Espaço para desvanecer a cada instante. Aqui se encontram textos, imagens e gráficos de vários autores. Sempre precisei colecionar o que eu chamo de figurinhas mágicas. São cartas que abrem novos horizontes e paisagens. Então, boa viagem ;)

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Diga que raça de cachorro criou e compreenderei melhor a sua cultura.

Hoje, vi um site com a descrição da raça TOSA KEN do Japão. Fiquei encantado de conhecer um pouco mais da cultura japonesa. Abaixo deixo parte da descrição que encontrei no site que é genial (Indico para todos o site ;) 

tosa_inu (1)

“No Japão, os cães são cuidadosamente criados e treinados e o jogo é conduzido sob regras rígidas e acompanhado por rituais sagrados e procissões. As lutas de cães entre Tosa nunca deve ser cruel ou com sangue e nunca termina com a morte de um dos participantes. Pelo contrário, as lutas são projetados para durar muito tempo e, ao contrário do pi lutas de cães, um cão que vai para a vitória fácil e rápido, não é considerado um bom espécime. Semelhante a luta de sumo, os cães tenta trazer e manter o adversário no chão. Se ele domina por mais de 3 min. (ou 5 minutos, se a luta durou mais de 15 min.) É declarado vencedor. Um cão choramingar ou rosnar é declarado perdedor. O mesmo vale para um cão que vira a sua pata traseira para o adversário ou se mover atrás três passos quando atacado. A luta termina em qualquer caso, após 30 minutos, num empate, se nenhum dos caos demonstrou superior ao outro. Ao contrário das demais raças de combate, o Tosa original está consciente do valor simbólico da luta e respeita as regras do jogo e seus oponentes. Assim como lutadores de sumo, os cães são classificados em uma hierarquia e acordo com os pontos que ele ganhou recentemente. Os maiores Tosa “lutadores” recebem o título de Yokozuna como no sumô.

tosa_inu (2)A aparência geral do Tosa dever ser a de um atleta enorme, dinâmico e flexível. Possui uma cabeça grande e largo, focinho quadradão e barbela claramente observável. Ao contrário do Kennel Japão (JKC) e da Federação Cinológica Internacional (FCI), que exigem o vermelho como a cor preferida, na cidade de Kochi, onde a raça nasceu, aceita uma variedade de cores como sólido, tigrado, preto com manchas, ou pied.

É muito difícil encontrar boa qualidade de Tosa fora do Japão. O Típico cachorro procurado pelos criadores japoneses é calmo e tranquilo, mas atento e consciente de sua própria força e com senso inato de prudência, que vai reagir somente em caso de emergência, em seguida, demonstrando grande coragem e força inigualáveis.

Mesmo no Japão as coisas estão mudando. Muitas pessoas influentes não deseja promover o lado positivo, humilde da Tosa, pois eles temem que se a raça é percebida como diferente de uma raça de combate, ele vai ser mais facilmente substituída por uma outra raça nos shows.

Alguns criadores conscientes na Holanda, Alemanha e Estados Unidos estão levando o legado verdadeiro Tosa Inu. Potenciais compradores devem ser particularmente cuidadosos na escolha de um criador responsável e respeitável que gera o caráter genuíno da Tosa Inu.”

Texto acima retirado do site: http://www.bulldoginformation.com/Tosa-inu.html

P.S. Para quem quer ter um cachorro de raça japonesa de pequeno porte, encontrei esse daqui na internet: Shiba Inu. É muito lindo, parece um Akita em miniatura ;) Site de criador dessa raça que encontrei  na internet: http://www.leonorakita.com.br/

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Curitiba, 13 de Dezembro 2012.

Conversando com a minha sócia encontrei um gato nipônico interessante também.

 

BOBTAIL JAPONÊS - Japanese Bobtail

Texto abaixo retirado do site www.ajudavirtual.com.

bobtail-japones

Origem: Japão
Tipo de Pêlo: Curto
Tamanho: Médio
Peso Mínimo: 05 Kg – Peso Máximo: 06 Kg
Temperamento: Dependente, apegado.
Idade: média de 08 anos

 

 

 

 

História:
Conhecido atualmente pelo nome inglês, o Bobtail Japonês é na verdade uma raça japonesa muito antiga, a qual estima-se existir há cerca de 2.000 anos. Existem desenhos dele em ruínas e documentos antigos ao lado de gueixas. No tempo de Gotokuju, as paredes foram decoradas com pinturas de um exemplar desses gatos, chamado Maneki-Neko, que significa – “gato das boas-vindas”. Diz uma lenda japonesa, que este gato traz boa sorte. O Bobtail Japonês chegou nos EUA em 1969, trazido por criadores e teve seu reconhecimento pela CFA em 1978. Em 1989, pela FIFE. Já no Brasil, este gato ainda é considerado de criação rara.

