Espaço para desvanecer a cada instante. Aqui se encontram textos, imagens e gráficos de vários autores. Sempre precisei colecionar o que eu chamo de figurinhas mágicas. São cartas que abrem novos horizontes e paisagens. Então, boa viagem ;)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Não se transplanta uma árvore velha. (Provérbio Alemão)

Einen alten Baum verpflanzt man nicht.

Einen (uma) alten (velha) Baum (árvore) verpflanzt (tranplanta) man (a gente, no sentido indefinido) nicht (não).

domingo, 27 de dezembro de 2009

Ausência de palavras - Osho

Se possível, viva uma experiência e não a fixe com quaisquer palavras, porque isso a tornaria estreita.

Você está sentado... é um anoitecer silencioso. O sol se foi, e as estrelas começam a aparecer. Simplesmente esteja presente. Nem mesmo diga: “Isso é belo”, porque no momento em que você diz que algo é belo, ele não é mais o mesmo. Ao dizer belo, você está introduzindo o passado, e todas as experiências que você disse serem belas coloriram a palavra.
Por que trazer o passado? O presente é tão vasto, e o passado tão estreito. Por que olhar por um buraco na parede, se você pode sair e olhar todo o céu?
Tente não usar palavras, mas, se precisar, seja muito cuidadoso em sua escolha, porque cada palavra tem uma nuança própria. Seja muito poético a esse respeito.


Retirado da capa de trás do livro:
Título Livro - Osho todos os dias – 365 meditações diárias
Autor: Osho
Editora: Vênus

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Habitar o corpo

Cada personagem possui sua batida de coração e esta impulsiona a musicalidade dos seus gestos, falas e ações. Os atores precisam escutar essa música e habitar o seu corpo.

Anotação feita por mim da oficina de Teatro Gestual do Dos à Deux no dia 20 de dez de 2009 no Espaço Cultural da Caixa.

P.S. Outra coisa linda que anotei na oficina: Escutar a musicalidade muda dos gestos é difícil.

A vida escapando

Quando envelhecemos e não conseguimos abrir a mão por perda de articulação e alongamento, isso significa que a vida está escapando pelas mãos… Yiuki

P.S. Aprendi na aula de ki-aikidô do Wilson Hideki Sagae.

Cozer a fruta na arvore

O sol precisa cozer a fruta na arvore para que ela fique doce e saborosa. Uma vez um senhor de idade me ensinou isso, são palavras lindas que até hoje não esqueço. Yiuki

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Fazer arte nos humaniza

Uma das coisas que diferencia o homem dos animais é a capacidade de produzir arte. Por isso é importante o hábito de fazer arte. Para isso não precisa ser um Picasso, Chico Buarque ou Saramago. A arte no dia-a-dia pode ser ser mais simples: cantar no chuveiro, fazer bordado, entrar num coral, cultivar jardins, etc. O que importa é fazer e sentir a arte da sua maneira particular. Fazendo isso nos tornamos pessoas mais agradáveis e melhores.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Os modos de relação do ser humano com o mundo

Os modos de relação do ser humano com o mundo são “as relações prático-utilitárias com as coisas; relação teórica; relação estética etc. Em cada uma dessas relações, modifica-se a atitude do sujeito para com o mundo, já que se modifica a necessidade que a determina e modifica-se, por sua vez o objeto que a satisfaz” (VÁZQUEZ, 1978, p.55)

Texto acima retirado do artigo da psicóloga Andréa Vieira Zanella: Sobre olhos, olhares e seu processo de (re)produção. In: Lúcia Helena Correa Lenzi; Sílvia Zanatta Da Ros; Ana Maria Alves de Souza; Marise Matos Gonçalves. (Org.). Imagem: intervenção e pesquisa. Florianópolis: Editora da UFSC, 2006, v. , p. 139-150.

Sobre a relação eu/outro

Vygotski (1986, p.82) esclarece que:

“Temos consciência de nós mesmos porque nós a temos dos demais e pelo mesmo procedimento através do qual conhecemos os demais, porque nós mesmo em relação a nós mesmos somos os mesmos que os demais em relação a nós. Tenho consciência de mim mesmo somente na medida em que para mim sou outro […]”

Nessa perspectiva, o encontro permanente é incessante com o outro possibilita reconhecer a pluralidade do que se é e do que se pode vir a ser (sobre a temática alteridade cf. ZANELLA, 2004a).

Texto acima retirado do artigo da psicóloga Andréa Vieira Zanella: Sobre olhos, olhares e seu processo de (re)produção. In: Lúcia Helena Correa Lenzi; Sílvia Zanatta Da Ros; Ana Maria Alves de Souza; Marise Matos Gonçalves. (Org.). Imagem: intervenção e pesquisa. Florianópolis: Editora da UFSC, 2006, v. , p. 139-150.

Sobre o olhar estético…

“Educação estética significa a “formação nos alunos de atitudes estéticas diante a realidade” (ESTÉVES, 2003, p.39), atitudes essas que se fundamentam em relação estéticas nas quais “[…] o humano como ‘centro de gravidade’ se desloca da realidade vivida’ para outra, a estética, mais plena e profundamente humana.” (VÁZQUEZ, 1999, p.152.

Pessoas concretas, marcadas pelas condições sociais e históricas que as forjaram podem estabelecer relações de variadas formas com a realidade, com os outros e consigo mesmos, relações essas que podem ser prático-utilitárias ou estéticas. Enquanto as primeiras caracterizam o plano cotidianidade, estas últimas destacam-se na medida em que possibilitam ao sujeito descolar-se da realidade vivida e imergir em outra, mediada por novos sentidos que contribuem para o redimensionamento e re-significação do próprio viver/existir.

Temos nos debruçado sobre essa questão, sobre os olhos que não apenas vêem, sobre olhares estéticos que fundamentalmente passeiam, fluem, que estabelecem relações. Não qualquer relação, mas sim relação estéticas que, como um dos modos de relação do homem com a realidade, consistem em uma experiência pautada  por uma sensibilidade que descola a ambos, sujeito e objeto, do imediato, da existência física e concreta. Ainda que subsistas, essa existência aparece como mera condição para a afirmação do ser humano em sua plenitude.

O olhar estético trata-se de

um olhar mais livre na sua apreensão significativa do mundo, pois busca outros ângulos de leitura, não para ver o objeto em sua pré-suposta verdade, mas procurando, na relação estética com ele estabelecida, produzir novos sentidos para a configuração de realidades outras. (REIS; ZANELLA; FRANÇA; DA ROS, 2004, P.10).

