Espaço para desvanecer a cada instante. Aqui se encontram textos, imagens e gráficos de vários autores. Sempre precisei colecionar o que eu chamo de figurinhas mágicas. São cartas que abrem novos horizontes e paisagens. Então, boa viagem ;)

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Paredes do banheiro

Quando eu era pequeno, havia um banheiro fora da casa, onde também era o nosso local de castigo. 

Às vezes minha mãe me encontrava sozinho nesse banheiro fazendo nada, sentado no assento tampado.

Vendo a situação estranha, ela perguntava: 

- Filho, o que está fazendo aí? 

Diz ela que eu respondia: 

- Estou de castigo, pois fiz algo errado.

Vagas memórias que se fundem com os relatos dela. Até hoje sinto que não era triste aquele troninho da infância. Sabia que era um lugar para ficar, somente isso.

Anos se passaram, saí de casa e pela vicissitude acabei me afastando dos meus pais. Não me sinto triste ou alegre quanto a isso. Eu aprendi a ficar longe deles, pois não cumpri o que esperam de um filho. 

Deixei de telefonar, dar notícias e entrei no silêncio. Decidi manter as paredes do banheiro. 

Depois de um tempo, eu recebi uma encomenda da minha mãe, que era um pacote de comidas japonesas. Nele, havia um bilhete escrito: Com carinho.

Talvez ser filho não é uma questão de merecer ou não...

Yiuki Doi, artista da dança e gay


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Sou um linha

Sinto-me como uma margem, uma linha que divide espaços e universos que não se dialogam. Um ser que não possui largura com seus 1,64m e 53kg. Às vezes, acho que a minha companhia são os pontos – os que não possuem nenhuma grandeza. Talvez, por isso que me perco no mundo, me encantando no meio de tudo, sem ninguém conhecer a minha densidade. Yiuki Doi

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Acontecimento - Dane Rudhyar

Pode-se dizer, aliás, que não é o evento que acontece à pessoa, mas a pessoa é que acontece ao evento. Dane Rudhyar

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Aquilo que a mente aceita, não dói.

Certa vez, um monge queimou o seu dedo e um de seus discípulos, preocupado, perguntou: – Esta doendo? E o monge respondeu: – Aquilo que a mente aceita, não dói.

(autor desconhecido)

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Não Entendo (Clarice Lispector) - Antonio Abujamra

“Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender.
Entender é sempre limitado.
Mas não entender pode não ter fronteiras.
Sinto que sou muito mais completa quando não entendo.
Não entender, do modo como falo, é um dom.
Não entender, mas não como um simples de espírito.
O bom é ser inteligente e não entender.
É uma benção estranha,
como ter loucura sem ser doida.
É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice.
Só que de vez em quando vem a inquietação:
quero entender um pouco. Não demais:
mas pelo menos entender
que não entendo”

~ Clarice Lispector, em “A Descoberta do Mundo” (1967*1973)

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