Características:
A cauda é a característica mais marcante do Bobtail Japonês, que tem esse nome devido a expressão “bobbed tail”, que significa cauda cortada. Sua cauda mede no máximo 10 cm de comprimento, mas como é mantida em posição curva, fica escondida e parece não existir, assim como ocorre com os coelhos. Esses gatos têm como cores mais apreciadas o preto, o branco e o vermelho, seja na forma sólida ou em combinações bicolores ou tricolores. Os gatos desta raça de outras cores também são aceitos, desde que o desenho (degradé de tons) da pelagem não seja como o do Siamês ou do Abissínio.

Com o corpo esguio, porém dotado de boa musculatura, ele é considerado um gato elegante, com pernas compridas e fortes. Seu focinho é arredondado, sendo que sua cor deve condizer com a do resto do corpo. Suas orelhas são largas e eretas e os olhos são ovalados, brilhantes e em harmonia com a tonalidade de sua pelagem. Seus pêlos são de comprimento médio, macios e muito resistentes.

O Bobtail Japonês é um gato amigável e de temperamento forte. Companheiro e inteligente, ele é considerado no Japão como um símbolo de amizade. A raça não tem dificuldade de ambientação, se adaptando tanto a apartamentos quanto ao ar livre.

Cuidados:
Manter o Bobtail Japonês saudável não costuma ser difícil, exigindo apenas cuidados básicos com a alimentação e a higiene. A pelagem curta não embaraça e esta raça quase não perde pêlos, exigindo apenas escovações ocasionais. Além disso, esses gatos devem ser alimentados com rações balanceadas, pois no caso de gatos de uma forma geral, o dono deve estar atento para o uso de boas rações, no intuito de se evitar o aparecimento de cálculos urinários, promovidos por alimentos de baixa qualidade. A alimentação adequada fará com que o gato cresça saudável e com a pelagem lisa e brilhante. Além disso, realize consultas regulares ao médico veterinário.

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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Faça. Continue fazendo.

‎"Faça. Continue fazendo. Mesmo que não percebam a evolução. Continue fazendo. Mesmo que não deem valor as transformações. Faça e faça bem feito, mesmo que por estar tão próximo não sejam capazes de notar.
Tente, se errar, tente novamente. Se pensar em desistir, desista de pensar em desistir e continue acreditando. Quando estiver cansado, respire, se imagine onde deseja estar. Confie. É preciso que alguém mantenha essa confiança e a disciplina te leva a esse estágio. Você precisa confiar em si mesmo, ainda que todos duvidem, ainda que todos desdenhem, ainda que até a pessoa que você mais ama não seja capaz de confiar.
Não espere nada de ninguém. Toda esperança é frustrada SEMPRE.

Faça sem desejar nada em troca. Faça porque te faz bem. Faça porque ao estar colocando em prática te sentes vivo.
Ouse, arrisque, viva. Não deixe que ninguém conquiste o impossível por você. Não tema o desconhecido. Enfrente se preciso for.
Tenha fé, não precisa colocar seus anseios nas mãos de nenhuma divindade, mas mantenha a fé, ela é o canal por onde toda sua força de vontade e todo o seu pensamento positivo circulará.
Seja tolerante com quem é incapaz de lhe entender. Seja rigoroso com seus compromissos. Ao se comprometer, assuma todas as consequências. Lute. Lutar enobrece a alma, fortalece o ser.
Enquanto eles dormem, nós trabalhamos. Enquanto eles se divertem, nós vamos abrindo os caminhos.
Divirta-se, esbalde-se, exercite seu limite. Se preciso for, exagere para descobrir até onde é capaz de chegar, mas faça com consciência. A consciência é a medida que determina o veneno da cura.
Quando tudo isso acabar, pois nada é eterno de fato, perceba, você proveu forças de transformação, não passou em vão por esta existência, registrou algo nesse plano.
Faça seus planos consciente de que a diferença entre o sucesso e o Fracasso é o tempo que o fracassado levou para desistir.
Não desista."
Tico Sta Cruz