Olhares estéticos, portanto, dependem não somente da visão, mas fundamentalmente da relações que pessoas concretas estabelecem, por seu intermédio, com a realidade. Relações que são estéticas na medida que consistem em experiências pautadas por uma sensibilidade que descola a ambos, sujeito e realidade ad-mirada, do imediato, da existência física e objetiva. Ainda que subsista, essa existência aparece como mera condição para a afirmação do ser humano em sua plenitude.”

Trecho acima foi retirado do artigo da psicóloga Andréa Vieira Zanella:  Sobre olhos, olhares e seu processo de (re)produção. In: Lúcia Helena Correa Lenzi; Sílvia Zanatta Da Ros; Ana Maria Alves de Souza; Marise Matos Gonçalves. (Org.). Imagem: intervenção e pesquisa. Florianópolis: Editora da UFSC, 2006, v. , p. 139-150.

Notas para descondicionamento do olhar

Li o artigo “Sobre olhos, olhares e seu processo de (re)produção” da psicóloga Andréa Vieira Zanella e encontrei analises interessantes sobre o olhar. Eu coloquei o título acima para postar no meu blog, não faz parte do texto original. Para quem quiser o artigo na integra deixo no final a bibliografia dele.

  • Problematização de formas estereotipadas – é fundamental olhar para o que se repete, para as reificações que caracterizam nosso cotidiano e que nos cegam para as possibilidades de diferenças;
  • Convite à experimentação de outras formas de perceber e de expressar criativamente – o igual nunca é o mesmo, assim como nossos olhares não o são. Desse modo, a mesma realidade da qual participamos diariamente, os mesmo caminhos, os mesmos lugares, objetos e pessoas, sempre podem revelar o nunca visto, os detalhes despercebidos, os ângulos envoltos nas aparências da superfície, as diferenças em razão de cores, sabores, texturas, luminosidades. Nossos modos de expressão igualmente podem acolher novas possibilidades;
  • Desestabilização da segurança da percepção do sujeito – romper com o instituído não é tarefa fácil, pois abala certezas e convicções e nos lança diante de um novo, do imprevisto. Sacks(1995,p.132) explica que “Não se vê, sento ou percebe em isolamento – a percepção está sempre ligada ao comportamento e ao movimento, à busca e à exploração do mundo.” É difícil, portanto, desestabilizar percepções porque com isso nos lançamos por inteiro, como corpo, pensamento e emoção, diante do desconhecido, o que necessariamente vem acompanhado de angústia e incertezas. Essas, porém, são inevitáveis em processos de emergência de algum novo, sendo o sofrimento que as conota caracterizado por Vygotski (1990) como as “torturas da criação”.
  • Desafio à descoberta de novos traços, novas formas, novos sentidos – o cristalizado se objetiva de vários modos, porém em todos eles há a característica da negação da polissemia da vida. A vazão à proliferação de sentidos, bem como a reflexão sobre os caminhos éticos pelos quais enveredam é fundamental à re-significação de saberes e fazeres, à criação de novas formas de existências.

ZANELLA, A. V. . Sobre olhos, olhares e seu processo de (re)produção. In: Lúcia Helena Correa Lenzi; Sílvia Zanatta Da Ros; Ana Maria Alves de Souza; Marise Matos Gonçalves. (Org.). Imagem: intervenção e pesquisa. Florianópolis: Editora da UFSC, 2006, v. , p. 139-150.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

O CARMA FAMILIAR, CHAVE DO DESTINO HUMANO? ……………por Olavo de Carvalho


Revista Planeta, # 67, abril de 1978
[A expressão "Carma Familiar" foi cunhada pelo professor Olavo de Cavalho. Na aula de 27 de junho de 2009 do Seminário de Filosofia Online ele declarou que este artigo foi vertido para o francês e apresentado ao Dr. Lipot Szondi que concordou integralmente com seu conteúdo. Se alguém tiver essa versão francesa, poderia, por favor, me enviar uma cópia? -- D.M.]


O psiquiatra e humanista húngaro L. Szondi passou a vida tentando saber o que impedia a liberdade interior do Homem. Ele descobriu que as figuras dos antepassados permanecem vivas no inconsciente do indivíduo, forçando-o a repetir seus comportamentos e impedindo-o de escolher sua própria vida.

Talvez o símbolo mais popular da injustiça seja o lobo da fábula, que pune o carneiro pelos crimes hipotéticos de seus pais, avós ou bisavós. No entanto, cada um de nós carrega no coração um lobo que não descansa enquanto não pagamos com fracassos, doenças e humilhações, até o último erro e a última ignomínia real ou imaginária de nossos antepassados.

Isso pode parecer uma simples metáfora, mas é uma tese rigorosamente científica. É a teoria básica da Análise do Destino (Schicksalsanalyse), escola psicológica criada pelo psiquiatra e humanista húngaro L. Szondi. Embora pouco conhecida no Brasil, a Análise do Destino é um dos mais originais desenvolvimentos da teoria psicanalítica depois de Freud, Jung e Adler.

Szondi, que foi professor da Escola Superior de Psicopedagogia de Budapeste até que a invasão nazista o obrigasse a fugir para a Suíça (onde continua ativo aos 84 anos), passou a vida tentando responder a uma das questões mais dramáticas já formuladas a respeito da condição humana: por que as pessoas quase nunca conseguem agir da maneira que conscientemente desejam, e acabam fazendo outras coisas, que não tencionavam e que até procuravam evitar? Existe alguma força oculta mais poderosa do que a vontade? Existe algo assim como um destino? Será que o Homem nunca pode ser livre?

Em resposta a essas perguntas, Szondi criou uma grandiosa concepção psicológica e antropológica onde uma das chaves mais importantes é justamente a pesada influência dos antepassados sobre o destino, algo assim como um carma familiar que acompanha os indivíduos através da existência, levando-a, freqüentemente, a um desenlace trágico.

Analisando milhares de árvores genealógicas de cidadãos de Budapeste (onde era também diretor do Instituto de Genealogia), Szondi observou que determinados distúrbios psíquicos, sociais e somáticos pareciam repetir-se de geração em geração, como se uma compulsão misteriosa arrastasse os indivíduos à repetição eterna dos aspectos mais negros na vida de seus antepassados.

O que tem a ver a histeria com o jornalismo?

