Espaço para desvanecer a cada instante. Aqui se encontram textos, imagens e gráficos de vários autores. Sempre precisei colecionar o que eu chamo de figurinhas mágicas. São cartas que abrem novos horizontes e paisagens. Então, boa viagem ;)

sábado, 31 de dezembro de 2011

Desconexão… Olafur Eliasson

“MUITAS PESSOAS VÊEM O ESPAÇO URBANO COMO UMA IMAGEM EXTERNA COM A QUAL ELES NÃO TEM MENOR CONEXÃO, NEM MESMO FÍSICA.” (Olafur Eliasson)


O artista dinamarquês Olafur Eliasson colocou cachoeiras no centro de Nova York e tingiu de verde um rio de Estocolmo. Seu objetivo: fazer com que o cenário urbano volte a ser percebido pelos moradores dos grandes centros (texto retirado da revista Bravo: Ensaio sobre cegueira)


INHOTIM – Minas Gerais: Olafur Eliasson, By Means of a Sudden Intuitive Realization, 1996, Iglu de fibra de vidro, água, iluminação estroboscópica, bomba d’água e plástico, 300 x 510 cm, foto Eduardo Eckenfels

Copenhague, Dinamarca, 1967; vive em Berlim

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

ARÍETE

by dicionário Houaiss da Lingua Portuguesa:

Datação
c1539 JCasD 135

Acepções
■ substantivo masculino
1 Rubrica: armamento. Diacronismo: antigo.
máquina de guerra com que se derrubavam as muralhas ou as portas das cidades sitiadas
2 Rubrica: termo de marinha.
saliência reforçada da roda de proa de um navio, us. para avariar o casco da embarcação inimiga nas obras vivas; esporão [Muito comum na Antigüidade e na segunda metade do sXIX, nas táticas de abalroamento.]

Locuções
a. hidráulico
Rubrica: engenharia mecânica.
máquina de elevar a água e que tem por princípio construtivo a força viva da própria água; carneiro

Etimologia
lat. arìes,ètis 'carneiro' pelo nom., p.ext., pelo ac., 'máquina de guerra para derrubar muros, tronco de madeira, escora'

Integração ;) by Merleau-Ponty

“Eu percebo de uma maneira indivisa com meu ser total, eu apreendo uma estrutura única da coisas, uma maneira única de existir que fale ao mesmo tempo a todos os meus sentidos.” (Merleau-Ponty, Sens et non-sense, p.101)

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Notas sobre o Naturalismo

Do ponto de vista epistemologia naturalizada, o naturalismo pode ser reduzido às seguinstes posições:

  • A exigência de um método para o conhecimento científico, o qual deve restringir-se aos fenômenos naturais;
  • O realismo da entidades naturais e rejeição do dualismo;
  • O carátera priori dos princípios epistemológicos e metodológicos; a aceitação da teoria causal do conhecimento;
  • A aceitação do psicologismo da consciência e a idéia da consciência como processo natural, admitindo-se a continuidade natural entre o homem e outra espécies animais;
  • A idéia do falibilismo do conhecimento, em teoria do conhecimento;
  • O reducionismo epistemológico ou ontológico.
José de Carvalho Sombra (no livro A Subjetividade Corpórea, página 38)

Sujeito-corpo do Merleau-Ponty

(Pode ser chamdo também de Consciência Perceptiva)

SUJEITO-CORPO: “O corpo agindo como sujeito de percepção e como corpo cognoscente. O corpo próprio, tal como eu existo e o reconheço como meu corpo, o corpo que eu vivo, que eu sou e que eu tenho, o qual se conduz como sujeito agente dos meus desejos, intenções e movimentos. Dessa maneira, minha consciência invade todo o meu corpo, com ele se mistura e confunde. Este corpo-sujeito não é apenas depositário ou instrumento de uma vida psíquica; ele é o meio de expressar esses sentimentos e ter acesso a eles; em suma, ele tem poder de significação ou de expressão que lhe é próprio, o que lhe confere uma interioridade e um significado. Esse poder de significar recobre sua atividade, em particular, a linguagem, a gestualidade, o desejo, a motricidade e a sexualidade. Esse modo de existir singular, ambíguo e enigmático do corpo próprio é irredutível à coisa extensa e exterior, e é anterior à atividade reflexiva e representativa. “

(Sombra, José de Carvalho, A Subjetividade Corpórea: a naturalização da subjetividade na filosofia de Merleau-Ponty, 2006, p.25).

“eu vejo, percebo e dele faço parte. Um ser de latência e de divisão, pré-reflexivo e selvagem, anterior a todas as separações e representações do pensamento filosófico e cientírico, com o qual o corpo relfexivo forma um entrelaçamento (entrelaço e quiasma) com o mundo.

(Sombra, José de Carvalho, A Subjetividade Corpórea: a naturalização da subjetividade na filosofia de Merleau-Ponty, 2006, p.27).

NOTA DO YIUKI: O corpo-sujeito do Merleau-Ponty vai de contra a que ele denomina de:

  • Humanismo: “O subjetivismo filosófico (ou idealismo) que permite ao sujeito apropriar-se da realidade exterior, convertendo as coisas e o mundo em representações ou idéias” José de Carvalho Sombra (no livro A Subjetividade Corpórea, página 45)
  • Positivismo :objetivismo científico que confere ao objeto a capacidade de exercer sobre o sujeito sua ação causal, cujo resultado é a presença do exterior na consciência, por meio das sensações.” José de Carvalho Sombra (no livro A Subjetividade Corpórea, página 46)

 

José de Carvalho Sombra (no livro A Subjetividade Corpórea, página 27)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Cosmovisão que se altera mediante a fenomenologia de Merleau-Ponty

Achei interessante a mudança da crença religiosa que se surge indiretamente com a fenomenologia do Merleau-Ponty lendo o trecho abaixo do livro do José de Carvalho Sombra (A Subjetividade Corpórea, página 21):

“… ao aproximar o humano e o animal no comportamento, o mental e o vital na percepção, o vital e o simbólico na expressão, Merleau-Ponty instaura uma supreendente aproximação e parentesco entre humano e o biológico, entre o natural e o mental. Em lugar de uma natureza, que nos seria estranha e exterior, Merleau-Ponty inseri a consciência na vida e no mundo, reformulando radicalmente nossa idéia de natureza e de consciência.”

Sobre a Verdade

Retirado do site: http://www.filosofante.com.br/?p=925

BALLESTER, M. Verdade. In: VILLA, M. M. (org.). Dicionário de pensamento contemporâneo. São Paulo: Paulus, 2000, p. 764-768.

SOBRE A VERDADE

O texto a seguir é a resenha do verbete “verdade”, segundo o Dicionário de pensamento contemporâneo, por M. Ballester. Segundo o referido dicionário, já os gregos falaram sobre a verdade, identificando-a com a alethéia, palavra que significa ‘desvelamento’ aplicado à realidade, que teve início com a busca da arché, o princípio de todas as coisas.
Na filosofia grega, um dos primeiros a sistematizar a questão da verdade é Parmênides: nos fragmentos de seu Poema, o filósofo fala da verdade como algo eterno, imutável, e diferencia-se da opinião, que é fugaz e propensa à falsidade. A realidade se nos mostra como um composto de realidade da experiência e realidade intelectual, sendo a razão o único caminho capaz de levar o homem à verdade das coisas, enquanto que os sentidos enganam, segundo Parmênides.
Platão, embora de certa forma concorde com Parmênides, coloca a verdade no mundo das ideias. As coisas do mundo sensível, embora tenham participação nas ideias, não correspondem à verdade absoluta. Para se alcançar a verdade, o filósofo deve usar a razão. No Crátilo, Platão deixa claro que a verdade se dá em duas instâncias: no ser em si da realidade, e no ser representado pelo discurso.
Aristóteles entende a verdade como obra do intelecto, havendo a verdade lógica, uma semântica e uma pragmática. É na relação dos juízos que se encontra a verdade, segundo o Órganon de Aristóteles. Na sua Metafísica se encontra a dimensão semântica da verdade: a verdade aí é tida como adequação do pensamento ao objeto de conhecimento. A verdade pragmática está no uso concreto e correto do juízo.
Na Idade Média, a busca da verdade continua, tendo como característica o papel representado por Deus no pensamento dos filósofos. Para Agostinho, a filosofia é a busca da verdade, sendo que essa é Deus. Seguindo uma linha de raciocínio platônico, Agostinho coloca que verdades parciais podem ser conhecidas pelo homem, mas é somente Deus a grande verdade. O objetivo máximo da busca da verdade é encontrar a felicidade.
Seguindo a linha aristotélica, Tomás de Aquino diz que a verdade está no intelecto divino em primeiro lugar, de modo secundário no intelecto humano, e por fim nas coisas, de modo impróprio e secundário.
Os filósofos modernos se preocuparam propriamente com o aspecto gnosiológico do que com o metafísico da verdade. Expoente primeiro dessa filosofia é Descartes com o cogito, cuja base é a dúvida metódica, movimento de desconstrução que possibilita a reconstrução de um novo conhecimento com base na razão. É a partir da verdade do cogito que se podem alcançar novas verdades por meio de ideias tão claras e distintas quanto ele. Para se conhecer a realidade dos entes exteriores ao sujeito, é necessário que haja o grande cogito, por Descartes identificado como Deus. Para Kant, a matéria do conhecimento não pode ter critérios de verdade, uma vez que esses seriam contraditórios à própria verdade. Quanto à forma, Kant entende que a concordância das leis universais é condição básica para a verdade do conhecimento. Para Hegel, a busca da filosofia é a busca da verdade: para o filósofo, a realidade é um desdobramento do absoluto, de modo que ela se estende no todo do sistema.
Na filosofia contemporânea também temos várias correntes que discutem a respeito da verdade dentro da Teoria do Conhecimento. Uma delas é o Círculo de Viena, com seu princípio de verificação, que consiste na necessidade da comprovação da veracidade de um dado princípio como condição para que este seja válido. Este princípio foi muito criticado por ser paradoxal, uma vez que invalida a si mesmo.
Outra posição a respeito do conhecimento é a de Popper, o falseacionismo: a verdade de uma proposição científica não pode ser considerada definitivamente verdadeira, mas apenas como teoria que ainda não foi refutada. Husserl aposta na capacidade humana de conhecer a verdade por meio da razão. Para ele, a verdade está na concordância entre o intelecto e o objeto. Essa posição foi contestada por Heidegger, para quem a verdade não é a adequação do intelecto à coisa, mas na coisa em si (retorno à alethéia grega). Assim, a verdade se revela e pode ser encontrada tanto no ser do objeto como no revelado do objeto. Segundo o filósofo, essa abertura ao ser se dá na linguagem.
A verdade teórica é a adequação do conceito à coisa, a oposição ao erro que leva ao conhecimento da realidade. Existe então uma universalidade da verdade. A verdade prática também é algo adaptado a um contexto específico, uma vez que depende da decisão do grupo (leis). A verdade opõe-se ao erro e não à opinião. O saber teórico deve se fundamentar na razão, e não na opção intelectual, uma vez que esta última não pode ser a base para nenhum conhecimento que leve à verdade. A falta de sentido resultante da carência da verdade que vivemos na pós-modernidade é o resultado de se tomar a opção como fundamento do saber e não a razão. A verdade prática engloba os aspectos técnico e ético: o saber-fazer e o saber-fazer-bem, o saber-conhecer e o saber-agir.

Benedito Fernando Pereira
Quarto Período de Filosofia

Este artigo foi escrito por Benedito em 8 de novembro de 2010 às 10:10, e está arquivado em Artigo. Siga quaisquer respostas a este artigo através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta ou fazer um trackback do seu próprio site.