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

A WOMAN WAITS FOR ME | Walt Whitman (Tradução por Gilberto Cardim)

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA – UESBDEPARTAMENTO DE ESTUDOS LINGÜÍSTICOS E LITERÁRIOS – DELLDisciplina: Literatura Norte Americana | Prof.: Márcio Roberto S Dias | Graduando: Gilberto Cardim | Letras Modernas

Uma mulher espera por mim, ela tem tudo, nada a falta,
Entretanto, tudo estaria faltando se faltasse o sexo, ou se o calor do homem certoestivesse faltando.
O sexo contem tudo, corpos, almas,Significados, provas, purezas, delicadezas, resultados, promulgações,Músicas, comandos, saúde, orgulho, mistério maternal, o líquido seminal,Todas as esperanças, obras, doações, todas as paixões, amores,belezas, deleites da Terra,todos os governos, juízes, deuses, os seguidores da Terra,Tudo isso está contido no sexo como partes dele mesmo e de suas justificações.Sem pudor, o homem que eu gosto sabe e reconhece as deliciais do seu sexo,Sem pudor, a mulher que eu gosto sabe e reconhece às delas..Agora eu libertarei a mim mesmo de mulheres impassíveis,eu ficarei com ela, que espera por mim e com àquelas mulheres que tem o sanguequente e são suficientes para mim.Eu vejo que elas me entendem e não me renegam,Eu vejo que elas valem a pena para mim, eu serei o marido robusto dessasmulheres.Elas não são nem um pouco inferiores a mim,Elas são bronzeadas em suas faces pelo brilho do sol e do soprar dos ventos,Suas carnes tem a velha flexibilidade divina e força,Elas sabem nadar, costurar, cavalgar, lutar, atirar, correr,Atacar, retratar, avançar, resistir e defender-se,Elas são donas de si em seus próprios direitos – elas são calmas, claras,Bem seguras de si mesmas.Eu puxo você para perto de mim, você mulheres,Eu não posso deixá-las partir, eu as farei bemEu sou por vocês e vocês são por mim, para nosso próprio bem,Mas para o bem dos outros.Cercada de você, dorme grandes heróis e poetas.Eles se recusam em acordá-la ao toque de qualquer outro homem que não seja eu.Sou eu, você mulher, eu traço meu caminho,Eu sou severo, bruto, amplo, indissolúvel, mas eu amo vocês.Eu não a machuco mais do que seja necessário para você,Eu derramo meu sêmen para procriar filhos e filhas que sejam saudáveis para esteEstado,Eu pressiono com músculos lentos e rudes.Eu abraço a mim mesmo, eu ouço suplicas,Eu desafio não tirar ate que eu tenha depositado tudo aquilo que eu tenhoacumulado em mim.Através de você, eu dreno tudo aquilo confinado em mim. Em você, em coloco milhares de anos além,Em você, eu produzo os frutos daquilo que mais amo de mim e da America,As gotas que eu destilo em você farão crescer garotas agressivas e atléticas,Novos artistas, músicos e cantores,Os bebês que eu gero irão gerar seus próprios bebês,Eu demando homens e mulheres perfeitas do meu amor Eu espero que eles interpenetrem com outros, assim como você e euInterpenetramos agora,Eu vou contar os frutos que brotaram deles, comoEu conto os frutos que brotam e os dou,Eu devo procurar por plantações de nascimentos, vida, morte,Imortalidade, eu planto de forma amorosa agora.

Texto acima retirado desse link. Depois formatarei ele.

Premissas Culturais da Criação na Pós Modernidade | de Michel Maffesoli* – traduçao de Rosza Vel Zoladz**

Texto abaixo retirado do site UFRJ.

O atual só faz sentido, pelo cotidiano, enquanto provisório. É essa impermanência que faz que não se apreenda o que acontece senão tomado a partir do que lhe é fundador. Eis porque todo pensamento autêntico retoma uma especificidade da existência humana: a gente semeia o que vai ser colhido somente mais tarde.

É assim que, no fim dos anos 70, eu anunciava o retorno de Dionísio, deus da orgia, sublinhando com isso o papel, cada vez mais importante, que a paixão (orgé) iria desempenhar nas nossas sociedades.