Além disso, as famílias pareciam distribuir-se em grupos claramente delimitados, onde a recorrência de certas doenças coincidia, por incrível que isto fosse, com a escolha das mesmas profissões. Para complicar ainda mais as coisas, as pessoas pareciam escolher seus cônjuges, e mesmo seus amigos, de preferência entre as famílias do mesmo tipo.

Isso levantava as mais estranhas hipóteses. Que tipo de parentesco poderia haver entre coisas tão aparentemente disparatadas como o eczema, a epilepsia e a profissão eclesiástica? Ou entre a depressão e a profissão de antiquário? Ou, ainda, entre a histeria e profissão de ator ou jornalista?

Szondi não recuou ante o absurdo aparente. Por mais diferente que fossem entre si, era evidentemente que as peças não se juntavam e separavam no tabuleiro unicamente segundo as leis do acaso. Tinha de haver uma regra nesse jogo maluco. Na tentativa de descobri-la, Szondi formulou as duas hipóteses básicas da Análise do Destino:

Primeira. Se as neuroses, conforme Freud tinha mostrado, eram manifestações “desviadas” dos instintos humanos, e se havia um parentesco entre essas doenças, as profissões e as escolhas de parceiros para o casamento e a amizade, era forçoso reconhecer que, por trás de todas essas manifestações, era a mesma necessidade instintiva básica que se expressava.

Segunda. Se cada tipo de necessidade instintiva se repetia de geração em geração, então era forçoso reconhecer que os instintos não pertencem unicamente à esfera individual (ou humana em geral), mas que têm também um caráter familiar. Ou seja, que ao lado do inconsciente pessoal descoberto por Freud, do inconsciente coletivo estudado por Jung e do inconsciente social (núcleo instintivo de uma dada comunidade cultural), descrito por Adler, devia existir ainda um inconsciente familiar.


O indivíduo carrega uma herança deixada por todos os seus antepassados.
As figuras dos ancestrais, cada um com seu comportamento e caráter determinado, 
permanecem vivas e ativas no inconsciente familiar, funcionando quase que 
como moldes ou padrões de comportamento da pessoa.

No inconsciente familiar o indivíduo carrega, em estado latente, todas as suas possibilidades de existência, modeladas por seus antepassados. As figuras dos ancestrais permanecem vivas e ativas, “quase como moldes e figuras, ou padrões de comportamento”, diz Szondi. Carregados de energia instintiva, esses padrões esforçam-se constantemente por manifestar-se. Szondi denomina isso pretensão dos ancestrais: os vários destinos possíveis – e freqüentemente contraditórios entre si – modelados pelos antepassados forçam o indivíduo a imitá-los, a repeti-los, e tudo quanto o indivíduo pode fazer é escolher ora um, ora outro entre os vários modelos herdados.

Aí surgia, porém, a pergunta: por que alguns indivíduos expressavam a pretensão dos ancestrais ficando doentes, enquanto outros limitavam-se a escolher determinada profissão ou a casar com determinado tipo de parceiro? Foi assim que Szondi chegou à terceira hipótese: a da luta perpétua entre compulsão e liberdade no homem.

Um caminho que vai da compulsão à liberdade

Se o Homem, diz Szondi, recebe pronta uma determinada estrutura instintiva básica, com todas as suas exigências e conflitos, nem por isso está fixada de uma vez para sempre a sua maneira, a sua fórmula pessoal de expressá-la. Esta será determinada, em parte, pelo ambiente social e cultural (também herdado dos antepassados) e em parte pelas escolhas conscientes do próprio indivíduo. Conforme o maior predomínio de uma ou de outra dessas ordens de fatores, haverá nos termos de Szondi, um destino compulsivo ou um destino de livre escolha. O caminho da compulsão à liberdade é o destino da vida humana. Numa das pontas do caminho, está a doença, a neurose ou psicose, que é a vitória absoluta das pretensões inconscientes dos antepassados sobre a consciência. Na outra ponta, a vitória da consciência.

O ego, diz Szondi, é a instância que, amparada pela mente consciente, governa as nossas escolhas. Ele opta, a cada instante, entre a repetição mecânica do destino compulsivo e a expressão deliberada, consciente, fundada em valores universais, e humanizada enfim. Daí provém toda a distância que separa “parentes” genéticos como o criminoso epilético e o sacerdote, o esquizofrênico delirante e o físico-matemático, o doente histérico e o orador político, o jornalista ou o ator. Iguais em sua estrutura instintiva básica, o homem doente e o homem são diferem unicamente na reação do seu ego ante a escolha básica: o mundo “escuro” e maligno das pulsões inconscientes, o mundo “luminoso” dos valores universais.

No entanto, o ego não cria a nossa liberdade negando as tendências herdadas, mas compreendendo-as, assimilando-as, orientando-as e expressando-as de maneira socializada (adaptada aos padrões da comunidade), ou, melhor ainda, numa instância superior, humanizada (identificada a valores universais).

Por isso mesmo, a escolha livre do ego é o mecanismo básico da psicoterapia concebida por Szondi. O psicoterapeuta szondiano (no Brasil não chegam a trinta), pocura conscientizar o indivíduo a respeito dos seus padrões familiares de comportamento, mostrando-lhe a possibilidade de uma nova vida livremente escolhida, e em seguida estuda com o paciente uma maneira mais adequada de expressar e aliviar as pretensões dos ancestrais, por exemplo mudando de profissão ou de ambiente social. Depurando a canga instintiva e orientando-a no sentido da realização humanizada, a terapia szondiana é um trabalho verdadeiramente alquímico de transmutação interior, no qual a mesma força que desequilibrou o paciente é usada para curá-lo.

Mas antes de saber quais as peças que o terapeuta e o paciente remexem no imenso tabuleiro dos instintos e de suas formas de expressão, é preciso saber como surgiram essas hipóteses na mente de Szondi.

Era como a sogra: queria matar os filhos.

A exposição lógica que acabo de fazer pouco tem a ver com a verdadeira ordem das descobertas na Análise do Destino.

Embora sempre amparada a posteriori em massas enormes de estatísticas e observações clínicas, as idéias de Szondi não nasceram da coleção de fatos isolados, mas de uma série de “impactos cognitivos” que levaram o mestre húngaro a uma sucessão de intuições fulgurantes sobre o fenômeno humano.

O mais conhecido desses impactos foi um acontecimento corriqueiro, narrado pelo ex-aluno de Szondi, dr. Juan Muller, psicólogo argentino radicado no Brasil, em seu livro Alquimia Moderna (São Paulo, Cupolo, s/d). Certa vez apareceu no consultório de Szondi um casal: a mulher sofria de crises depressivas motivadas pelo temor injustificado de matar os filhos, a quem amava. Szondi observou casualmente que já havia tido a oportunidade de tratar de uma senhora com sintomas semelhantes, numa cidadezinha distante 200 quilômetros da capital. Espantado, o marido da paciente pulou da cadeira:

– Mas essa paciente que o senhor descreve é minha mãe!

