“Vinculo e parentesco entre a mente e o corpo é realizado por um processo de “naturalização” da consciência e da subjetividade a partir do corpo, em que a vida biológica, psíquica e mental, sensível e inteligível encontram-se reunidas em uma unidade indivisível. É o que denominamos “naturalização” da subjetividade. Enraizar a consciência e a subjetividade no corpo e trazê-las para a esfera do “mundo da vida” e do “sensível” significa considerá-las como fenômeno e experiência “naturais”. “
José de Carvalho Sombra (no livro A Subjetividade Corpórea, página 14)
A despeito da concepção clássica da consciência ou da subjetividade entendidas como realidade mental ou espiritual, a idéia de “naturalização” introduz na subjetividade uma “historicidade” biológica e cultural. A “naturalização” mostra támbém, ao contrário do que pretendem o realismo e o positivismo, que a objetividade epistemológica não é um atributo ou propriedade ontológica da coisa ou da realidade em si, mas é relativa e dependente da experiência perceptiva. A objetividade, portanto, não se funda na coisa ou objeto em si, mas no objeto enquanto percebido e fenômeno. Porém, a contribuição mais significativa consiste em mostrar, com Merleau-Ponty, que a corporalidade e o significado estão no âmago da subjetividade.
José de Carvalho Sombra (no livro A Subjetividade Corpórea, página 21)
“… Merleau-Ponty naturaliza a consciência, isto é, introduz e insere a consciêcia no “mundo da vida”, por meio do comportamento de um organismo agindo como uma “estrutura”, (unidade, totalidade, interioridade) com relãção ao meio exterior, o que lhe confere um significado ou forma ainda não refletida nem inteligível.”
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