Do mesmo modo, em referência a um outro sentido da palavra (orgos: iniciado), eu indicava o lugar primordial que a iniciação iria tomar no neotribalismo contemporâneo. O que isso queria dizer, senão que ao encontro do que era convencionado e permanentemente dito, se situava aí a energia na vida social? Mas é preciso reconhecer, mesmo se isso não deixe de irritar numerosos observadores, que esta energia se exprime ao mesmo tempo pela proximidade, no cotidiano de uma busca de um hedonismo bem convincente. Em todo caso, fora das instituições racionais, terreno predileto da sociologia moderna.

Frequentemente se ouve também falar do consumo exacerbado. Ainda um destes exageros que se empregam para mascarar, na verdade, o fato de que nós passamos para uma outra coisa.

Por menos que se esteja cego pelo conformismo do ambiente, é evidente que a avidez dos objetos, a obsolescência rápida dos amores, o frenesi das novidades, tudo isso nos deveria incitar a dar outros nomes para o vertiginoso acúmulo de incertezas característico das maneiras de ser pós-modernos. Georges Bataille, com a sua noção de gasto, profeticamente esboçou seus contornos. De nossos dias, o consumo, o fato de fazer arder a vida em todos os propósitos, tornou-se uma realidade cotidiana que se configura como antípoda da mitologia do progresso peculiar à modernidade.
Isto é bem constatado pela invenção de um mito, o do Progresso, com que Auguste Comte, bem como Saint-Simon queriam lutar contra o obscurantismo peculiar, segundo eles, aos diversos politeísmos e depois aos monoteísmos semânticos.

O que faz lembrar em Saint-Simon o que ele nomeia de “religião industrial”. Esta aí – se é bastante consciente (?) devia comportar o todo de um produtivismo moderno, sua grande ideologia do crescimento. E a sociedade da produção tal qual ela se pôs em toda a extensão do século XIX e no começo do século XX, não podia senão acabar nessa sociedade de consumo. Esse tema, tão bem analisado por Jean Baudrillard, via precisamente nele, em um de seus livros, menos conhecidos, mas particularmente explorado, O espelho da produção.

Toda mitologia precisa de termos que sejam verdadeiros oscilógrafos, que lhe servem de sinalizadores de trajeto. Esses termos constituem uma espécie de caixa de ressonância, na qual cada um pode, facilmente, se reconhecer. Isso se dá até mesmo inconscientemente. A trilogia Progresso, Produção, Consumo tem exatamente esta função. São palavras-chave que repercutem as preocupações populares e fundamentos da mitologia moderna. Mas elas se tornaram simples feitiços. A saber, os termos que se continuam repetindo continuadamente, mesmo a partir de diversos discursos oficiais. Que repetem religiosamente essa cantilena em todas as ocasiões, chegam a fazer parte da opinião comum, da retórica rotineira. Mas às quais, embora por essa mesma razão, não se dá a elas mais grande atenção. Sabe-se, desde tempos longevos: litania, liturgia, letargia.

Numerosos, com efeito, são os índices oficiais, a contrapelo dos discursos ou análises legitimados, que lhes servem de racionalizações.

É frequente que um valor que se acaba conheça in fine um retorno fulgurante. E não é preciso lembrar o legendário canto do cisne pelo qual esse último, morrendo, transforma seu grito rouco e lânguido, mas bem inútil, em melodia. É bem assim que se pode compreender as diversas pequenas canções sobre o valor trabalho e outros cantos sobre a taxa de crescimento ou do famoso poder de compra! Elas são tão mais insistentes quanto, mais e mais, ignoradas. Como se, na França, em profundidade, a vida se resumisse aos aborrecimentos de obter um Plano de economias para a compra da moradia! De fato, a alardeada Crise Econômica (PEC) não tem outras fontes. Ela é, antes de tudo, civilizacional (culturas que se chocam). Ela é o mais próximo de sua etimologia (krisis) um julgamento de algo que se está acabando. Julgamento que os valores dionisíacos fulminam contra a prevalência prometeica do todo econômico!

Há aí como que um odor de incêndio no ar do tempo. E, de diversas maneiras, trata-se de queimar sua vida, por todos os objetivos ou, o que retorna ao mesmo sentido, de não perder a própria vida que se tem a ganhar. Eis o que uma mitificação do consumo tende ao uso opaco, do binômio produção-consumo.