Daí surgiu a hipótese do libidotropismo (escolha de parceiro amoroso segundo o medelo ancestral), que foi uma das pedras angulares da Análise do Destino.

Outro impacto ocorreu quando Szondi estava para se casar e percebeu que sua noiva era quase uma cópia da mulher de um de seus irmãos. Szondi era de origem modesta, filho de um sapateiro. Seu irmão, jovem talentoso, havia atirado fora a oportunidade de uma brilhante carreira profissional ao casar-se com uma mulher que parecia empenhada em atormentar-lhe a existência. Ao notar que estava prestes a repetir esse destino, Szondi desistiu de casar e preferiu continuar os estudos. Mais tarde fez uma casamento feliz com outra mulher, mas esse fato lhe deu uma dimensão do conflito entre o desejo de liberdade e auto-realização e a tendência compulsiva de repetição. Deu-lhe ainda a visão do papel decisivo da escolha na determinação do destino.

O terceiro impacto foi a guerra.

Judeu de origem, Szondi teve de fugir às pressas com a família, enquanto vários de seus amigos e colaboradores eram presos, mortos ou deportados. Anos depois, ele teve a oportunidade de estudar – pessoalmente ou através de uma vasta rede de assistentes – a personalidade de criminosos de guerra, como Adolf Eichmann e Marton Zöldi (este, um coronel da polícia que durante a ocupação mandara matar pessoalmente milhares de sérvios e judeus em Budapeste).

Caim simboliza o desejo de poder, de ter e de ser.

Essa experiência gerou nele um profundo interesse pelo problema do mal em todas as suas formas. Daí nasceu a concepção absolutamente genial do Complexo de Caim, que é a chave de toda a filosofia ética szondiana.

“Caim rege o mundo”, escreve ele. “A quem duvida, aconselhamos o estudo da história universal. O historiador não oculta que a essência da história é a luta. Não oculta que a história não é a realização de um contínuo processo desde baixo até o alto, do mau ao bom, da escravidão à liberdade. Sua opinião é que a história é, antes, uma linha tortuosa de crueldades. A história registra quando um povo crucifica ou queima profetas e santos, tribunos e missionários. Ao cabo de milhares e milhares de anos, não diminui a atividade assassina de Caim. O fratricídio é infinito.”

Observando que o ódio ao pai acompanhado de paixão pela mãe é característico apenas de certas culturas, enquanto o ódio entre semelhantes, o desejo de matar os irmãos, é universal, Szondi afirma que o Complexo de Caim, tal como está descrito no mito bíblico, é um fenômeno mais profundo e abrangente do que o Complexo de Édipo descrito por Freud segundo a mitologia grega.

Mas Caim não é apenas o impulso assassino, é também o desejo de auto-afirmação, o desejo de poder, de ter e de ser. Por isso, pode transformar-se numa foca civilizadora, transmutando-se em Complexo de Moisés: o Homem violento e passional a serviço da justiça divina.

Na tradição judaica, concede-se muita importância ao fato de que na narrativa bíblica foram os descendentes de Caim (e não os de Abel) os fundadores de cidades, os civilizadores do mundo antigo, como se o arrependimento conduzisse esses homens, hereditariamente violentos, a canalizar sua imensa energia para finalidades construtivas. Por isso o “sinal de Caim”, a marca na testa que segundo a tradição lendária assinala a descendência do irmão assassino, tanto pode ser interpretada como indício de que se trata de um Homem violento, quanto como garantia de que esse Homem decidiu interromper a seqüência de iniqüidades de seus antepassados e dedicar-se doravante ao bem, à cultura, às leis, à humanização.

Na psicologia szondiana o tipo cainita pode ser tanto o criminoso epilético quanto o reformador moral tipo Moisés e Savonarola. No romance de Herman Hesse, Demian, a marca de Caim aparece como um sinal dos seres superiores, onde algo de diabólico coexiste estranhamente com um traço de humanitarismo e de criatividade divina.


Os instintos não pertencem apenas ao indivíduo, mas tem um caráter familiar
Ao lado do inconsciente pessoal descoberto por Freud, do inconsciente coletivo identificado por 
Jung e do inconsciente social descrito por Adler, Szondi estabeleceu a existência do que 
chamou de inconsciente familiar.

O mecanismo da transformação de Caim em Moisés é a própria essência da terapia szondiana. Mas todos os instintos humanos, e não somente a paixão assassina do cainista, afirma Szondi, podem seguir essa trajetória, pois todos podem ser sempre vivenciados de duas maneiras opostas.

Com pares de opostos, ele monta o jogo do destino.

Esse confronto de significados opostos atribuídos ao mesmo instinto é a base para a descrição que Szondi faz dos instintos humano – e, portanto, dos tipos de caráter e destino. Montando pares de opostos, ele constrói assim o tabuleiro onde se distribuem as peças para o jogo do destino.

Szondi reconhece a existência de quatro “vetores” – instintos básicos:
● a pulsão sexual;
● a pulsão paroxística (tendência a acumular e descarregar energias);
● a pulsão do ego (pulsão de escolher o próprio destino) e
● a pulsão de contato (instinto social).

Cada um desses vetores pode ser vivido de duas maneiras contraditórias, traduzindo-se, portanto, em oito necessidades pulsionais:

A pulsão sexual, por exemplo, contém em si as necessidades opostas de feminilidade e masculinidade, presentes em todo ser humano.

A pulsão paroxística contém as necessidades pulsionais de sentimento ético (necessidade de estar moralmente “certo”) e a necessidade de exibir-se, de fazer-se valor socialmente.

A pulsão do ego comporta a egossístole (retração do ego, possessividade, realismo) e egodiástole (expansão do ego, necessidade de crescer, de ser mais em contraposição ao ter da egossístole).

A pulsão de contato, por sua vez, comporta as necessidades opostas de mudar, de transformar-se, de adquirir novos valores e a necessidade de apoio, de apegar-se a algo ou alguém.

Cada necessidade pulsional, por sua vez, pode ser afirmada ou negada pelo indivíduo, gerando assim 16 tipos diferentes de tendências impulsivas que se alternam, aproximam. Afastam, combinam e combatem na sua alma. Isto resulta na sua configuração instintiva pessoal, que se organiza em cada momento da sua vida em torno de determinadas linhas básicas. (No quadro, a lista completa das tendências).