VERTICALIDADE DO SER do Merleau-Ponty, por José de Carvalho Sombra

À semelhança do Heidegger, Merleau-Ponty rejeita a ontologia objetiva do Ser como um imenso ente, um Ens realissimum, uma segunda propriedade dos entes ou um avesso das coisas, ou ainda como uma outra realidade por trás deste mundo, onde o ser se esconderia. A idéia central da ontologia heigeggeriana, retomada por Merleau-Ponty, é a recusa em identificar o ser como o objeto. Ao contrário, o Ser é a dimensão universal que implica a visibilidade, isto é, a possibilidade de uma visão do mundo por dentro, a partir dos entes. Esta visão, que Merleau-Ponty chama de verticalidade do Ser, só é acessível mediante uma intra-ontologia: “o mundo perceptivo está no fundo do Ser no sentido heideggeriano” (Le Visible et l´ Invisible, pág. 223). Essa latência e negatividade do ser implica, para Merleau-Ponty, “uma certa relação entre o visível e o invisível” (Le Visible et l´ Invisible, pág. 281), em que o invisível é uma outra dimensão que se apresenta negativamente no visível. Em virtude dessa ocultação ou latência do Ser e da inadequação entre o ser e os entes, a busca e a expressão do Ser só podem ser indiretas: “meu método ‘indireto’ (o Ser nos entes) é o único adequado ao ser” (Le Visible et l´ Invisible, pág. 198).

Diante dessa latência, que expressa o caráter abissal, universal e inatingível do ser, a ontologia de Mereleau-Ponty busca uma noção de ser, que supere a oposição entre essência e existência, entre o Ser e os entes, que devem ser tomados como inseperáveis e correlatos, viso que o Ser propriamente dito não é posição de sujeito nem de objeto mas é o “invisível deste mundo” (Le Visible et l´ Invisible, pág. 198)

Segundo essa nova concepção do ser, nem objetiva nem idealista, o Ser é “meio (Umwelt, milieu), dimensão e elemento” das coisas, os quais se desdobra e se realiza nos entes como aparecer ou fenômeno,  como visibilidade e invisibilidade, o que implica uma correlação entre o Ser e o sensível ou visível; entre o Ser e o homem e, por conseguinte, entre ser, pensamento, linguagem e significado.

Dessa maneira, a influência de Heidegger, mais do que recusa da experiência direta do Ser e de um retorno à metafísica clássica, leva Merleau-Ponty a repensar a experiência do Ser a partir do sensível, mediante o retorno ao mundo da vida; experiencia do Ser, enquanto entrelaçamento entre ser a palavra (Notes de cours: Collège de France – 1958-1959 et 1960-1961 – Página 123), a qual permite pensar o “sensível como este meio onde pode existir o ser sem que tenha que ser oposto” (Le Visible et l´ Invisible, pág. 267)

José de Carvalho Sombra (no livro A Subjetividade Corpórea, página 16-17)

“para Merleau-Ponty, o mundo anterior a qualquer conhecimento, o mundo da percepção e dá fé perceptiva. Ele é chamado de Ser bruto, Ser selvagem ou Ser vertical porque não é trabalhado pelas categorias da relfexão (objetividade) nem é, ainda, “reduzido às nossas idealizações e à nossa sintaxe” (Le Visible et l´ Invisible, pág. 139); e porque é mistura do mundo e de nós (Le Visible et l´ Invisible, pág. 138); ele se apresenta como a solução do problema das relações da consciência com o mundo, visto que nossa relação com o Ser, nossa promiscuidade e parentesco com o Ser faz-se por dentro, no interior do Ser bruto, isto é, na carne do corpo e do mundo.

José de Carvalho Sombra (no livro A Subjetividade Corpórea, página 27)

PARADOXO DA REFLEXÃO:

[…] Todavia, não obstante seu enraizamento no corpo e no mundo, é incontestável que a reflexão seja possível, como intencionalidade latente, isto é, ser para.., ela é capaz de enraizar-se e transcender-se a si mesma, de romper com o atual e com sua familiaridade com o mundo. Esse é o paradoxo da reflexão: ser ao mesmo tempo enraizamento e transcendência.

José de Carvalho Sombra (no livro A Subjetividade Corpórea, página 53)

Mundo vivido/mundo da vida: Husserl e Merleau-Ponty

‘“Merleau-Ponty rejeita o naturalismo e o realismo presentes no pensamento objetivo e causal e retorna ao que o Husserl chamou de mundo vivido  ou mundo da vida: o mundo percebido por um ser vivo do ponto de vista geral da vida, antes de qualquer tematização, objetivação e representação.”

José de Carvalho Sombra (no livro A Subjetividade Corpórea, página 15.)

“A primazia da percepção, enquanto experiência vivida, permite redescobrir a figura do mundo percebido, não como realidade exterior ou objeto, mas como seu mundo ou meio (Umwelt) e seu horizonte de vida.”

José de Carvalho Sombra (no livro A Subjetividade Corpórea, página 16)

[…] a divisão convencional do mundo em sujeito e objeto, em mundo interior e em mundo exterior, em corpo e em alma não mais pode aplicar-se e suscita dificuldades. Para as ciências da natureza em si, mas da natureza sujeita à interrogação humana e, dessa forma, novamente o homem não reencontra aqui senão ele mesmo.

(Heisenberg - Ibid.p.29.)

O método científico, que escolhe, explica e ordena, admite os limites que lhe são impostos pelo fato de que o emprego do método tranforma seu objeto e, conseqüentemente, o método não mais pode separar-se do objeto. Isso significa que a imagem do universo, segundo as ciências da natureza, deixa de ser, propriamente falando, a imagem segundo as ciências da natureza.

(Ibid.p.34.)

O objetivismo científico […] vai reduzindo a consciência a uma realidade cada vez mais fugaz, até que se converta num mero epifenômeno de acontecimentos físico-fisiológicos observáveis e objetivos. O pensamento de sobrevôo na filosofia converte o mundo em representação do mundo. O pensamento de sobreôo na ciência converte a consciência num resultado aparente de “fenômenos na terceira pessoa, isto é, de acontecimentos que pertencem à esfera dos objetos naturais – M.Chaui”.

José de Carvalho Sombra (no livro A Subjetividade Corpórea, página 46)

A ciência manipula as coisas e renuncia a habitá-las […] e apenas, de longe em longe, ela defronta-se com o mundo atual. Ela é, ela sempre foi este pensamento admiravelmente ativo, engenhoso, desenvolto, esse pressuposto de tratar todo ser “como objeto em geral”, ísto é, como se, ao mesmo tempo, ele anda fosse para nós e, entretanto, estivesse predestinado aos nossos artifícios. (Merleau-Ponty, L’Oeil et l’ Esprit, pag 9)

José de Carvalho Sombra (no livro A Subjetividade Corpórea, página 47)

O maior problema filosófico acerca do pensamento objetivo inerente às filosofias da reflexão ou do Cogito reside no fato de que a reflexão é atividade derivada; de que ela não é atividade originária e fundante, pois é precedida e se alimenta da percepção; e de que a ontologia objetivista do mundo e da realidade em si, que ela pressupõe, é insustentável na medida em que converte a experiência do mundo em representação, e o conhecimento, em coinscidência ou adequação. Por conseguinte, só nos resta abandonar a alternativa da filosofia reflexiva e buscar a solução numa filosofia da percepção que assuma a percepção como atividade de um corpo que é condição do aparecer do mundo percebido, o único mundo possível e real. Para nós, trata-se de buscar uma filosofica da pecepção e sinal visível de nossa encarnação e inscrição no mundo; enfim, uma filosofia que reencontre na experiência do mundo a fonte e o solo onde se delineia o significado, e que tenha, nessa comunicação com o mundo, o primeiro fundamento da racionalidade.

José de Carvalho Sombra (no livro A Subjetividade Corpórea, página 50)

A percepção não é uma ciência iniciante e um primeiro exercício da inteligência; precisamos reencontrar um comércio com o mundo e uma presença no mundo mais velho do que a inteligência. (Merleau-Ponty, Sens et non-sense, p.106)

José de Carvalho Sombra (no livro A Subjetividade Corpórea, página 52)

O pensamento objetivo tem o poder de obnubilar “todos os fenômenos, que atestam a união do sujeito e do mundo, e substituí-los pela idéia clara do objeto como em si e do sujeito como pura consciência. (Merleau-Ponty, Phénoménologie de la percepcíon p.370)

José de Carvalho Sombra (no livro A Subjetividade Corpórea, página 53)

Ontologia cartesiana substancialista […] nossa ciência e filosofia fundam-se numa ontologia realista de um mundo em si e da representação objetiva desse mundo em sua identidade substantiva e positiva.

José de Carvalho Sombra (no livro A Subjetividade Corpórea, página 54)

CRÍTICA À PSICOLOGIA CARTESIANA:

Como meio de garantir clareza e objetividade, à semelhança das ciências naturais, a psicologia introduz no comportamento a exterioridade e a objetividade do “pensamento de sobrevôo” e do “observador estrangeiro”, excluindo a introspecção como método e via de acesso ao psicquismo, aos fatos mentais e ao comportamento. Com efeito, para o psicólogo behaviorista e para o físico a preocupação da objetividade exorciza os riscos da visão “de dentro” do psiquismo, fornecida pela introspecção contaminada, acreditam eles, pelo componente subjetivo ou pelo aporte corporal (Merleau-Pontu, Le Visible et l’Invisible, p.22) e que faz do psiquismo uma aparência ou projeção psicológica. Avaliando os supostos riscos da introspecção como método de conhecimento do psiquismo em psicologia, Merleau-Ponty pergunta-se se a visão do interior, pela intropecção, é realmente possível e se ela poderia ser substituída por um ponto de vista exterior que transporta o interior para fora. Ao contrário, sustenta ele:

Há – e isto é uma coisa totalmente diferente e que conserva seu valor – uma vida ao pé de si, uma abertura para si, porém, que não desemboca em outro mundo diferente do mundo comum – e que não é, necessariamente, fechamento aos outros. (Merleau-Ponty, Le Visible et l’Invisible, p.36)

[…] À semelhança do físico, “o psicológico, por sua vez, intala-se na posição do espectador […] subentendendo um sujeito absoluto diante do qual se desdobra o psiquismo em geral, o meu, ou o do outrem” (Merleau-Ponty, Le Visible et l’Invisible, p.37). Como no físico, o psicológico constroi um “sistema de referências” segundo o qual o psiquismo, do qual fala o psicólogo, é seu psiquismo também. Esse presumido ponto de vista do espectador estrageiro ou imparcial é posto em questão quando fica patenteado para a ciência que “clivagem entre ‘subjetivo’ e o ‘objetivo’ “ (Merleau-Ponty, Le Visible et l’Invisible, p.37)., pela qual a física e a psicologia definem seus domínios próprios, são duas ordens de “realidades” com suas propriedades intrínsecas em si, supostamente construídas e conhecidas por um pensamento puro e exterior ao mundo. Todavia não é o que acontece:

[…] o ser-objeto não pode ser mais o próprio-ser: “objetivo” e “subjetivo” são reconhecidos como duas ordens construídas apressadamente no interior de uma experiência total, cujo contexto seria preciso restaurar com total clareza. (Merleau-Ponty, Le Visible et l’Invisible, p.38).

José de Carvalho Sombra (no livro A Subjetividade Corpórea, página 49 e 50)

PARADOXO DA REFLEXÃO:

[…] Todavia, não obstante seu enraizamento no corpo e no mundo, é incontestável que a reflexão seja possível, como intencionalidade latente, isto é, ser para.., ela é capaz de enraizar-se e transcender-se a si mesma, de romper com o atual e com sua familiaridade com o mundo. Esse é o paradoxo da reflexão: ser ao mesmo tempo enraizamento e transcendência.