O paroxismo se mostra nessas dezenas de milhares de carros que ardem em chamas, cada ano, no circuito das grandes cidades francesas. É preciso ousar dizer que se trata de um símbolo elucidativo? Em todo caso, instrutivo, quando se sabe como o carro era o signo absoluto do que se considerava como sociedade de consumo. Objeto caro a adquirir. Ele é a resultante de toda vida de trabalho, e o que permite, igualmente, se dirigir a esse trabalho. Ele é, ao mesmo tempo, aquilo com o que se pode escapar realmente ou fantasiosamente, da coerção do labor. Ele significa a possibilidade do lazer e do tempo não coercitivo. Enfim, este “objeto-signo” é a soma de um investimento libidinal sobre o qual os psicanalistas, longamente, teceram comentários.

E é esse objeto que arde em chamas!

Notemos, no entanto, que não é o carro da pessoa de posses – esse está protegido na sua garagem – que se incendeia. Não é esse que se encontra na rua. Ao pé do imóvel da cidade, ao qual as mídias denominam “os quarteirões”. Ele pode pertencer a um conhecido ou a um parente.

O fato de consumir um tal objeto não é um ato político, como é frequente o analisar. Trata-se mais de uma postura lúdica. Uma estrutura antropológica ocupando a destruição pelo coração mesmo da construção. Assim, o adágio romano pars destruem, pars construens, ou seja, a construção pela destruição, de alguma forma. E não é proibido pensar que há nesses incêndios curiosas reminiscências das festividades estudantis: Berkeley nos Estados Unidos, em 1964, ou rue Gay-Lussac, em Paris, no ao de 1968! Daí essa opinião admitida onde um pitainismo inconsciente se alia a uma estupidez bem pensada para clamar que é preciso tudo ao mesmo tempo: “trabalhar mais e esquecer 68”. Os múltiplos cânticos em torno de trabalho, família, pátria sendo agora moeda corrente na intelligentsia francesa.

No Le combat avec le démon, Stefan Zweig fala, a propósito de Nietszche, ou de Hölderlin, de um demonismo, animando suas obras e suas vidas. Seria um tanto abusivo dizer que, em certas épocas, um tal demonismo está atuante na sociedade em seu conjunto? Que a sombra de Dionísio se estende sobre as megalópoles pós-modernas?

O que se faz presente em paroxismo na criação literária se exprime em menor intensidade pelo conjunto dos objetos de consumo na vida quotidiana. Com efeito, eles não são mais nem menos construídos, nem mesmo encarados para conservá-la. Eles se inscrevem em tudo o que é concebido sob a égide da precariedade. Objetos, situações, relações marcadas pela fonte de obsolescência programada.

Isso se vive, igualmente, no domínio dos afetos. Amor não rima mais com duração eterna. Usura, fadiga, hábitos, tudo isso faz que, em geral, as relações amicais ou amorosas não se inscrevam mais na longa duração. E se sabe o que é da instituição conjugal que procura empalidecer sua fragilidade propondo o casamento entre homossexuais e outras orientações sexuais existentes. Num sentido figurado, é preciso dar trabalho aos diversos párocos e outros beneficiários de todo tipo.

As teorias também não são mais o que elas eram. Eis que os conceitos fazem água por todos os lados. Os dogmas não constituem mais receitas. O universalismo não convence mais do que alguns fanáticos da Razão, da Ciência, do Progresso, ou outras “capelas” do mesmo gabarito.

O ar do tempo é constituído de verdades parciais, momentâneas ou mesmo aproximativas. Mas é um tal relativismo, enfatizando o acento sobre o instante, que favorece a criação. Certo é que a energia individual ou coletiva não é mais mobilizada sobre a longa duração. Focalizada no instante, ela é vivida com muito mais intensidade.

É isso que exprime a sociedade de consumo, i.e., uma outra metodologia não repousando mais sobre a “Religião Industrial” de uma economia de si e do mundo, mas sobre o gasto, a perda. Uma inconsciente inconsciência que sabe, desde o tempo da sabedoria imemorial, que, por vezes, quem perde ganha. Após tudo, por que não fazer a aposta que possa aí haver, no Consumo, esse luxo noturno da imaginação, as premissas de uma intensa e fecunda criação? Pois de uma verdade advinda da observação da vida social Goethe nos lembrava: “Somente o que é fecundo é verdadeiro”.

