas. Tem de ser feito por meios científicos. A psicoterapia szondiana cumpre hoje esse papel, e ela o tem feito com brilhantes resultados. Ela recupera um antigo conhecimento e o transmuta em linguagem científica, reconstituindo e reinstaurando um rito de purificação dos instintos para a libertação do Homem. E, nesse rito, Szondi é o sumo sacerdote.

O QUE LER

1. L. Szondi, Tratado del Diagnóstico Experimental de los Institutos. tr. argentina de F. Soto Yarritu, Buenos Aires, Bibl. Nueva, 1948.

2. L. Szondi, Introdução à Psicologia do Destino, tr. brasileira de Juan A. C. Muller, São Paulo, Manole, 1975.

3. L. Szondi, Cain y el Cainismo en la Historia Universal, tr. argentina de F. Soto Yarritu, Buenos Aires, Bibl. Nueva, 1975.

4. Max B. Painton, A Clinical Validation of the Szondi-Test, Bern, Hans Huber, 1973.

5. Juan Alfredo César Müller, Alquimia Moderna (Transpsicologia I), São Paulo, Cupolo. s/d.

6. Id., A Magia da Vida (Transpsicologia II), São Paulo, Aldeia, s/d.

7. Id., “Mutações dos sintomas pelo teste de Szondi”, em Acta Psychologica Szondiana Brasiliense, I:3.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

BELEZA

• Beleza no Físico é a Estética;
• Beleza no Prana é a Cortesia;
• Beleza no Astral é a Bondade e
• Beleza na Mente é a Sabedoria.

Anotação da aula na Nova Acrópole ministrada pelo Talal.

Yiuki

AUTOCONTROLE

• Domínio do Físico: Controle da rigidez
• Domínio do Prana: Controle da agitação
• Domínio do Astral: Controle da ansiedade
• Dominio do Kama-manas: Controle dos desejos

terça-feira, 21 de julho de 2009

FLUXO DO PENSAMENTO

A mente possui duas características de análise inicial do mundo externo:

Mente Una x Dual

A forma como ordenamos essas informações no segundo instante altera a nossa percepção do mundo. Modificar com a própria vontade o percurso dessas sinapses é um exercício que possibilita maior consciência do mundo.

Fluxos

P.S. Às vezes precisamos colocar em suspensão a emoção para sentirmos leve, dessa forma conseguimos enxergar o todo.

domingo, 12 de julho de 2009

6 FORMAS DE APRENDER

  1. Amor, dor e corpo.
  2. Vendo, ouvindo e fazendo.


Existem pessoas que conseguem escutar e aprender, outros ver e aprender, muitos somente fazendo e experimentando. Há pessoas que precisam aprender com a lei universal da dor (lei física, espiritual e emocional). Os yogues disciplinam o corpo até um dia algo acontecer na emoção e na mente, este é o aprendizado pelo corpo. Mas a vida é mais leve quando aprendemos com o amor, os pais e os professores acreditam neste canal.

Eu creio que precisamos sempre estar atento para perceber com que canal aprendemos e de que maneira podemos repassar as magias.

Yiuki

PS1: Muitas pessoas possuem simplesmente caminhos e aprendizados distintos do nosso, somente isso.
PS2: “Conte-me e eu esqueço. Mostre-me e eu apenas me lembro. Envolva-me e eu compreendo.” Confúcio
PS3: Abdicação, sacro-ofício, morte e a devoção são os meios para a clarividência.
PS4: A estrela acima só é uma forma simplificada para o aprendizado, para quem busca algo mais analítico segue outro esquema com 3 tríades (9 maneiras de aprender).






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