José de Carvalho Sombra (no livro A Subjetividade Corpórea, página 53)

Epoché – Husserl

Retirado do site: http://www.filosofante.com.br/?p=784

Para falar de Husserl necessitamos de definir o conceito de “Epoché”, porque sem isso a maioria não o compreenderia. “Epoché” deriva do grego antigo e significa “paragem”, “interrupção” ou “suspensão de juízo”.

Segundo Husserl, “Epoché” significa a suspensão do mundo, como que parado no tempo, embora com todas as suas características presentes e, por isso, passíveis de serem analisadas “de fora”, por um observador exterior. O “Epoché” de Husserl que suspende o mundo no tempo e no espaço, permite a quem medita conhecer-se a si próprio e tomar consciência da sua própria essência, e a autoconsciência adquirida desta forma é o “eu puro” de Husserl (ou o “eu transcendental”).
Existe na essência do “Epoché” de Husserl uma ideia de desprendimento espiritual em relação às coisas mundanas, porque através do Epoché, “nos tornamos observadores desinteressados do mundo”. Existe algo de mediúnico (no sentido espiritualista) na filosofia de Husserl, quando ele dá a primazia à intuição da essência em detrimento dos fatos mundanos; trata-se de uma “ciência” teórica (contemplativa), intuitiva e não-objetiva.

Caracterizando a qualidade metodológica da Epoché, Husserl nomeou duas etapas principais de redução (“suspensão”), no caminho de uma filosofia fenomenológica:

a) Redução Psicológica: é a recusa, como filósofo, em aceitar a evidência empírica, de uma atitude natural, como sendo suficiente para a fundação de um verdadeiro conhecimento. Resumidamente: a primeira etapa da Epoché estará realizada quando tudo que nos é exterior, mesmo as outras pessoas, estiver colocado “entre parênteses”.

b) Redução Fenomenológica ou Transcendental: para Husserl, a característica da “atitude natural” não se limita à forma pela qual nos relacionamos com o mundo exterior; também os atos da consciência e o “eu” podem ser tratados como o mundo externo. Husserl propõe então que coloquemos também “entre parênteses”, a própria consciência, o “eu” e os seus atos. É preciso refletir sobre o refletido. É preciso pensar o pensado (reflexão transcendental). Passamos, assim, do ego cogito cartesiano para o ego cogito cogitatum da fenomenologia husserliana (HUSSERL, E. [1972 (1913)] Ideas I- General Introduction to pure Phenomenology, New York: Collins Books, p. 155 a p. 165).

 


ANOTAÇÃO DO YIUKI: Outros termos do Epoché:

  • Observador estrangeiro (Merleau-Ponty)
  • Pensamento de sobrevôo (Merleau-Ponty)
  • Zoom Out
  • Ilusão de extraterritorialidade (Prigogine já adepto ao entendimento de que o ser humano é carnificado no mundo, usa já o termo ilusão para definir o Epoché)

NATURALIZAÇÃO DA SUBJETIVIDADE

“Vinculo e parentesco entre a mente e o corpo é realizado por um processo de “naturalização” da consciência e da subjetividade a partir do corpo, em que a vida biológica, psíquica e mental, sensível e inteligível encontram-se reunidas em uma unidade indivisível. É o que denominamos “naturalização” da subjetividade. Enraizar a consciência e a subjetividade no corpo e trazê-las para a esfera do “mundo da vida” e do “sensível” significa considerá-las como fenômeno e experiência “naturais”.

José de Carvalho Sombra (no livro A Subjetividade Corpórea, página 14)

A despeito da concepção clássica da consciência ou da subjetividade entendidas como realidade mental ou espiritual, a idéia de “naturalização” introduz na subjetividade uma “historicidade” biológica e cultural. A “naturalização” mostra  támbém, ao contrário do que pretendem o realismo e o positivismo, que a objetividade epistemológica não é um atributo ou propriedade ontológica da coisa ou da realidade em si, mas é relativa e dependente da experiência perceptiva. A objetividade, portanto, não se funda na coisa ou objeto em si, mas no objeto enquanto percebido e fenômeno. Porém, a contribuição mais significativa consiste em mostrar, com Merleau-Ponty, que a corporalidade e o significado estão no âmago da subjetividade.

José de Carvalho Sombra (no livro A Subjetividade Corpórea, página 21)

“… Merleau-Ponty naturaliza a consciência, isto é, introduz e insere a consciêcia no “mundo da vida”, por meio do comportamento de um organismo agindo como  uma “estrutura”, (unidade, totalidade, interioridade) com relãção ao meio exterior, o que lhe confere um significado ou forma ainda não refletida nem inteligível.”

José de Carvalho Sombra (no livro A Subjetividade Corpórea, página 24)
Nota do Yiuki: Merleau-Ponty criticava da ciência fisiológica e da pscicologia experimental que explicava o comportamento humano por modelo ontologico cartesiano de diplopia baseado na causa e efeito através de uma ação reflexiva mecânica e/ou de propriedade física-quimica do corpo humano.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Viagem mais curta e mais demorada do ser humano…

"A distância mais longa é entre a cabeça e o coração." (Thomas Merton)

Vocação - Hélio Leites

“Fazer o que a gente não gosta é o pior desemprego do mundo... é um desserviço para o espírito”. Hélio Leites, artesão paranaense.

Outra frase dele: Tristeza é falta de alegria, mas tristeza num certo sentido até que ela é boa. Ela faz você ver outas coisas que a alegria não deixa ver.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Aprendizado

Todo conhecimento desde a antiguidade foram passadas de vivos para vivos. Precisamos viver para aprender, aprender para viver. Os valores precisam ser vividos para existirem e serem repassados.

Natália Ramon

Anotação feita por mim da paletra sobre o Giordano Bruno ministrada pela Natália Ramon na Nova Acrópole Associação Cultural de Curitiba no evento VI Semana Mundial da Filosofia no dia 25 de Novembro de 2011.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Artista

Todo artista está em constante gestação. Logo, ele é vulnerável e sensível.

A serpente

A serpente também recebeu autorização para corromper; e assim, tornou-se um ser rastejante e venenoso que não consegue viver em grupo, pois gera discórdia.

(Yiuki Doi e Tvllivs)

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

dificuldade para se comunicar?

- O mar está bravo..
- Não está. Ele está sempre manso. Mas tão manso e flexível que é, que fica a mercê do vento e acaba fazendo o papel do bravo… tire o vento e o mar será lago lagoa ou coisa assim..
- Que seja... o mar está bravo com o vento então...
- Não, o vento está agitado e tão influente ele é que agita terra, mar e fogo por onde passa...

(Satiya Sauer)

domingo, 20 de novembro de 2011

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O mais pesado dos pesos –Nietzsche

E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: “Esta vida, assim como tu a vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes; e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indizivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e seqüência – e do mesmo modo esta aranha e esta luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez – e tu com ela, poeirinha da poeira!” – Não se lançaria ao chão e rangerias os dentes e amaldiçarias o demônio que te falasse assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderias: “Tú es um deus, e nunca ouvi nada mais divino! Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse; a pergunta, diante de tudo e de cada coisa: “Quero isto ainda uma vez e ainda inúmeras vezes?” pensaria como o mais pesado dos pesos sobre teu agir! Ou então, como terias de ficar de bem contigo mesmo e com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação de chancela? - -

Friedrich Nietzsche (1844-1900)

OBRAS INCOMPLETAS – Página 208
Seleção de textos de Gérald Lebrun
Tradução e notas de Rubens Rodrigues Torres Filho
Abril Cultura, 1983
Os Pensadores

Consciência x Tempo (Nelson Lucero)

CONSCIÊNCIA

faz o instante durar
nos dá um passado
nos projeta para o futuro

embora tudo isso
se dê num presente incessante.”

(Nelson Lucero)

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Princípio legislativo

As leis são criadas ou transformadas mediante as manifestações. Logo, toda lei vem tardiamente à necessidade. Por essa razão, legal, no sentido da legalidade, não significa justo nem moral.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

ARTE CONTEMPORÂNEA NA PINTURA: “…idéia de permanência não tem. O artista permanece, mas o ofício de pintor acabou.” por Bandeira de Mello

“Uma coisa que a gente nota é o descaso pela permanência do trabalho. Tem uma denúncia nesse sentido num dos livros do André Lotte. "Se perguntarmos a um restaurador quais são as obras que precisam de restauração, mais de restauração, certamente são as obras modernas. È uma coisa que eu sempre falo com meus alunos. É preciso que você faça alguma coisa que seja boa e que ela tenha uma certa permanência. Na própria obra de Van Gogh já tem trabalhos que são difíceis de se manter aparência deles porque ele já não se preocupava tanto com isso. Eu acho que quanto mais você sabe, mais livre você é. Mesmo porque você entra numa fase em que você sabe o que fazer e o que não fazer. O que não fazer sabendo fazer aquilo. Você deixa de fazer por uma necessidade expressiva. Eu ainda vou mais longe: Acho que se você não sabe desenhar você não pensa na forma. Nós tínhamos 900 horas aula de modelo vivo. O curso. E essas 900 horas não eram garantia de que você ia sair um bom desenhista. Eles foram cortando, cortando, cortando, cortando... E hoje são 90 horas obrigatórias. Quer dizer 10%. As pessoas que sabem desenhar, normalmente elas desenham apesar do ensino oficial, vão procurar fora, vão estudar fora, vão procurar um mestre fora para poder aprender, porque lá é meio difícil, meio complicado de aprender. Você vê obras hoje feitas com o intuito de desaparecer mesmo. O sujeito faz uma exposição com uma escultura de gelo e ela derrete durante a exposição. Faz uma cera para derreter se fizer calor, etc. Faz um livro de carne, para apodrecer, etc. Quer dizer, essa idéia de permanência não tem. O artista permanece, mas o ofício de pintor acabou. Eles pintam com qualquer coisa, em cima de qualquer coisa, com qualquer tinta, de qualquer jeito. Mistura com qualquer coisa, umas com as outras, sem saber o resultado final daquilo. Então, ele diz o seguinte: - Isso se deve à morte do ofício do pintor. Permanece o artista, mas não tem mais o técnico, o pintor.”

Bandeira de Mello, anotação do vídeo da exposição “EU EXISTO ASSIM” no Espaço Cultural da Caixa em Curitiba no dia 17 de Junho de 2011.

Olhar

Podemos coisificar as pessoas, fabular os objetos ou divinizar o todo. Tudo é uma escolha.

sábado, 5 de novembro de 2011

Necessito dançar

Danço porque é a maneira que encontrei de ser gente. Mas, justamente por isso, sei que ela é uma vaidade minha – para Deus pouco importa a minha escolha. Yiuki

O que é arte? Nietzsche

“O que é arte? capacidade de criar o mundo da vontade sem vontade? Não. É reproduzir o mundo da vontade sem que o produto final tenha a sua vontade. Portanto, pode-se dizer que é a produção da falta de vontade pela vontade e instintivamente. Quando se tem consciência, chama-se isso de trabalho manual. Em contrapartida, é evidente o parentesco com a procriação, só que, nesse caso, surge novamente a abundância de vontade.

Nietzsche

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Vontade de poder – Nietzsche

“Vontade de viver? Em seu lugar sempre encontrei a vontade de poder.” (NIetzsche)

Transcender–Nietzsche

“O oposto do super-homem é o último homem: criei-os ao mesmo tempo.