Fazer da sua vida uma obra de arte! Colocar todas as coisas e todos os seres humanos na praça pública se inscreve bem nessa estetização da existência, onde o que importa, antes de tudo, é provar paixões e emoções comuns. Desse ponto de vista, a estética serve de cimento ético. Então, o que ela foi nas sociedades tradicionais, um elemento da vida de todos os dias, a arte, progressivamente, foi mumificada, posta para fora, separada do cotidiano. A criação, a criatividade, o jogo, a imaginação contaminam novamente a existência do homem sem qualidade. Nietzsche morreu louco de ter tido essa intuição, num momento em que isso não se colocava. E eis que do intelectual esteta ao esportivo atento ao seu corpo, do nômade “rurbano” ao ecologista zeloso de seus legumes sem agrotóxicos, se faz atenção à criatividade vivida no dia-a-dia. A arte se capilariza em tudo que era, até aqui, considerado como anódino.

Cada época tem suas imagens e seus próprios mitos. Mas eles não fazem nada além de retomar e atualizar as potencialidades arcaicas que se acreditava ultrapassadas e que, de repente, reencontram uma juventude vigorosa.

Mas isso é bem difícil de admitir, tanto que é enraizada a ideia de um Progresso da humanidade, de um desenvolvimento por um tipo de História, tendo como objetivo longínquo a assegurar.

A ideologia semita, por meio de seus matizes judaicos, cristãos, muçulmanos, perdeu o seu acento sobre o desenvolvimento histórico, cujo linearismo é a marca essencial.

Todo outro é o pensamento grego ou aquele das diversas sabedorias orientais repousando sobre o retorno cíclico das coisas. A partir daí o acento era colocado sobre as eras míticas, privilegiando a experiência vivida.

Desse ponto de vista, se pode lembrar de uma passagem muito instrutiva da “Cité de Dieu” (XII, 14,1), na qual Santo Agostinho se mostra injuriado com firmeza diante dos “sábios desse mundo que acreditavam ter que introduzir uma marcha circular do tempo para renovar a natureza”. O mito, com efeito, remete ao renascimento periódico de todas as coisas. Círculo ou espiral, pois as coisas não retornam exatamente ao mesmo nível. É assim que a sociedade do trabalho está em vias de ser substituída pela sociedade da criação.

Que nós vivemos uma era de transtornos é, agora, coisa admitida. Seja de um modo larvado, seja explosivo, o afrontamento dos grandes valores que presidiram a solidez da vida social é fácil de averiguar. Mas é com muitas reticências que vão ver aceitar as suas consequências psicológicas e sociais. Tanto é verdadeiro que a (re)novação de certos mitos dá calafrios aos clérigos (aos políticos, sábios, jornalistas), tendo por função gerir os mitos dos quais eles não querem, em hipótese alguma, ver a saturação.

Nos períodos diluvianos, nada nem ninguém escapa ao choque das diversas vagas da maré cuja atualidade não é marcada pela avareza. Assim, isso faz que apareça o pedestal fundador da modernidade: o trabalho.

Para retomar uma expressão conhecida do filósofo Emannuel Kant, eis bem o imperativo categórico maior. Este presidindo a realização de si e a do mundo. Por aí mesmo se elabora a mitologia do labor, inaugurando a prevalência do trabalho, do produtivismo e da economia que lhe é a consequência. Mas o fato mesmo que esse valor seja recente não incita a pensar que ela seja eterna. De fato, numerosos são os índices que, empiricamente, sublinham sua saturação. Isso obriga a observar que podem existir outras maneiras de agir sobre o ambiente social e natural.

Mas, como eu já indiquei, cada coisa se acabando lança seu canto do cisne: o último antes de morrer. E isso não é colocado entre parênteses, é divertido enfatizar como a expressão Valor trabalho constitui o pedestal incontestável das diversas coisas sociopolíticas sempre repetidas. Valor trabalho, do que nos lembramos, era justamente o elemento chave da suma teológica de Karl Marx: O Capital!

Revanche do marxismo? Em todo caso segundo uma intelligentsia, não se deva mais menosprezar, é pela revalorização do trabalho que se vai revolucionar, conservar, mudar, reformar a sociedade. E se o problema não estava mais aí? Se essa encantação não era, no fim das contas, um verão indiano de uma modernidade em declínio?