Cada tendência instintiva, por seu lado, pode ser vivida de inúmeras maneiras, que vão desde a doença até a profissão. A tendência para a sensibilidade individual (amor pessoal), por exemplo, pode ser vivida sob o aspecto de doença (homossexualismo masculino) ou sob o aspecto normal de apego a uma determinada pessoa, ou ainda ser socializada através da profissão (trabalhos que exijam manifestação direta do carinho e atenção).

“Cains de tinteiro” – uma
forma de socializar o ódio.

A tendência cainita para o mal (vingança, ódio) pode ser vivenciada sob o aspecto criminoso ou doentio, ou canalizada para uma profissão (os “Cains de tinteiro”, na expressão de Szondi: comentaristas de imprensa hipercríticos e mordazes, são um bom exemplo).

O número de combinações possíveis é imenso, e Szondi completa o quadro com análises das tendências instintivas inerentes a cada profissão. O repertório completo dos tipos profissionais e humanos e suas intermutações é um instrumento de análise social dos mais impressionantes já concebidos. À luz da teoria szondiana, a sociedade como um conjunto aparece como um gigantesco aparado destinado a reorientar, ordenar e dirigir os instintos, e dotada de uma inventividade quase infinita para a arte combinatória que transforma tendências sociais aceitáveis, e vice-versa: um imenso Caim-Moisés e combinando e recombinando necessidades e possibilidades, instintos e valores em busca da harmonia e da liberdade, e tropeçando a cada passo em novas formas de velhos obstáculos: a violência e o mal. É um quadro grandioso e sinfônico dos esforços do homem pela sua humanização.

Aí entra aquela que é talvez a mais impressionante das intuições de Szondi, que o levou a criar um teste psicológico ( o Diagnóstico Experimental dos Instintos ou Teste de Szondi), que é ao mesmo tempo aplicação e resumo da sua doutrina.

Essa intuição nasceu numa espécie de devaneio ou sonho, em que Szondi imaginou que o conflito eterno das combinações instintivas no coração do homem sob a forma de personagens, rostos humanos que entravam e saíam de cena conforme esta ou aquela tendência instintiva vencesse ou fosse vencida. Szondi imaginou, então, que os instintos básicos se expressavam no rosto das pessoas (antecipando assim as idéias atuais sobre o “inconsciente visível”), e que aceitar ou rejeitar determinada pessoa equivalia a aceitar ou rejeitar determinada tendência instintiva em si mesmo.

A partir daí, Szondi elaborou a imagem visual da sua doutrina. Como um artista que não se contenta com as idéias abstratas, mas quer realizar a proeza de dar-lhes forma concreta e sensível, Szondi passou a procurar aqueles rostos que havia vislumbrado, e que seriam a tradução exata da sua concepção. Para isso, examinou e testou nada menos de 80 mil fotografias de rostos humanos, até achar aqueles nos quais instintivamente toda e qualquer pessoa pudesse reconhecer, conscientemente ou não, a presença de determinada tendência.

Um teste que resume as possibilidades do indivíduo

A criação do Teste das Fotografias foi um ato de ousadia intelectual, pois somente os maiores gênios da humanidade conseguem vislumbrar um significado universal em suas visões interiores e depois comprovar com testes científicos que esse significado é verdadeiro. O Teste de Szondi não só fornece um quadro adequado das tendências que o paciente aceita ou rejeita em si mesmo como também – o que é mais espantoso – quando o terapeuta pede que o paciente invente uma biografia para uma das figuras, a história inventada quase sempre coincide com o caráter e a doença da pessoa que está na fotografia.

Szondi demonstrou, assim, que não apenas sua intuição a respeito da equivalência entre expressão e tendência era essencialmente verdadeira, mas que essa intuição era virtualmente a mesma em todas as pessoas, conscientizada ou não.

O teste é, em si mesmo, um resumo das possibilidades do destino individual. Como tem 48 fotografias, um psicólogo americano o chamou “As 48 faces do destino”.

Qual o valor último da obra de Szondi? Depois de um sucesso inicial, o prestígio da Análise do Destino nos anos 50-60 porque muitos psicólogos julgavam sem fundamento a sua insistência na herança genética. Mais tarde, a psicóloga norte-americana Susan Deri mostrou que, independentemente da explicação genética, o teste de Szondi – e portanto sua teoria – funcionava, na prática, para obter diagnósticos muito precisos e profundos.

Hoje, muitos discípulos de Szondi, como o belga Claude van Reeth, preferem falar de um discurso familiar em vez de transmissão genética, julgando que o carma familiar se transmite através de puras significações inconscientes e não por via genética. Essa questão continua em aberto, mas não invalida o fato de que, com Szondi, a realidade inegável do carma familiar ingressou na consciência moderna.

O culto dos antepassados parece hoje um costume bárbaro de épocas remotas. Entretanto, ele cumpria um papel psicológico indispensável: libertava o indivíduo dos fantasmas do passado e o deixava livre para escolher sua existência. Cultuando seus pais e avós, o antigo apaziguava suas exigências, vivas no seu inconsciente pessoal, e assegurava o predomínio da consciência clara, que é um pressuposto da sobrevivência humana.

Numa era de racionalismo, esse trabalho já não pode ser feito mediante práticas rituais que as pessoas julgariam entre bárbaras e cômicas. Tem de ser feito por meios científicos. A psicoterapia szondiana cumpre hoje esse papel, e ela o tem feito com brilhantes resultados. Ela recupera um antigo conhecimento e o transmuta em linguagem científica, reconstituindo e reinstaurando um rito de purificação dos instintos para a libertação do Homem. E, nesse rito, Szondi é o sumo sacerdote.

O QUE LER

1. L. Szondi, Tratado del Diagnóstico Experimental de los Institutos. tr. argentina de F. Soto Yarritu, Buenos Aires, Bibl. Nueva, 1948.

2. L. Szondi, Introdução à Psicologia do Destino, tr. brasileira de Juan A. C. Muller, São Paulo, Manole, 1975.

3. L. Szondi, Cain y el Cainismo en la Historia Universal, tr. argentina de F. Soto Yarritu, Buenos Aires, Bibl. Nueva, 1975.