Tudo o que é sobre-humana aparece no homem como doença e loucura.

É preciso ser um mar para acolher dentro de si uma corrente suja sem se sujar.”

Nietzsche

A Idéia–Augusto dos anjos

De onde ela vem?! De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!
Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!

Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas do laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica ...

Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No mulambo da língua paralítica.

Negar o valor da cultura e da organização estatal–Nietzsche

“Jesus nega a Igreja, o Estado, a sociedade, a arte, a ciência, a cultura, a civilização.

Todos os sábios negaram igualmente em sua época o valor da cultura e da organição estatal.

Platão, Buda.”

Nietzsche

O valor da vida está nas apreciações – Nietzsche

“O valor da vida está nas apreciações: estas são algo criado, que não tirado, nem apreendido, nem vivenciado. Aquilo que é criado precisa ser anulado, para dar lugar à nova criação: ao poder viver das apreciações pertence sua capacidade de serem aniquiladas. O criador tem sempre de ser um aniquilador. Porém, a própria apreciação não pode se aniquilar: mas isso é a vida.” (Nietzsche)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O andarilho fala … by Nietzsche

“O andarilho” fala. – Para uma vez ver com distância nossa moralidade européia, para medi-la com outras moralidades, anteriores ou vindouras, é preciso fazer como faz um andarilho que quer saber a altura das torres de uma cidade: para isso ele deixa a cidade. “Pensamentos sobre preconceitos morais”, caso não devam ser preconceitos sobre preconceitos, pressupõem uma oposição fora da moral, algum além do bem e mal, ao qual é preciso subir, galgar, voar – e no caso dado, em todo caso, um além de nosso bem e mal, uma liberdade diante de toda “Europa”, esta última entendida como uma soma de juízos de valor imperativos, que nos entraram na carne e no sangue. Querer partir precisamente nessa direção, ir nessa direção, é, talvez, um pequeno disparate, um bizarro, irracional tu tens de” – pois também nós, os conhecedores, temos nossas idiossincrasias da “vontade não-livre” – : a questão é se se pode efetivamente ir nessa direção. Isso dependeria de múltiplas condições; no principal, a pergunta é, quão leves ou quão pesados nós somos, o problema de nosso “peso específico”. É preciso ser muito leve para levar sua vontade de conhecimento até uma tal distância e como que para além de seu tempo, para se criar olhos para a supervisão de milênios e ainda por cima céu puro nesses olhos! É preciso ter-se desvencilhado de muito daquilo que, precisamente a nós,: Europeus de hoje oprime, entrava, mantém abaixados, torna pesados. O homem de um tal além, que quer discernir as mais altas medidas de valor de seu tempo, precisa para isso, primeiramente “superar” em si mesmo esse tempo – é a prova de sua força – e, consequentemente, não só seu tempo, mas também a má vontade e contradição que ele próprio teve até agora contra esse tempo, seu sofrimento com esse tempo, sua extermporaneidade, seu romantismo… Nietzsche

A perfeição–Helena P. Blavastsky

“A perfeição, para ser completa, deve nascer da imperfeição; o incorruptível deve brotar do corruptível, tendo a este por veículo, base e contraste.” Helena P. Blavastsky

Esperança – Marcio Baraco

Entre utopia ingênua e derrotismo cínico existe um mar de esperança.

Marcio Baraco

Aceitar

Fazer parte de…
Para poder transformar.

Marina Scandolara

• Não é acomodar
• Você não se anula da ação.
• “Ouve a onda, faz parte da onda do ambiente, você não se anula para ouvir a onda”
•  Aceitar = não é se anular.

FIGURINO

O bom figurino de teatro: ele deve ser material o bastante para significar e transparente o bastante para não constituir seus signos em parasitas. O vestuário tem como função seduzir os olhos, não convencê-los'. Roland Barthes (2009, p.85)

domingo, 30 de outubro de 2011

Livre arbítrio – Paul Valery

“Nada pode seduzir-nos, nada pode trair-nos, nada leva a despertar o nosso ouvido, a fixar o nosso olhar, nada por nós é escolhido na multiplicidade das coisas e torna desigual a nossa alma, que não seja, de certa maneira, ou pré-existente no nosso ser, ou esperado secretamente pela nossa alma” Paul Valery

sábado, 29 de outubro de 2011

Mudanças

Muitas vezes quando organizamos as coisas significa que estamos indo para outro lugar. Ana Gonzales

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terça-feira, 25 de outubro de 2011

Aprendizado - Paulo Freire

"Aprender para nós é construir, reconstruir, constatar para mudar, o que não se faz sem abertura ao risco e à aventura do espírito.”  (Paulo Freire)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Aquilo que perdura…. Rubem Braga

For Marisa Elizabeth Soika Bueno & Family:

"Mas no meio de tudo isso, fora disso, através disso, apesar disso tudo - há o amor. Ele é como a Lua, resiste a todos os sonetos e abençoa todos os pântanos." (Rubem Braga)

Preparo para deixar o seu filho pequeno com outra pessoa.

DEIXO POSTADO DICAS DE COMO CUIDAR DE CRIANÇAS QUE A MINHA AMIGA PATY COMPARTILHOU COMIGO. APRENDO MUITO LENDO ESSAS DICAS.
  • Deixe a criança com quem gosta de criança e está disponível para isso.
  • Perceba se o ambiente está harmônico.
  • O melhor é que a pessoa venha à sua casa ou que sua criança fique em local conhecido e dominado por ela. Será uma novidade a menos pra ela ter que se adequar.
    Se o clima do lugar estiver tenso, reconsidere e combine pra uma outra oportunidade ou um outro local. Proteja e não exponha sua criança a lugares que não são legais pra ela.
  • Combine o horário que retornará e respeite o combinado.
    Se quizer, combine também o horário que "ligará só para saber se está tudo bem".
  • Deixe todos o numeros de telefone possíveis, inclusive o dos avós. Verifique se o aparelho telefônico que ficará onde a criança está tem bateria e linha (para os da Net, costuma acontecer de ficar sem linha à toa).
  • Entregue a criança calma. Se a criança estiver agitada, a acalme. Aproveite pra ir locutando pra pessoa que ficará com a criança, o que está fazendo e como está fazendo, pode ser útil pra ela mais tarde e aguarde uns cinco minutos depois disso.
  • Passe por escrito hábitos e horários da criança. Leia junto com a pessoa pra ter certeza de que a mensagem foi bem transmitida.
  • Para crianças de colo, recomendo deixar uma camiseta ou camisola bem usada/suada  pela mãe, que tenha em evidência "o delicioso cheiro do sovaco da mãe". Muitos bebês se acalmam quando colocamos a peça de roupa usada da mãe junto de suas bochechas. E esta dica também serve (junto com outros artifícios que compartilharei em e-mail futuro) para aquelas que permitiram que a criança dormisse no quarto do casal e querem passar a criança para o seu quartinho.
  • Se despeça da criança sorrindo e olhando nos olhos dela. Fale com tom tranquilo e que essa tranquilidade venha do coração.
    Diga que já volta e dê ênfase ao que vão fazer juntos quando você retornar.
  • Durante sua saída, pare de pensar e se preocupar pois a criança capta sua insegurança e fica, digamos, áspera.

Patricia Muller

bebê de 2 meses

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O que Tracy fala: O que a Tracy recomenda (e eu super concordo ) é evitar o excesso de estímulos, coisa que é tendência em nossa sociedade. A criança não precisa de tanta informação.

Música clássica é bom, mas, na maioria das vezes o silêncio é a melhor companhia.

Até pelo menos os 2 aninhos, super afaste o bebê da televisão (mesmo sem alcance visual). Proteja a criança.

Tracy fala também que pro bebê ficar calminho olhar uma parede branca já é uma atividade e tanto.

É importante respeitar o espaço do bebê. Quando tirar a roupa dele, pedir licença e dizer, "vou tirar sua roupa, dá licença." Ou "daqui a pouco vamos vestir o casaco prá ir pra rua". As crianças ficam mais calmas quando sabem o que vai acontecer depois e aí está o grande trunfo de ter uma rotina bem implantada! 

O que eu também fazia: Sempre que o bebê estava quietinho, eu saída de fininho e quando ia pra dar uma espiadinha se estava bem, procurava não chamar a atenção pra minha chegada.

Eu procurava proporcionar ao bebê contatos com a natureza como observar as núvens do céu ( com a criança à sombra, é claro) ou o movimentar das folhas da árvore ao vento ou mesmo uma cortina de janela. Caso queira um pouco mais de ação, todos os animais (passarinho, cachorro, gato, peixe em aquário) são boa idéia também. Uma visita à um petshop já resolve este assunto, não é?

Também permitia que ele sentisse a vibração de todas as cores, assim, evitava vestí-lo sempre de azul.

Sempre olhava pra ele nos olhos e sorria muito.

Permita que ela coloque os pés na terra , para sentir a textura e descarregar as energias. E isso serve para por pés e mãos na areia, nas pedras, na grama, etc. Ates de tirar o calçado, diga o que vai acontecer : " O Bruno vai por o pé na terra". Em seguida, permita o silêncio. E quando for colocar o calçado novamente diga o que aconteceu: " O Bruno colocou o pé na terra!

Além disso, é importante que a criança receba o toque da mãe por todo o seu corpinho . Não precisa ser shantala, basta pegar nos bracinhos e dizer "olhe que lindos braços!". Ou pegar na mão dela, com firmeza e suavidade ao mesmo tempo , olhar nos olhos e dizer "Mão!". Note que não falamos nada no diminutivo pra criança pois o desenvolvimento da linguagem dela, que já está super acontecendo, vai decorar primeiro o final das palavras e se todas terminarem com "inho", vai ficar mais difícil, não é?
Fale de maneira suave, devagar e como quem conta uma notícia boa, de maneira serena, entende?

Mesmo que não esteja apaixonada pelo pai do bebê, fale bem dele pra criança. Fale das virtudes deste cavalheiro. E se estiver longe, mostre a melhor foto que tiver dele e diga " Papai Silvio" e sorria.

Nunca rotule o bebê : " você é um chato" ou "você é um brabo", por mais astralizada que você esteja. Nunca fale de alguma dificuldade da criança na frente dela também.

Dona Lurdes também me ensinou para não deixar que qualquer um pegue no seu bebê, principalmente nos pés, que é onde entra a energia ruim. Enfim, defenda o bebê.

Patricia Muller

Dentinhos, dor nas costas, elogios, dormir a noite inteira.

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Dentinhos.

Se não estiver frio por aí, ajuda deixar um pedaço de maça, manga ou pera no congelador por 10 ou 15 minutos e dar pra ela, como mordedor.
A intenção não é alimentá-la , neste caso, e sim que a temperatura geladinha amortece a gengiva dolorida e causa um conforto natural. Nunca usei dessas pomadas tipo BabyDent pois me disseram que antecipa desrespeitosamente  o processo natural da chegada do dente.

Dor nas costas.

Puxa, o que posso dizer?
Que a dor vai mudando de lugar. Quando o bebê é menor, doi mais em cima, perto da cervival. Conforme vai crescendo, a dor vai descendo, até que chega perto da bacia , que é onde está a minha. Com esse frio, tirei o Bernardo do banho quente e não queria que ele encostasse no chão gelado e ganhei esta dor gostosa, que me deixa meio torta e tendo que dar explicações a todos que me cercam.
Quando tiver gente por perto, peça pra que te alcance o bebê, assim, na cara dura!
Na medida do possível, pegue ela no colo o mínimo e preste atenção na postura de sua coluna ao amamentar, mesmo que pra isso, fique cercada de apoios, almofadas, o que for necessário, pois precisamos de você bem boa, mamãe. 

