Espaço para desvanecer a cada instante. Aqui se encontram textos, imagens e gráficos de vários autores. Sempre precisei colecionar o que eu chamo de figurinhas mágicas. São cartas que abrem novos horizontes e paisagens. Então, boa viagem ;)

terça-feira, 8 de novembro de 2011

ARTE CONTEMPORÂNEA NA PINTURA: “…idéia de permanência não tem. O artista permanece, mas o ofício de pintor acabou.” por Bandeira de Mello

“Uma coisa que a gente nota é o descaso pela permanência do trabalho. Tem uma denúncia nesse sentido num dos livros do André Lotte. "Se perguntarmos a um restaurador quais são as obras que precisam de restauração, mais de restauração, certamente são as obras modernas. È uma coisa que eu sempre falo com meus alunos. É preciso que você faça alguma coisa que seja boa e que ela tenha uma certa permanência. Na própria obra de Van Gogh já tem trabalhos que são difíceis de se manter aparência deles porque ele já não se preocupava tanto com isso. Eu acho que quanto mais você sabe, mais livre você é. Mesmo porque você entra numa fase em que você sabe o que fazer e o que não fazer. O que não fazer sabendo fazer aquilo. Você deixa de fazer por uma necessidade expressiva. Eu ainda vou mais longe: Acho que se você não sabe desenhar você não pensa na forma. Nós tínhamos 900 horas aula de modelo vivo. O curso. E essas 900 horas não eram garantia de que você ia sair um bom desenhista. Eles foram cortando, cortando, cortando, cortando... E hoje são 90 horas obrigatórias. Quer dizer 10%. As pessoas que sabem desenhar, normalmente elas desenham apesar do ensino oficial, vão procurar fora, vão estudar fora, vão procurar um mestre fora para poder aprender, porque lá é meio difícil, meio complicado de aprender. Você vê obras hoje feitas com o intuito de desaparecer mesmo. O sujeito faz uma exposição com uma escultura de gelo e ela derrete durante a exposição. Faz uma cera para derreter se fizer calor, etc. Faz um livro de carne, para apodrecer, etc. Quer dizer, essa idéia de permanência não tem. O artista permanece, mas o ofício de pintor acabou. Eles pintam com qualquer coisa, em cima de qualquer coisa, com qualquer tinta, de qualquer jeito. Mistura com qualquer coisa, umas com as outras, sem saber o resultado final daquilo. Então, ele diz o seguinte: - Isso se deve à morte do ofício do pintor. Permanece o artista, mas não tem mais o técnico, o pintor.”

Bandeira de Mello, anotação do vídeo da exposição “EU EXISTO ASSIM” no Espaço Cultural da Caixa em Curitiba no dia 17 de Junho de 2011.

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