4. Max B. Painton, A Clinical Validation of the Szondi-Test, Bern, Hans Huber, 1973.

5. Juan Alfredo César Müller, Alquimia Moderna (Transpsicologia I), São Paulo, Cupolo. s/d.

6. Id., A Magia da Vida (Transpsicologia II), São Paulo, Aldeia, s/d.

7. Id., “Mutações dos sintomas pelo teste de Szondi”, em Acta Psychologica Szondiana Brasiliense, I:3.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

di…s..t…ân…c..i…a………s

O entre. O percurso. O rastro.
O movimento deixa instantes rasgados no ar.
O espaço entre dois pontos é a distância.
A distância a partir de um ponto é o infinito.
Quantos passos daí até aqui?

Nina Monteiro para release do IMP 2009: Alexandre Zampier, Camila Oldoni, Daniel Kleiber, Gabriel Machado, Lyncoln Diniz, Maíra Lour, Nina Monteiro e Thaísa Marques

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Viver

Você não pode escolher como vai morrer ou quando. Você só pode decidir como vai viver agora. Joan Baez - Cantora

Trabalho, amor e dança

"Trabalhe como se não precisasse do dinheiro. Ame como se nunca tivesse sido magoado. Dance como se ninguém estivesse a ver." Satchel Paige

Se deixar cortar…

Aprendi com as primaveras a me deixar cortar para poder voltar inteira. Cecília Meireles

SER – Raimundo Gadelha

Queria só ser
Não queria ter que ser
Ninguém tem que ser
Ser, naturalmente ser
e solto acontecer.
(Raimundo Gadelha)

Arrumando as coisas encontrei um papel com essa poesia que anotei na minha adolescência. Vou jogar fora o papel, mas engraçado, quis deixar postado para mais tarde revisitar o texto. Será que estou ficando velho? Yiuki

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

RESPIRAÇÃO DIAFRAGMÁTICA – Yiuki Doi

Para fazer essa respiração natural precisamos entender sobre uma parte do nosso corpo chamada bacia. Esse nome popular não é acaso e por meio dela podemos compreender que ela serve para  acomodar os nossos órgãos internos, coluna vertebral e todo o peso do membro superior. Parece simples, mas não é, pois precisa de consciência corporal. Segue alguns passos para quem já possui um trabalho corporal:

  • Precisamos ficar em pé alinhado: Os pés na largura da bacia alinhado com o quadril e os ombros.
  • Precisamos sentir bem o peso do corpo nos pés. O peso não pode concentrar nem nos dedos, nem nos calcanhares, deve ser distribuídos pelo pé inteiro.
  • Deve-se relaxar os órgãos internos como se fosse um liquido dentro da bacia.
  • Agora precisamos entender outra coisa: Como a coluna vertebral é encaixada na bacia. Simplificando eu costumo explicar que é como uma agulha que deve ficar em pé equilibrado no meio da bacia.

    A56-2_L_coluna-classica-flexivel-com-costelas-e-cabecas-de-femur A794_L_bonelike-coluna-vertebral
  • Cada um de nós possuí coluna diferente com desvios particulares. Então cada pessoa precisa encontrar o angulo que encaixe bem a sua coluna na bacia. A idéia é não forçar, nem amassar nenhuma das articulações. Imaginar espaço e ar entre nas articulações ajudam a encontrar o angulo correto.

coluna

pontos de forças coluna

  • O acomodamento é gostoso e até conseguimos sentir o sacro empurrando para os lados o quadril e a bacia.

sacro bacia

  • Bom, sabendo acomodar tranquilamente os órgãos internos e a coluna na bacia, isso abre espaço para que o diafragma expanda e recolha naturalmente. Não precisamos esforçar para fazer esta respiração, pois ela é natural. Veja como funciona isso:

SOLUO_~1

diafragma

  • O que eu descobri é que não precisa forçar, simplesmente relaxar e encaixar a coluna abrindo espaço para o diafragma. Fazendo isso teremos essa respiração. Uma boa postura e uma consciência corporal dos músculos e dos órgãos internos fazem com que respiremos bem.
  • Descobrir que a respiração natural muda quando estamos deitados é um exercício interessante também.
  • Não tenho referencia teórica, tudo é intuitivo e aprendi fazendo aula de dança contemporânea.

PS: Coincidentemente um dia depois de postar esse assunto, uma amiga me convidou para fazer aula de Técnica de Respiração com Wilson no CENTRO DE DESENVOLVIMENTO DE KI de Curitiba. A aula é excelente. Acho que melhora a qualidade de vida de qualquer pessoa. Aprendi coisas novas lá que conhecido meu da dança contemporânea tinha me esclarecido, quem se interessar segue o endereço e o contato:

CENTRO DE DESENVOLVIMENTO DE KI
Rua 7 de abril, 830, 2° andar - Alto da XV - Curitiba - PR - Tel: (41) 3263 1217

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

BOOOOHHHNNNMMM: O barato do corpo

Adoro quando o corpo se expande, vibra e faz um Booohhhhnnnmmmmm depois de dançar. As células, os fios de cabelos e os meus órgãos internos entram numa freqüência e ficam atentos e perceptivos. Sinto um estado de ressonância que é diferente de um corpo serelepe. Nesse momento parece que todas minhas partes querem dançar com o vazio e o silêncio que existem entre elas. É como se fosse um Pas de Deux com o Divino.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

PERDOANDO A SEUS PAIS - Osho

Algo que aprendi com o Osho e observando a vida. Independente de tudo, enquanto não fazemos as pazes com nossos pais estaremos longe de conhecer a paz de espírito. Sem essa serenidade não conseguiremos viver plenamente as possibilidades que a vida nos aguarda com as demais pessoas. Deixo aqui o texto do Osho que me fez entender melhor isso. Yiuki

PERDOANDO A SEUS PAIS
Perdoar aos pais é uma das coisas mais difíceis, porque eles o geraram. Como você pode perdoar-lhes?
A menos que você comece a amar a si mesmo, a menos que chegue a um estado no qual você fique impressionado com o seu ser, como poderá agradecer a seus pais? Isso é impossível. Você ficará com raiva; eles o geraram e nem mesmo lhe pediram permissão primeiro. Eles criaram essa pessoa horrorosa. Por que você deveria sofrer por eles terem decidido dar à luz uma criança? Você não participou da decisão. Por que você foi arrastado para o mundo? Daí o rancor.
Se você chegar a um ponto em que possa amar a si mesmo, em que fique realmente extasiado por existir, em que sua gratidão não conheça limite, subitamente surgirá um grande amor surgindo para com seus pais. Eles foram as portas para você entrar na existência. Sem eles, esse êxtase não teria sido possível – eles o tornaram possível.
Se você puder celebrar o seu ser – e este é todo o propósito do meu trabalho: ajudá-lo a celebrar o seu ser -, subitamente poderá sentir gratidão a seus pais, pela compaixão e amor deles. Você poderá não só sentir grato, mas também perdoar-lhes.