Como elogiar.

Você fez muito bem em elogiar a proesa do bebê sair sozinho do bebê conforto!
Sempre que elogiar, procure elogiar a tarefa e não a criança.
Por exemplo : "Muito bem Marina, você fez um bom trabalho saindo sainha do bebê conforto!"
Ou seja, evite dizer : "você é linda, ou você é inteligente, ou você é demais!"
E quando precisar chamar a atenção, evite falar o nome dela. 
"Menina, fique tranquila, a mamãe já está chegando." ou invéz de "Marina, não chore!"
Perceba também que para chamar a atenção o comando se inspira no que ela deve fazer e não, no que ela não deve fazer.
Use o nome Marina para os elogios e boas notícias.
Assim, logo logo teremos uma princesinha que gosta do nome que tem.

Acorda a noite.

Ela acorda as 00, 03 e 06:30 por que?
a) Com fome? amamente ela as 19h, as 21h e as 23h30 , que é o que Tracy chama de enchendo o tanque. Mesmo que ela esteja dormindo neste horário, coloque ela no seio, se não acordar tudo bem, mas estimule pra que a boquinha trabalhe sugando o leite.

Amamentar após as 24h é dar um tiro no pé, pois você estará dando o reforço negativo de fragmentação da noite.
b) Com desconforto de  xixi na fralda? Use a melhor fralda que você tiver na troca proxima das 19h e passe pomada em abundância pois a proxima troca será apenas apos as 5h da madrugada (mesmo que tenha cocô), quando ela acordar.

Acontece que uma troca de fralda entre as 19h e 5h pode ser muito estímulo pra ela, o que não permite que absorva a idéia de que é de noite e que devemos apenas dormir. Evitemos nestes horário também estimulos de luz acesa, barulho e formas mentais tumultuadas (que o bebê capta rapidinho e fica arisco).

No último banho do dia, eu sempre dava as 18h15 antes da mamada das 19h, misture na água da banheira um pouco de chá de camomila, que é calmante pelo aroma e pelo contato com a pele. Este banho, deve ser morninho, que já vai relaxando e a criança já vai entendendo que está entrando no ciclo noturno.

Patricia Muller

banho do bebê : prá relaxar ou pra brincar?

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1.Transição de uma atividade pra outra.

Como a Marina reaje se, quando sair da banheira para secar, levar pra secar tambem um ou dois brinquedinhos junto?
É importante que a transição da banheira pra toalha seja adequada, seja o banho-brincadeira ou o banho-relaxante.
Também avise uns 3 minutinhos antes de sair da banheira : "Tá quaze acabando o banho da Marina. Daqui a pouco vamos pra Senhora Toalha!"
Quando estiver saindo da banheira :" A Marina tá saindo da banheira, escutou, Senhora Toalha?"
E na toalha: "Oi Senhora Toalha, a Marina chegou!"

2.Tipos de banho.


Temos de fato dois tipos de banho:

  1. banho atividade/brincadeira.
  2. banho relaxante/morninho/calmante que prepara pro sono noturno.

Se a criança toma um único banho naquele dia, deve ser mantido o banho relaxante/morninho/calmante que prepara pro sono noturno. Que deve, pelo menos do meio pro final, ter uma considerável redução de estímulos (principalmente som e luz forte)

Se tem a possibilidade de um banho a mais, o banho atividade/brincadeira durante o dia é ótimo pra criança gastar energias e abrir o apetite!
Se não estiver frio, nem precisa colocar muita água na banheira.
Se colocar a banheira sobre um tapete no chão, você poderá realizar outras tarefas enquanto olha a criança.
Certa vez salvei meu almoço assim: Bernardo brincando na banheira ao chão, no sol e eu tendo um tempinho pra engolir meu arroz!

Patricia Muller

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Fernando Sabino: De tudo ficaram três coisas... A certeza...

"De tudo ficaram três coisas...
A certeza de que estamos começando...
A certeza de que é preciso continuar...
A certeza de que podemos ser interrompidos
antes de terminar...
Façamos da interrupção um caminho novo...
Da queda, um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro!"


Fernando Sabino

Dica de viagem para europa: TAX REFOUND

Dica de viagem para europa: Juntar todas as notas fiscais quando estiver na europa, pois na volta para o Brasil pode passar no TAX REFOUND no aeroporto e reembolsar alguns impostos.

sábado, 6 de agosto de 2011

Presente de aniversário

Amigo, feliz aniversário
Poderia tu fazer-me feliz
Se hoje cantasse como o canário
Quando escuta o que o Sol lhe diz

O teu sorriso, amigo
É imprecindível.
Ouça o que te digo
É o teu combustível

Por isso não deixe de sorrir
Os sonhos são teus
E tranformá-los em realidade
É a tarefa que tens de cumprir.

A força é tua aliada
Tome-a como a ouma espada
E conquiste o teu reinado
Mas sempre te aquero do meu lado!

Da tua sempre amiga,

Patrícia Santana
23/03/96

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Milagre - Albert Einstein

"Há duas formas para viver sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar qeu todas as coisas são um milagre."
Albert Einstein (1879-1955)

quinta-feira, 14 de julho de 2011

CARTA DO CACIQUE MUTUA SOBRE BELO MONTE

Deixo registrado aqui, pois é emocionante, político e poético. Por que o homem se distanciou tanto da Natureza? Yiuki

"Carta do Cacique Mutua a todos os povos da Terra

  
O Sol me acordou dançando no meu rosto. Pela manhã, atravessou a palha da oca e brincou com meus olhos sonolentos. O irmão Vento, mensageiro do Grande Espírito, soprou meu nome, fazendo tremer as folhas das plantas lá fora.
 
Eu sou Mutua, cacique da aldeia dos Xavantes. Na nossa língua, Xingu quer dizer água boa, água limpa. É o nome do nosso rio sagrado.

Como guiso da serpente, o Vento anunciou perigo. Meu coração pesou como jaca madura, a garganta pediu saliva. Eu ouvi. O Grande Espírito da floresta estava bravo.
 
Xingu banha toda a floresta com a água da vida. Ele traz alegria e sorriso no rosto dos curumins da aldeia. Xingu traz alimento para nossa tribo.
 
Mas hoje nosso povo está triste. Xingu recebeu sentença de morte. Os caciques dos homens brancos vão matar nosso rio.
 
O lamento do Vento diz que logo vem uma tal de usina para nossa terra. O nome dela é Belo Monte. No vilarejo de Altamira, vão construir a barragem. Vão tirar um monte de terra, mais do que fizeram lá longe, no canal do Panamá.
 
Enquanto inundam a floresta de um lado, prendem a água de outro. Xingu vai correr mais devagar. A floresta vai secar em volta. Os animais vão morrer. Vai diminuir a desova dos peixes. E se sobrar vida, ficará triste como o índio.
 
Como uma grande serpente prateada, Xingu desliza pelo Pará e Mato Grosso, refrescando toda a floresta. Xingu vai longe desembocar no Rio Amazonas e alimentar outros povos distantes.
 
Se o rio morre, a gente também morre, os animais, a floresta, a roça, o peixe tudo morre. Aprendi isso com meu pai, o grande cacique Aritana, que me ensinou como fincar o peixe na água, usando a flecha, para servir nosso alimento.
 
Se Xingu morre, o curumim do futuro dormirá para sempre no passado, levando o canto da sabedoria do nosso povo para o fundo das águas de sangue.
 
Hoje pela manhã, o Vento me levou para a floresta. O Espírito do Vento é apressado, tem de correr mundo, soprar o saber da alma da Natureza nos ouvidos dos outros pajés. Mas o homem branco está surdo e há muito tempo não ouve mais o Vento.
 
Eu falei com a Floresta, com o Vento, com o Céu e com o Xingu. Entendo a língua da arara, da onça, do macaco, do tamanduá, da anta e do tatu. O Sol, a Lua e a Terra são sagrados para nós.
 
Quando um índio nasce, ele se torna parte da Mãe Natureza. Nossos antepassados, muitos que partiram pela mão do homem branco, são sagrados para o meu povo.
 
É verdade que, depois que homem branco chegou, o homem vermelho nunca mais foi o mesmo. Ele trouxe o espírito da doença, a gripe que matou nosso povo. E o espírito da ganância que roubou nossas árvores e matou nossos bichos. No passado, já fomos milhões. Hoje, somos somente cinco mil índios à beira do Xingu, não sei por quanto tempo.
 
Na roça, ainda conseguimos plantar a mandioca, que é nosso principal alimento, junto com o peixe. Com ela, a gente faz o beiju. Conta a história que Mandioca nasceu do corpo branco de uma linda indiazinha, enterrada numa oca, por causa das lágrimas de saudades dos seus pais caídas na terra que a guardava.
 
O Sol me acordou dançando no meu rosto. E o Vento trouxe o clamor do rio que está bravo. Sou corajoso guerreiro, não temo nada.
 
Caminharei sobre jacarés, enfrentarei o abraço de morte da jiboia e as garras terríveis da suçuarana. Por cima de todas as coisas pularei, se quiserem me segurar. Os espíritos têm sentimentos e não gostam de muito esperar.
 
Eu aprendi desde pequeno a falar com o Grande Espírito da floresta. Foi num dia de chuva, quando corria sozinho dentro da mata, e senti cócegas nos pés quando pisei as sementes de castanha do chão. O meu arco e flecha seguiam a caça, enquanto eu mesmo era caçado pelas sombras dos seres mágicos da floresta.
 
O espírito do Gavião Real agora aparece rodopiando com suas grandes asas no céu.
 
Com um grito agudo perguntou:
 
Quem foi o primeiro a ferir o corpo de Xingu?
 
Meu coração apertado como a polpa do pequi não tem coragem de dizer que foi o representante do reino dos homens.
 
O espírito do Gavião Real diz que se a artéria do Xingu for rompida por causa da barragem, a ira do rio se espalhará por toda a terra como sangue e seu cheiro será o da morte.
 
O Sol me acordou brincando no meu rosto. O dia se abriu e me perguntou da vida do rio. Se matarem o Xingu, todos veremos o alimento virar areia.
 
A ave de cabeça majestosa me atraiu para a reunião dos espíritos sagrados na floresta. Pisando as folhas velhas do chão com cuidado, pois a terra está grávida, segui a trilha do rio Xingu. Lembrei que, antes, a gente ia para a cidade e no caminho eu só via árvores.
 
Agora, o madeireiro e o fazendeiro espremeram o índio perto do rio com o cultivo de pastos para boi e plantações mergulhadas no veneno. A terra está estragada. Depois de matar a nossa floresta, nossos animais, sujar nossos rios e derrubar nossas árvores, querem matar Xingu.
 
O Sol me acordou brincando no meu rosto. E no caminho do rio passei pela Grande Árvore e uma seiva vermelha deslizava pelo seu nódulo.
 
Quem arrancou a pele da nossa mãe? gemeu a velha senhora num sentimento profundo de dor.
 
As palavras faltaram na minha boca. Não tinha como explicar o mal que trarão à terra.
 
Leve a nossa voz para os quatro cantos do mundo clamou O Vento ligeiro soprará até as conchas dos ouvidos amigos ventilou por último, usando a língua antiga, enquanto as folhas no alto se debatiam.
 
Nosso povo tentou gritar contra os negócios dos homens. Levamos nossa gente para falar com cacique dos brancos. Nossos caciques do Xingu viajaram preocupados e revoltados para Brasília. Eu estava lá, e vi tudo acontecer.
 
Os caciques caraíbas se escondem. Não querem olhar direto nos nossos olhos. Eles dizem que nos consultaram, mas ninguém foi ouvido.
 