Com efeito, de diversas maneiras, em particular para essas gerações de jovens que já são a sociedade de amanhã, se sente bem que o essencial da existência não consiste em perder sua vida para ganhá-la. O imperativo tu deves deixa progressivamente o lugar ao optativo é bem preciso. Certo, é preciso trabalhar bem. Mas esse não é apenas um elemento entre outros. Um simples aspecto, forçosamente sem ser o mais importante, dos investimentos pessoais.

A mitologia do bem-estar, essa do hedonismo latente, faz que em tudo, ao mesmo tempo, se pode ser um bom administrador e ter múltiplos centros de interesse, tendo cada um uma importância própria. Hobbies diversos, práticas amadorísticas de diferentes artes, trabalho temporário, turn over de uma repartição, atenção dedicada à estética dos escritórios, heliotropismo revalorizando a importância das regiões do Sul da França, chamando atenção para seus valores, tudo é bom para relativizar o aspecto coercitivo do trabalho.

A partir daí, as condições de vida, no tempo coercitivo do trabalho, não são mais negligenciadas. Em resumo, o qualitativo está na ordem do dia. Todas essas práticas cotidianas, pouco teorizadas, mas intensamente vividas, nos lembram que são das civilizações e não das menos importantes onde é a criação que tende a prevalecer.

Prometeu cede o lugar a Dionísio.

Nessa perspectiva, o que é a criação senão a capacidade de mobilizar todos esses parâmetros humanos que são o lúdico, o onírico, o imaginário coletivo? A Renascença foi um desses momentos onde banqueiros, empreendedores, artistas e aventureiros de todas as ordens pensavam a vida social como um todo. E agindo com essas perspectivas. É qualquer coisa desta ordem que se exprime nos mitos “holísticos” da pós-modernidade nascente.

Metrossexuais e todo o camafeu das classes médias, a emergência de novas formas de vidas, adeptos do crescimento e do pacto ecológico, se empenham, de diversas maneiras, a colocar em segundo plano a prevalência do trabalho. Globalização colaborando, o peculiar da mitologia pós-moderna é colocar o acento sobre a sinergia existente entre o prazer arcaico do bem-estar e o desenvolvimento tecnológico. E quando se sabe que mais da metade do trânsito nas redes da Internet é dada aos encontros de amigos, eróticos, filosóficos ou religiosos, se vê bem em que consiste essa relativização do valor trabalho. É essa relativização que sublinha o retorno à criatividade na vida social.

O campo aberto por uma tal transmutação dos valores é imenso. E falta explorá-lo. Em uma palavra, é isso que vai ser encontrado em todos os mitos, enfatizando o vivido, a experiência, o desabafo etc. Isto porque não há real competência senão quando se apresenta um vasto apetite. Em resumo, não se mobiliza a energia individual e coletiva, fora do caso de estar sintonizada com o inconsciente da época. De acordo com um futuro próximo, aqueles que sabem se por em dia com os valores presentes no imaginário do momento, por um racionalismo estreito são relegados à pré-história. O ego cogito, fundamento da modernidade, está progressivamente deixando lugar a um est ego affectus. Afetados pelos outros, pelo sagrado, pela natureza, pelos humores (pessoais, coletivos). É isso que convém pensar: a mutação de uma existência dominada pelo materialismo moderno, quer dizer, um pouco dotado, para uma outra maneira de estar junto, onde o imaterial reencontra força e vigor.
São esses valores imateriais que estão em pleno reviver na vida política, social e econômica. E não são carregadas de neutralidade que as gerações jovens serão as protagonistas desse olhar novo sobre a natureza e a sociedade. É por isso mesmo que, na sua atitude um pouco desenvolta, os “criativos” multiformes são homens de seu tempo, reafirmando a eterna juventude do mundo. É isso mesmo que se cristaliza na figura emblemática de Dionísio, essa de Puer aeternus!

* Membro do Institut Universitaire de France. mm@ceaq-sorbonne.org

** Professora colaboradora do PPGAV da EBA/UFRJ (Programa de Pós Graduação em Artes Visuais da Escola de Belas Artes/Universidade Federal do Rio de Janeiro). Pesquisadora convidada do PACC-FCC UFRJ (Programa Avançado de Cultura Contemporânea do Fórum de Ciência e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro).

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