Osho

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Não basta ser honesto na vida…

Compreendi que nem sempre basta ser honesto na vida, pois muitas vezes isto baseia na troca de valores. Precisamos ultrapassar esse ponto e nos doar em tudo que fazemos. Creio que viver pode ser mais simples, pois existem coisas que não se perdem, não são usurpadas ou arruinadas; elas simplesmente nascem dentro de nós o quanto permitirmos. Quando conscientizarmos disso a generosidade e a graça se manifestarão naturalmente. Yiuki

PS1: Sentimento, intuição, fé, vontade, humor, inspiração e imaginação também usam essa lei espiritual, o uso delas simplesmente iluminam o nosso olhar e aquecem o nosso coração.



PS2: Quem faz por troca depende do externo. Quem entende que os valores mais plenos nascem dentro da gente possui a fonte ilimitado da vida.

Centro - William James

"As ondas turbulentas das superfície agitada deixam imperturbáveis as partes profundas do oceano - e, àquele que firma em realidades mais vastas e permanentes, as vicissitudes do momento, do seu destino pessoal, parecem coisas relativamente insignificantes." William James

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Olhar – Sergio Fingermman

Me ensinaram a olhar.
Olhar para alguma coisa e ter a
Sensação de que
O olhar circunscreve algo,
Como faz o círculo,
Onde cada coisas vista, real, fica presa.
Por muito tempo, de diversas
Formas,
Persegui esse real,
Procurando, numa espécie de
Justeza para com as coisas,
Dar testemunho do que me acontecia.
É preciso para isto muita atenção,
Persistência, rigor.
É preciso ver diferentemente do
Que se vê.
Ver o que é anterior à vontade.
Enxergar no visível sinais invisíveis.
Ver o que está em estado puro.
Ver o ver.

Poesia anotado na exposição “Elogio ao Silêncio – e outras fábulas” do Sergio Fingermann no MON, dia 01/11/2009. Yiuki

Site oficial: http://www.sergiofingermann.com.br/

Silêncio – Sérgio Fingermman

Se nos calarmos, outros ruídos começam.
Às vezes, eu me calo, pois as palavras nos
Tornam surdos de cegos.
Eu me dou conta de que a cada ano tenho
Falado mais baixo, mais lentamente.
As pausas tem sido mais longas entre as
Palavras, as frases, as silabas.
O silêncio dá significado às palavras, às imagens.
Foi sempre assim?
Como isso se passava em outros tempos?
Desde quando o tempo fez-se espaço?
O silêncio faz um lugar?
Que escadas, que andaimes constroem o silêncio?
Onde o silêncio principia?
Onde ele começa é claro ou escuro?
É no silêncio que se ouvem as vozes dos deuses?
Que lugar faz o silêncio?

Poesia anotado na exposição “Elogio ao Silêncio – e outras fábulas” do Sergio Fingermann no MON, dia 01/11/2009. Yiuki

Site oficial: http://www.sergiofingermann.com.br/

domingo, 1 de novembro de 2009

Silêncio - Sergio Fingermman

Há chamados do silêncio.
Há sentimentos que vem de lá
Ou, então, são feitos ali.
No silêncio pensamos sem palavras.

Sergio Fingermann

Poesia anotado na exposição “Elogio ao Silêncio – e outras fábulas” do Sergio Fingermann no MON, dia 01/11/2009. Yiuki

Site oficial: http://www.sergiofingermann.com.br/

Saudades

“ Às vezes, sinto saudades das coisas antes que elas acabem, e, nesses momentos, sempre penso que essa saudade é, na verdade, o desejo de manter esse momento que passa [tão rápido!] dentro de mim, quando ele já não pode mais existir fora de mim...” Camila Amatti

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Florescer no deserto

No mundo material algo seca e pronto... Mas as leis espirituais ou emocionais são diferentes, eles podem nascer do vazio pois precedem a própria matéria. Por isso simplesmente amamos, temos fé, a intuição e, principalmente, temos a nossa vocação. É a abertura pessoal canalizando a luz divina. Então para algo que se perde, outro pode florescer exuberantemente. Basta sentir, conduzir e permitir a florescer.

P.S. Em homenagem à flor gira-sol que lembra uma pessoa especial.

“Eu quero” nem sempre é o “Eu necessito”…

Semana passada uma amiga ensinou-me algo genial que também me fez entender melhor uma pessoa depressiva. Ela disse que hoje em dia as pessoas querem muitas coisas e a própria sociedade cria circunstância para esses quereres; seja estes casa, dinheiro, sucesso, beleza, carro, etc. Mas ela comentou que o “eu quero” nem sempre é o “eu necessito”. Muitas vezes não sabemos o que necessitamos e as pessoas de fora ou as mais vividas conseguem visualizar melhor o que precisamos – ou seja, precisamos ter humildade em relação as convicções dos nossos quereres. Desenvolvendo essa idéia por antonímia, então, eu compreendi que o contrário acontece com as pessoas depressivas, elas não querem nada; não quer sair, não quer trabalhar, não quer monte de coisas. Mas também nesse caso acontece o mesmo, o “não querer” não significa o “não necessitar”. Depois dessa dica consegui compreender que precisamos diferenciar melhor os impulsos carnais e mundanos da nossa real necessidade espiritual.

P.S. Sei que existem doenças emocionais, biológicas e mentais... para cada caso deve haver um caminho específico para entender as necessidades, cada um deve procurar o seu caminho... Às vezes é tomar remédio mesmo :(

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Tornar mais permeável aos signos da natureza

"o impulso para a escrita é determinado por um elemento exterior, onde o homem perde um pouco as fronteiras do cotidiano e do racional e se torna mais permeável aos signos da natureza.” posfácio do livro S. Bernardo

terça-feira, 27 de outubro de 2009

CIÊNCIA

Os três elemento-chave na ciência são observação, análise e duplicação.