O homem branco devia saber que nada cresce se não prestar reverência à vida e à natureza. Tudo que acontecer aqui vai voar com o Vento que não tem fronteiras. Recairá um dia em calor e sofrimento para outros povos distantes do mundo.
 
O tempo da verdade chegou e existe missão em cada estrela que brilha nas ondas do Rio Xingu. Pronta para desvendar seus mistérios, tanto no mundo dos homens como na natureza.
 
Eu sou o cacique Mutua e esta é minha palavra! Esta é minha dança! E este é o meu canto!
 
Porta-voz da nossa tradição, vamos nos fortalecer. Casa de Rezas, vamos nos fortalecer. Bicho-Espírito, vamos nos fortalecer. Maracá, vamos nos fortalecer. Vento, vamos nos fortalecer. Terra, vamos nos fortalecer.
 
Rio Xingu! Vamos nos fortalecer!
Leve minha mensagem nas suas ondas para todo o mundo: a terra é fonte de toda vida, mas precisa de todos nós para dar vida e fazer tudo crescer.
 
Quando você avistar um reflexo mais brilhante nas águas de um rio, lago ou mar, é a mensagem de lamento do Xingu clamando por viver.
 
 
Cacique Mutua"

domingo, 26 de junho de 2011

CORPO CÊNICO, ESTADO CÊNICO - por Eleonora Fabião

ATENÇÃO: texto abaixo retirado do site: http://www6.univali.br/seer/index.php/rc/article/view/2256 A cópia aqui é somente para que eu possa revisitar o texto nos momentos de pesquisa.

Costumo escrever notas antes do treino, pensamentos para trabalhar na sala de ensaio.
Então, suo essas ideias e novas anotações surgem. Acontece também de maturar experiências de espetáculo escrevendo. Outras vezes, a escrita deriva das leituras como outra etapa da pesquisa.
Gosto igualmente de conversar com meus pares, de entrevistá-los, de perguntar-lhes o que me pergunto, de saber o que eles se perguntam. E, em alguns momentos, simplesmente preciso da palavra escrita, preciso esculpir massa verbal para seguir investigando. Selecionei e elaborei algumas notas – aqui proponho uma reflexão sobre corpo cênico e estado cênico.

*

Imagino a praia às nove da manhã. Maresia, azul e luz. Lembro da sensação da correnteza repuxando as pernas e os passos, do impacto firme da primeira onda e chuá.

Mergulho: água fria no couro cabeludo quente.

Submersa: que passem por mim ondas de ondas, fluxos e refl uxos do tempo.

Olho em volta: a firmeza da paisagem apesar do mar, do vento e do pássaro: a vertigem do fixo-móvel.

Já fora d’água: o corpo distendido no espaço.

A praia se foi com uma onda e eu fi quei na sala – salgada.

Imaginar transforma a matéria.

Rememorar transforma a matéria.

O corpo cênico experimenta espaço e tempo potencializados e, também, o corpo cênico potencializa tempo e espaço.O corpo da cena investiga temporalidade e espacialidade, inventa minutagens e métricas, ocupa dimensões simultâneas do real. O nexo do corpo cênico é o fluxo. O passageiro, o instantâneo, o imediato – rajada, revoada, jato. Nascendo e morrendo; nascendomorrendo. O corpo fluido e fluidificante é a matriz espaço-temporal da cena.

Em Beyond boredom and anxiety – estudo sociológico sobre a experiência do fluir que reúne depoimentos de alpinistas, dançarinos, compositores, jogadores de basquete, enxadristas, cirurgiões e professores – Mihaly Csikszentmihalyi diz: “Em estado de fluxo, ações sucedem-se de acordo com uma lógica interna que parece dispensar intervenções conscientes do agente. O agente experimenta a ação como um fluxo contínuo de momentos em que exerce controle absoluto da situação e no qual há apenas uma pequena distinção entre self e meio, entre estímulo e resposta, entre passado, presente e futuro.” (2) De acordo com o autor, o estado de fluidez é um estado alterado de consciência, ou seja, um comportamento fora dos padrões cotidianos de conduta, provocado pela realização de uma ação que envolve o agente de forma total. Aqui, “controlar a situação” é lançar-se com precisão. O autor contrapõe a ações automatizadas, dispersas e desatentas ao mundo, relações des-automatizadas, íntegras e engajadas de perceber, gerir e gerar o real.

O fluxo abre uma dimensão temporal: o presente do presente. A capacidade de conhecer e habitar este presente dobrado determina a presença do ator. Perder-se nos arredores do instante – na ansiedade do futuro do presente ou na dispersão do passado do presente – faz com que o agente se ausente de sua presença. A qualidade de presença do ator está associada à sua capacidade de encarnar o presente do presente, tempo da atenção. O passado será evocado ou o futuro vislumbrado como formas do presente.

O corpo cênico está cuidadosamente atento a si, ao outro, ao meio; é o corpo da sensorialidade aberta e conectiva. A atenção permite que o macro e o mínimo, grandezas que geralmente escapam na lida quotidiana, possam ser adentradas e exploradas. Essa operação psicofísica, ética e poética desconstrói hábitos. Atentar para a pressão e o peso das roupas que se veste, para o outro lado, para as sombras e os reflexos, para o gosto da língua e o cheiro do ar, para o jeito como ele move as mãos, atentar para um pensamento que ocorre quando rodando a chave ao sair de casa, para o espírito das cores. A atenção é uma forma de conexão sensorial e perceptiva, uma via de expansão psicofísica sem dispersão, uma  forma de conhecimento. A atenção torna-se assim uma pré-condição da ação cênica; uma espécie de estado de alerta distensionado ou tensão relaxada que se experimenta quando os pés estão firmes no chão, enraizados de tal modo que o corpo pode expandir-se ao extremo sem se esvair.

No palco não há imunidade. O olhar é palpação, o movimento ação, e ser, relação. Ação ecoa, voz preenche; o corpo sempre interage com algo, mesmo que seja o vazio. Ou, ainda, no palco, vazio não há, pois que se tira tudo e resta latência. Vazio cênico é latência – no palco o nada aparece, silêncio se escuta. E você imerso nesse campo de forças, nesse sistema nervoso, nessa massa de rastros passados e futuros, presenças passadas e futuras. E você experimentando a textura desse vazio-pleno, incorporando e esculpindo essa latência. E rememorar e imaginar e evocar e inventar e atentar para corpos que contigo se comunicam, que através de ti se comunicam. O teu corpo, esse palco. O corpo, esse palco fluido.

A conexão atenta consigo mesmo, com o outro e com o meio, transforma o que seria uma sucessão linear de eventos em ações-reações imediatas. A temporalidade do fluxo desconstrói as etapas do processo expressivo, digo, dilui o minúsculo espaço de tempo entre pensar e agir, entre estímulo e resposta, entre sentir e emitir. Quando em fluxo, o ator não expressa um estado, ele vibra em estado. Aqui, o corpo não é um sólido perspectivado, mas uma membrana vibrátil – à profundidade contrapõe-se densidade planar, à solidez contrapõe-se vibratilidade, à dicotomia dentro/fora contrapõe-se o entrelaçamento dentro-fora. Ou, como sugere Suely Rolnik ao pensar os objetos sensoriais e relacionais de Lygia Clark, “o corpo vibrátil é aquilo que em nós é ao mesmo tempo dentro e fora, o dentro sendo nada mais do que uma combinação fugaz do fora.”(3)

O corpo é sólido, pastoso, gelatinoso, fibroso, gasoso, elétrico, líquido. O corpo acontece em densidades cambiantes. Estamos permanentemente vibrando, uma vibração mínima. O adjetivo “vibrátil” nomeia não apenas essa condição de combinarmos e cambiarmos densidades permanentemente, mas também um tremular contínuo, a oscilação entre ser e não ser, entre vida e morte, entre arbítrio e determinismo que encarnamos. A cena exacerba a condição vibrátil do corpo. Porque hiper-atento, o corpo cênico torna-se radicalmente permeável. Contra a ideia de corpos autônomos, rígidos e acabados, o corpo cênico se (in)define como campo e cambiante. Contra a noção de identidades definidas e definitivas, o corpo-campo é performativo, dialógico, provisório. Contra a certeza das formas inteiras e fechadas, o corpo cênico dá a ver “corpo” como sistema relacional em estado de geração permanente. O estado cênico acentua a condição metamórfica que define a participação do corpo no mundo. A cena mostra, amplifica e acelera metamorfose, pois intensifica a fricção entre corpos, entre corpo e mundo, entre mundos.

O corpo vibrátil é o corpo do “entrelaçamento.”(4) O corpo cênico conhece e se dá a conhecer por entrelaçamento. O espectador não é vidente e eu visível; somos ambos videntes e visíveis, tateadores e táteis, atores e espectadores. Vista do palco, a plateia é um espetáculo de estranha beleza. O entrelaçamento é a condição que todo participante do evento teatral tem de, simultaneamente, ver e ser visto – ver-se vendo, ver-se sendo visto, ser visto vendo, ser visto vendo-se.

Daqui, vejo o palco como o mundo percebido e criado por Merleau-Ponty, esse espaço do estar em permanente vir-a-ser por ser-no-mundo, esse mundo de afinidades com a “carne.” No palco, assim como na filosofia de Merleau-Ponty, o sujeito não possui um corpo, mas é corpo; o mundo não é ocupado pelo corpo, é uma de suas dimensões. O filósofo pergunta: “Onde estamos, onde nos posicionamos, para estabelecer um limite entre o corpo e o mundo já que o mundo é carne?”(5) E entrelaça: “Em vez de rivalizar com a espessura do mundo, a espessura do meu corpo é, ao contrário, o único meio que possuo para chegar ao âmago das coisas, fazendo-me mundo e fazendo-as carne.”(6) Reciprocidade, essa é a energética fenomenológica. “A carne não é matéria, não é espírito, não é substância. […] A carne é um elemento do Ser.”(7) Conectividade, essa é a potência da “carne.” O corpo não é receptáculo ou recipiente, anuncia Merleau-Ponty, mas “tecido conectivo;” o mundo não é receptáculo ou recipiente, mas tecido conectivo. O palco, matriz de conectividade, é corpo, é mundo, é mundo-corpo e corpo-mundo.

PALCO, MAR, ESCRITA, CORPO, SAL E MUNDO: MODOS E MOMENTOS DA CARNE

Neste contexto conectivo, “ação cênica” não nomeia exclusivamente a ação que ocorre em cena. Ou, ainda, a cena conectiva não se restringe ao que acontece no palco, mas inclui o drama da sala. A atividade do ator não é autônoma, mas relativa; o ator é relativo ao espectador por reciprocidade e complementaridade. Em termos dramatúrgicos, a relação entre aquele que atua e aquele que assiste é tão significativa quanto a relação entre Hamlet e Ofélia, ou entre ator e atriz. Se a cena for, de fato, o espaço conectivo entre aqueles que veem e se sabem vistos, um sistema de convergências, a ação cênica acontece fora do palco, entre palco e plateia, fora dos corpos, no atrito das presenças. A cena, portanto, não se dá “em”, mas “entre,” ela funda um entre-lugar. Ação cênica é co-labor-ação. Neste sentido, a famigerada “presença do ator,” longe de ser uma forma de aparição impactante e condensada, corresponde à capacidade do atuante de criar sistemas relacionais fluidos, corresponde a sua habilidade de gerar e habitar os entrelugares da presença.

Um “corpo” pode ser visível ou invisível, animado ou inanimado, cadeira ou gente, luz, ideia, texto ou voz. Um corpo é sempre uma multidão de relações e, como tal, está permanentemente deflagrando relações. Corpo em relação com corpo forma corpo. O entre-lugar da presença é no nosso corpo o que não está em nós.

Para ativar circuitos relacionais, o ator deve trabalhar tanto no sentido de aguçar sua criatividade como sua receptividade. Geralmente a criatividade é privilegiada em detrimento da receptividade, a força criativa em detrimento do poder receptivo. Estamos mais habituados a agir do que a distensionar, a ponto de sermos agidos; somos treinados para criar e executar movimento, não para ressoar impulso; geralmente sabemos ordenar e dar ordens ao corpo mais e melhor do que sabemos nos abrir e escutar. A busca por um corpo conectivo, atento e presente é justamente a busca por um corpo receptivo. A receptividade é essencial para que o ator possa incorporar factualmente e não apenas intelectualmente a presença do outro.

Outro entrelaçamento que o corpo cênico investiga é a trama memória-imaginação-atualidade – o fato de que circulamos e entrelaçamos ininterruptamente referências mnemônicas, imaginárias e perceptivas. O que o corpo cênico explora, para além da dicotomia ingênua que contrapõe ficção e realidade, é a indissociabilidade entre essas três forças. Como o corpo cênico experimenta, imaginar implica memória, rememorar implica imaginação e ambos os movimentos se realizam na atualidade fenomenológica do fato cênico. Além disso, ator é criatura capaz de realizar insólitas operações psicofísicas como, por exemplo, transformar memória em atualidade, imaginação em atualidade, memória em imaginação, imaginação em memória, atualidade em imaginação, atualidade em memória. É sua alta vibratilidade e sua fluidez que permitem essas operações psicofísicas. É sua inteligência psicofísica que abre dimensões para além da dicotomia ficção x realidade.

Ainda sobre as capacidades, as propriedades, as especificidades e as dramaturgias do corpo: é preciso investigar a psicofisicalidade que constitui e funda toda e qualquer ação; dissecar a “ação física,” escová-la a contrapô-la, desconstruí-la. Seguir o que Yoshi Oida propõe, quando afirma “que atuar não é apenas emoção, ou movimento, ou ações que comumente reconhecemos como ‘atuação’. Atuar envolve também um nível fundamental: o das sensações básicas do corpo.”(8) Pois ando parada neste “nível fundamental,” investigando sensibilidade e sensação, investigando o que passei a chamar de nervura da ação. Nervura da ação: a corporeidade da ação, pois percebo três elementos que inervam minhas ações, sejam elas quais forem: postura, sensorialidade e conectividade. Esteja eu consciente ou não, fato é que minhas ações envolvem experiências posturais, sensoriais e conectivas. Proponho-me então a investigar separadamente cada uma das três nervuras, uma de cada vez; proponho-me a fingir que é possível desembaraçá-las e, assim, graças a um acréscimo de consciência sensível, potencializar minha conduta em cena.

Proposta 1: investigar as sensações posturais conforme sugerido pelo mestre Yoshi Oida – através do desenvolvimento da escuta do corpo; através da sensação de macro a micro alongamentos, torções, pressões, relaxamentos e transferências de peso; através de variações em eixos básicos: céu e terra (cima-baixo), oriente e ocidente (esquerda-direita) e passado e futuro (frente-trás); experimentar sensações posturais através de um diálogo atento com a força da gravidade.

Proposta 2: ativar e ampliar sensorialidade – investir nas relações mais elementares de percepção e interação consigo mesmo, com o meio e com o outro através dos cinco sentidos: tato, audição, olfato, paladar e visão. Tratar de aguçar e expandir capacidades sensoriais culturalmente domesticadas e atrofiadas pelo uso banal.

Proposta 3: acelerar conectividade – acirrar os entrelaçamentos corpo-espaço, corpotempo, corpo-história, corpo-matéria, corpo-ideia, corpo-palavra, corpo-objeto, corpo-conceito, partes-do-corpo, corpos-uns-com-os-outros-e-uns-nos-outros... através de experimentações psicofísicas múltiplas. Tratar das intercorporeidades e dos entre-lugares da presença. Através de acréscimo de sensibilidade sensorial e postural, circular interioridades e exterioridades com mais argúcia e consistência.

Três tarefas cotidianas para a potencialização do corpo cênico. Um corpo cênico porque desautomatiza mecânicas perceptivas, cognitivas e comportamentais; um corpo cênico porque investiga as dramaturgias do corpo e a nervura da ação; um corpo cênico porque em estado de experiência e experimentação.

 

SOBRE A “NERVURA”

Na biologia, “nervura” se refere aos filamentos compostos por feixes de fibras que transportam os impulsos dos órgãos sensoriais ao sistema nervoso central e vice-versa, possibilitando movimento e sensibilidade. Na botânica, a palavra “nervura” quer dizer filamento ou veio de folhas e pétalas por onde é transportada a seiva. Na zoologia, “nervura” se refere ao tubo córneo que, ramificado, sustenta a membrana das asas dos insetos. Na tipografia, “nervura” se refere à saliência transversal das lombadas dos livros encadernados. E, na arquitetura, “nervura” é o termo que designa a linha ou a moldura saliente que separa as arestas de uma abóbada, os lados das ranhuras ou os ângulos das pedras. A “nervura da ação” é, portanto, por definição gramatical, uma questão vegetal,
animal, mineral, arquitetônica, gráfica, que envolve voo, suporte, transparência, curvatura, ângulo, moldura, ranhura, saliência, lombada, movimento, seiva, pétalas, veias, asas, órgãos, filamentos, córneas, membranas, sensibilidade, flores, fibras e livros. Ou, ainda, a “nervura da ação” é uma questão de misturas, de combinações minerais, vegetais e animais através de ações humanas em busca de compreensões corporais outras, de invenções psicofísicas muitas. A nervura diz respeito ao que há de seiva nas saliências transversais dos livros de arquitetura encadernados com pétalas de flores; a nervura diz respeito ao ângulo da pedra em que pousa um livro e suas asas vegetais; diz respeito à natureza córnea, transparente e aquosa das molduras cerebrais; ao feixe de fibras
que transporta os impulsos das saliências através do nosso órgão tubular central; diz respeito às ranhuras das abóbadas sensoriais onde moram anjos e insetos; diz respeito aos movimentos sensíveis das folhas em dias de sol; a nervura diz respeito aos movimentos sensíveis das gentes diante de folhas flutuando, asas caindo e páginas amarelecendo e diz respeito, finalmente, às dobraduras e aos desdobramentos das palavras.

Fico de pé e imóvel – apenas esforço e tensão necessários para manter-me de pé e imóvel. Já sorrio; não há imobilidade possível. Parada, me movo em direção à imobilidade. De pé, dançada pela dança mínima, pela nervura desta ação. A sala respirando, o mundo latejando a minha quietude relativa. Atenção nos pés. O contato dos pés com o chão, a zona de contato, superfície de interseção, ali, onde é pé e chão, onde o pé é chão e o chão, pé. Cézanne pintou a continuidade do objeto no espaço e as propriedades do espaço no objeto. Ser fiel àquilo de que somos feitos. E de que somos feitos? O horizonte: uma linha de céu e de terra. O corpo: um horizonte vertical. Corpos: horizontes tocáveis. Céu e terra: partes do corpo.

Quanto mais atenta estou, mais inapreensível se torna o instante. Imersa num momento infinito. Percepção é participação. Sou parte; logo, existo. Ou ainda: participar; logo, existir.

Conversei recentemente com cinco extraordinários artistas sobre estado cênico e corpo cênico.(9) Denise Stoklos é atriz, diretora, escritora e criadora do Teatro Essencial. Honora Fergusson e Fred Newman são atores do Mabou Mines Theater Company, grupo de teatro experimental americano fundado em  1969 e sediado na cidade de Nova Iorque. Alina Troiana é performer cubano-americana da cena underground nova iorquina que escreve, dirige e performa seus próprios textos, alguns deles relatos autobiográficos. Marina Salomon é dançarina e trabalha na Cia. Regina Miranda e Atores Bailarinos no Rio de Janeiro. Perguntei: Como você se sente quando está atuando? Sua percepção sensorial se altera? Como é a sua relação com objetos, espaço, tempo, movimento? O que é “estado
cênico”, de acordo com a sua experiência? E eles responderam:

“Durante os ensaios de alguns trabalhos específicos eu costumava ter a sensação de que iria sair de mim, como se eu fosse perder a consciência.” (Marina Salomon)

“Sempre penso que no palco você está em um nível diferente de consciência. Aliás ‘consciência’ nem é uma boa palavra.” (Denise Stoklos)

“Você fica muito exposto e vulnerável diante da audiência, e, na verdade, você não atua bem a não ser que esteja vulnerável. Se você perder a vulnerabilidade não será um bom ator.” (Honora Fergusson)

“Você tem que sair da sua caixa, dos seus preconceitos, sair fora da sua idéia imediata de civilização e cultura. Cada uma dessas coisas é uma espécie de caixa. […] Nós temos antenas; elas têm de estar expostas. Você tem que fazer com que essas antenas estejam vivas e vibrantes, estendidas no espaço.” (Fred Newman)

“A relação com o espaço – a maneira como o meu corpo se conecta com o espaço, como o espaço entra no meu corpo – me traz a sensação de uma prática espiritual.” (Marina Salomon)

“Eu digo que quando estou no palco estou fazendo as pessoas gozarem enquanto estou gozando.  Para mim acontece nesse nível de sexualidade. […] No palco você está absorvendo uma química louca que o seu corpo produz. É uma bomba! […] Quando eu digo ‘elevada’ quero dizer que eu sinto como se eu não tivesse corpo, quase isso. É uma experiência espiritual. […] Eu fico rápida e atenta. Posso ver e escutar muitas coisas ao mesmo tempo. Se eu tenho uma gripe, se estou menstruada, seja lá o que for, entro no palco e tudo isso desaparece! […] Sinto muito medo antes de entrar em cena.” (Alina Troiana)

“Energia é o que realmente comunica, o que vai para o público e volta: energia.” (Denise Stoklos)

“Gostaria de trazer pra minha vida diária a mesma qualidade de energia que atinjo no palco.” (Marina Salomon)

“Quando você está se arriscando, como supostamente acontece no teatro, você sente que está enfrentando riscos como mergulhadores enfrentam riscos. Há risco de vida espiritual, vida mental ou vida física.” (Fred Newman)

“Comunicação é sempre amor, não tem outro meio. E amor é sempre acompanhado por confi ança, confi ança de que o outro é capaz; porque o outro sou eu. Se o outro é capaz, eu também me torno capaz. Isto é o oposto de paternalismo, patriarcado, capitalismo. É a liberdade. Quando eu posso receber o outro, então estou comunicando; quando eu escuto o outro e sei que posso falar também. Estes momentos não acontecem todos os dias porque estamos inseridos em fortes estruturas de poder e opressão – estão ao nosso redor, por dentro, por toda parte. Vivemos num mundo que não quer que sejamos tocados porque se formos, nos tornaremos poderosos e capazes de mudar as coisas. Teatro político é portanto qualquer teatro voltado para esta noção básica de respeito aos seres humanos como iguais. E estar sempre em movimento porque nada está de fato completo e fi nalizado.” (Denise Stoklos)

O ator finge que finge

E este texto foi escrito para ser jogado no mar.

Eleonora Fabião


ELEONORA FABIÃO
Doutora em Estudos da Performance pela New York University.
Docente do Curso de Direção Teatral da UFRJ.
Escola de Comunicação
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Rio de Janeiro – RJ – Brasil

Endereço
Av. Pasteur, 250
Praia Vermelha – Rio de Janeiro – RJ 
CEP: 22.290-240.

E-mail: ef383@nyu.edu

Artigo recebido em 08/07/2010 / Aprovado em 10/09/2010


Notas

(1) Uma primeira versão deste texto foi publicada na Revista Folhetim do Teatro do Pequeno Gesto (Funarte:

Rio de Janeiro, 2003). Para esta edição, o artigo foi revisado e ampliado.

(2) CSIKSZENTMIHALYI, Mihaly. Beyond boredom and anxiety (San Francisco: Jossey-Bass, 1975), p. 36. Tradução da autora.

(3) ROLNIK, Suely. “Molding a contemporary soul: the empty-full of Lygia Clark” In: The experimental exercise of freedom (Los Angeles: Museum of Contemporary Art, 1999), p. 104. Tradução da autora.

(4) Maurice Merleau-Ponty desenvolve o conceito de “entrelaçamento” em “O entrelaçamento – o quiasma”

In: O visível e o invisível.

(5) MERLEAU-PONTY, Maurice. The visible and the invisible (Evanston: Northwestern University Press, 1992), p. 138. Tradução da autora.

(6) Ibid. p. 135.

(7) Ibid. p. 139.

(8) OIDA, Yoshi. O ator invisível (São Paulo: Beca Produções Culturais, 2001), p. 57.

(9) As entrevistas foram concedidas individualmente nos anos de 2001 e 2002. No caso de Denise Stoklos, a entrevista foi realizada durante o Terceiro Encontro do Hemispheric Institute of Performance and Politics em Lima, Peru (julho, 2002).

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Amizade

Biarticulado cheio, parada rápida, porta se abre, um olhar e um tchau apressado no rosto. Perco me no instante inusitado, nem  lembro da imagem das suas costas. Percebo somente o calor sutil que ficou na minha pele. Talvez um cumprimento de amizade pode ser tão sagrado quanto lábios macios que se tocam.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A obra faz o seu chamado no processo de criação

Trecho da entrevista do Bandeila de Mello na exposição “EU EXISTO ASSIM” no Espaço Cultural da Caixa em Curitiba:

 

“Quando você começa, você tem um tema na cabeça. Tem os materiais na cabeça, o suporte na cabeça, a técnica que vai usar. Tá tudo na cabeça, organizado. Tá pré-organizado isso. Mas no momento em diante que você começa o trabalho, você perde o comando, é o trabalho que começa a comandar”… “É o próprio trabalho que vai fazendo um chamado daquilo que tem que ser feito. E acaba sendo um diálogo entre o que você queria fazer e o trabalho quer que você faça. Agora, o mais importante nisso tudo, é que o que vai transformar aquilo em obra de arte é precisamente o que você não programou, é aquilo que saiu e ficou impressão no trabalho, independente da sua vontade. A temática do meu trabalho é sempre ligada a questão da sobrevivência do indivíduo enquanto indivíduo e enquanto membro da espécie. Quer dizer, essa questão de que a vida é uma luta permanente para não morrer, certo? Então, mesmo quando você entra nas questões da comida, do alimento, do amor, etc... É sempre a questão da sobrevivência da espécie. Do indivíduo como indivíduo e da espécie como um todo. Mas não contada de uma forma anedótica, mas contada de uma forma plástica.”

Bandeira de Mello, anotação do vídeo da exposição “EU EXISTO ASSIM” no Espaço Cultural da Caixa em Curitiba no dia 17 de Junho de 2011 feita por mim.

ARTE CONTEMPORÂNEA NA PINTURA: “…idéia de permanência não tem. O artista permanece, mas o ofício de pintor acabou.” por Bandeira de Mello

“Uma coisa que a gente nota é o descaso pela permanência do trabalho. Tem uma denúncia nesse sentido num dos livros do André Lotte. "Se perguntarmos a um restaurador quais são as obras que precisam de restauração, mais de restauração, certamente são as obras modernas. È uma coisa que eu sempre falo com meus alunos. É preciso que você faça alguma coisa que seja boa e que ela tenha uma certa permanência. Na própria obra de Van Gogh já tem trabalhos que são difíceis de se manter aparência deles porque ele já não se preocupava tanto com isso. Eu acho que quanto mais você sabe, mais livre você é. Mesmo porque você entra numa fase em que você sabe o que fazer e o que não fazer. O que não fazer sabendo fazer aquilo. Você deixa de fazer por uma necessidade expressiva. Eu ainda vou mais longe: Acho que se você não sabe desenhar você não pensa na forma. Nós tínhamos 900 horas aula de modelo vivo. O curso. E essas 900 horas não eram garantia de que você ia sair um bom desenhista. Eles foram cortando, cortando, cortando, cortando... E hoje são 90 horas obrigatórias. Quer dizer 10%. As pessoas que sabem desenhar, normalmente elas desenham apesar do ensino oficial, vão procurar fora, vão estudar fora, vão procurar um mestre fora para poder aprender, porque lá é meio difícil, meio complicado de aprender. Você vê obras hoje feitas com o intuito de desaparecer mesmo. O sujeito faz uma exposição com uma escultura de gelo e ela derrete durante a exposição. Faz uma cera para derreter se fizer calor, etc. Faz um livro de carne, para apodrecer, etc. Quer dizer, essa idéia de permanência não tem. O artista permanece, mas o ofício de pintor acabou. Eles pintam com qualquer coisa, em cima de qualquer coisa, com qualquer tinta, de qualquer jeito. Mistura com qualquer coisa, umas com as outras, sem saber o resultado final daquilo. Então, ele diz o seguinte: - Isso se deve à morte do ofício do pintor. Permanece o artista, mas não tem mais o técnico, o pintor.”

Bandeira de Mello, anotação do vídeo da exposição “EU EXISTO ASSIM” no Espaço Cultural da Caixa em Curitiba no dia 17 de Junho de 2011 feita por mim.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Virtuosismo cênico na arte

O virtuosismo toca o espírito do espectador no sentido de recordar o potencial humano: ao mesmo tempo que vejo aquilo que não consigo fazer é uma constatação de ver um ser humano fazendo isso, e nesse ponto incende em nós o calor e o entusiasmo de que somos incríveis, uma forma de recordar que somos filhos de Deus e como tal somos perfeitos.

domingo, 22 de maio de 2011

Decepe suas asas

Anjo, decepe suas asas.
Sinta a gravidade sobre a carne.
Ande com os pés na terra.
Perceba o que não é de nuvens.
Encontre o apoio, dobre os joelhos,
Empurre o chão e se eleve ao solo.
A cada passo, a cada salto, entre distâncias.
No intervalo do tempo, na queda, na suspensão.
Baila, com calos e bolhas sangrando.
É assim que se voa na terra,
No suor e nas lágrimas de alegria.
Sem asas, penas e auréolas.
No pulsar do coração, na magia da terra.
Na profundeza telúrica iluminadora.
Anjo, volte ao mundo fantasiado,
Ou simplesmente decepe suas asas.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Silêncio necessário

Sinto, o que nos liga está além do tempo e do espaço. Por isso nesse momento as palavras não são necessárias, pois ela pertence ao mundo manifestado que muitas vezes nos desgastam. Pedregulho é pedra, vento frío de inverno, carros correndo, pessoas doentes, flor de ypê caindo, políticos corruptos, crianças sorridentes, casal se beijando… Tudo se conecta num lugar onde não há medida, tempo e espaço. Por isso, mesmo no nosso silêncio, a vida continuará perfeita como sempre foi.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Mudanças

Não é impedindo ou retirando que as pessoas mudam. As pessoas mudam se oferecemos possibilidades, espaços e principalmente oportunidades.

O que as pessoas buscam…

No fundo o que as pessoas buscam não é religião, dinheiro, status, conhecimento, amor, etc. Creio que as pessoas buscam simplesmente a paz de espírito. Contudo, o que cada uma delas entende dessas duas palavras é a grande busca individual. Recordo da frase do Goethe "Feliz é o homem que pode achar a relação entre o começo e o fim de sua vida.", acho excelente e concordo plenamente com ela. Talvez o livre arbítrio é a escolha dessa crença pessoal que traz a leveza da vida chamada de paz de espírito ou simplesmente de felicidade.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Shangri-La

Shangri-la, da criação literária de 1925 do inglês James Hilton, Lost Horizon (Horizonte Perdido), é descrito como um lugar paradisíaco situado nas montanhas do Himalaia, sede de panoramas maravilhosos e onde o tempo parece deter-se em ambiente de felicidade e saúde, com a convivência harmoniosa entre pessoas das mais diversas procedências. Shangri-la será sentido pelos visitantes ou como a promessa de um mundo novo possível, no qual alguns escolhem morar, ou como um lugar assustador e opressivo, do qual outros resolvem fugir. O romance inspira duas versões cinematográficas nas décadas seguintes.

No mundo ocidental, Shangri-la é entendido como um paraíso terrestre oculto.[1]

Extraido do Wikipédia

Vou-me Embora pra Pasárgada - Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que eu nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
-- Lá sou amigo do rei --
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Texto extraído do livro "Bandeira a Vida Inteira", Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90

Manuel Bandeira: sua vida e sua obra estão em "Biografias".

terça-feira, 12 de abril de 2011

Transformar o mundo – Dalai Lama

"Se você quer transformar o mundo, experimente primeiro promover o seu aperfeiçoamento pessoal e realizar inovações no seu próprio interior."

O Caminho da Tranqüilidade (Dalai-Lama)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Artista é um ser marginal

“Artista é um ser marginal transbordando em si e nos limites.”  Yiuki Doi e Keiko Utumi

domingo, 3 de abril de 2011

Sonhar grande

Há tempos, assisti uma palestra no SEBRAE, nem me lembro mais do nome do palestrante. Mas ainda lembro a mensagem final da palestra, pois foi algo que me marcou bastante:

“Nem todos que sonham grande chegam ao seu objetivo, mas garanto que quem chegou é porque sonhou grande.” (autor desconhecido)

P.S. encontrei o flyer! Era o Julio Ribeiro do Grupo Talent ;)

quinta-feira, 31 de março de 2011

Palavras não traduzem a nossa percepção.

Hoje fui à exposição “O Fantástico Corpo Humano”. É magnífico. Percebo que toda segmentação, tecnologia e ciência nos fazem entender melhor o nosso corpo. Contudo, a percepção do corpo não pode ser expressas em palavras. Teorias e palavras não podem traduzir a sensação real dele, mas elas são necessárias. Creio que buscamos o imperfeito perfeito para expressar o indizível do saber corporal. Na volta para casa, conscientizo que às vezes é ótimo ter o que não pode ser explicado.

Natureza das formas

Às vezes o ser marginal possui a benção divina da natureza esférica. Mas isso são apenas formas físicas distintas, assim como quadrangular, piramidal, vertical etc. Percebo que dentro da pluralidade, a verdade é Una, pois cada ser possui a razão específica da sua forma. Creio que é nessa diversidade que a vida se torna encantadora.

Chomsky e as 10 Estratégias de Manipulação Midiática

Chomsky e as 10 Estratégias de Manipulação Midiática
Classificado em Internacional - Imperialismo
O lingüista estadunidense Noam Chomsky elaborou a lista das “10 estratégias de manipulação” através da mídia:

  1. A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.
    O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto 'Armas silenciosas para guerras tranqüilas')”.
  2. CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.
    Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.
  3. A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.
    Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.
  4. A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.
    Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.
  5. DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.
    A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestão, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.
  6. UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.
    Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…
  7. MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.
    Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossível para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.
  8. ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.
    Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…
  9. REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.
    Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!
  10. CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.
    No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.

Texto retirado neste link aqui. Yiuki Doi

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