Referência >>> Homen-aranha: A ameaça do Escavador n°27 pg 16

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

SABER

Etimologia
SABER: lat. sapìo,is,ùi,ívi (ou ìi eí),ère 'ter sabor, ter bom paladar, ter cheiro, sentir por meio do gosto, ter inteligência, ser sensato, prudente, conhecer, compreender, saber'; ver sab-; f.hist. 991 sabere, sXIII saber (Dicionário Houass da lingua portuguesa)

Saber possui relação com o paladar, pois de todos os sentidos este é o que precisa de mais coragem. Quem ouve imagina, quem vê analisa, quem toca averigua, quem cheira seleciona, quem saboreia se arrisca em apreciar. O saber é colocar o incerto dentro de ti, mesmo que possa vomitar, pois é nesse risco que se encontra o deliciar.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

SABER

Não basta ser, precisamos saber e deliciar. Yiuki Doi

ESPAÇO PARA O CORAÇÃO

Descobri que o coração precisa ter espaço para bater. Precisamos relaxar ao redor dele para que ele possa pulsar naturalmente. Muitas pessoas não vão entender isso ou fazem sem saber, mas isso pode ser uma consciência corporal. Yiuki Doi

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

ESCUTATÓRIA - Rubem Alves

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular.

Escutar é complicado e sutil. Diz o Alberto Caeiro que “não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma“. Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Aí a gente que não é cego abre os olhos. Diante de nós, fora da cabeça, nos campos e matas, estão as árvores e as flores. Ver é colocar dentro da cabeça aquilo que existe fora. O cego não vê porque as janelas dele estão fechadas. O que está fora não consegue entrar. A gente não é cego. As árvores e as flores entram. Mas - coitadinhas delas - entram e caem num mar de idéias. São misturadas nas palavras da filosofia que mora em nós. Perdem a sua simplicidade de existir. Ficam outras coisas. Então, o que vemos não são as árvores e as flores. Para se ver e preciso que a cabeça esteja vazia.

Faz muito tempo, nunca me esqueci. Eu ia de ônibus. Atrás, duas mulheres conversavam. Uma delas contava para a amiga os seus sofrimentos. (Contou-me uma amiga, nordestina, que o jogo que as mulheres do Nordeste gostam de fazer quando conversam umas com as outras é comparar sofrimentos. Quanto maior o sofrimento, mais bonitas são a mulher e a sua vida. Conversar é a arte de produzir-se literariamente como mulher de sofrimentos. Acho que foi lá que a ópera foi inventada. A alma é uma literatura. É nisso que se baseia a psicanálise...) Voltando ao ônibus. Falavam de sofrimentos. Uma delas contava do marido hospitalizado, dos médicos, dos exames complicados, das injeções na veia - a enfermeira nunca acertava -, dos vômitos e das urinas. Era um relato comovente de dor. Até que o relato chegou ao fim, esperando, evidentemente, o aplauso, a admiração, uma palavra de acolhimento na alma da outra que, supostamente, ouvia. Mas o que a sofredora ouviu foi o seguinte: “Mas isso não é nada...“ A segunda iniciou, então, uma história de sofrimentos incomparavelmente mais terríveis e dignos de uma ópera que os sofrimentos da primeira.

Parafraseio o Alberto Caeiro: “Não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma.“ Daí a

dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. No fundo somos todos iguais às duas mulheres do ônibus. Certo estava Lichtenberg - citado por Murilo Mendes: “Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas.“ Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos...

Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos, estimulado pela revolução de 64. Pastor protestante (não “evangélico“), foi trabalhar num programa educacional da Igreja Presbiteriana USA, voltado para minorias. Contou-me de sua experiência com os índios. As reuniões são estranhas. Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. (Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, como se estivessem orando. Não rezando. Reza é falatório para não ouvir. Orando. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas. Também para se tocar piano é preciso não ter filosofia nenhuma). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial.

Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito. Pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que julgava essenciais. Sendo dele, os pensamentos não são meus. São-me estranhos. Comida que é preciso digerir. Digerir leva tempo. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se falo logo a seguir são duas as possibilidades. Primeira: “Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou.

Enquanto você falava eu pensava nas coisas que eu iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado.“ Segunda:

“Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou.“ Em ambos os casos estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: “Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou.“ E assim vai a reunião.

Há grupos religiosos cuja liturgia consiste de silêncio. Faz alguns anos passei uma semana num mosteiro na Suíça, Grand Champs. Eu e algumas outras pessoas ali estávamos para, juntos, escrever um livro. Era uma antiga fazenda. Velhas construções, não me esqueço da água no chafariz onde as pombas vinham beber. Havia uma disciplina de silêncio, não total, mas de uma fala mínima. O que me deu enorme prazer às refeições. Não tinha a obrigação de manter uma conversa com meus vizinhos de mesa. Podia comer pensando na comida. Também para comer é preciso não ter filosofia. Não ter obrigação de falar é uma felicidade. Mas logo fui informado de que parte da disciplina do mosteiro era participar da liturgia três vezes por dia: às 7 da manhã, ao meio-dia e às 6 da tarde. Estremeci de medo. Mas obedeci. O lugar sagrado era um velho celeiro, todo de madeira, teto muito alto.

Escuro. Haviam aberto buracos na madeira, ali colocando vidros de várias cores. Era uma atmosfera de luz mortiça, iluminado por algumas velas sobre o altar, uma mesa simples com um ícone oriental de Cristo. Uns poucos bancos arranjados em “U“ definiam um amplo espaço vazio, no centro, onde quem quisesse podia se assentar numa almofada, sobre um tapete. Cheguei alguns minutos antes da hora marcada. Era um grande silêncio. Muito frio, nuvens escuras cobriam o céu e corriam, levadas por um vento impetuoso que descia dos Alpes. A força do vento era tanta que o velho celeiro torcia e rangia, como se fosse um navio de madeira num mar agitado. O vento batia nas macieiras nuas do pomar e o barulho era como o de ondas que se quebram.

Estranhei. Os suíços são sempre pontuais. A liturgia não começava. E ninguém tomava providências. Todos continuavam do mesmo jeito, sem nada fazer. Ninguém que se levantasse para dizer: “Meus irmãos, vamos cantar o hino...“ Cinco minutos, dez, quinze. Só depois de vinte minutos é que eu, estúpido, percebi que tudo já se iniciara vinte minutos antes. As pessoas estavam lá para se alimentar de silêncio. E eu comecei a me alimentar de silêncio também. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro.

Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir. Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras. E música, melodia que não havia e que quando ouvida nos faz chorar. A música acontece no silêncio. É preciso que todos os ruídos cessem. No silêncio, abrem-se as portas de um mundo encantado que mora em nós - como no poema de Mallarmé, A catedral submersa, que Debussy musicou. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Me veio agora a idéia de que, talvez, essa seja a essência da experiência religiosa - quando ficamos mudos, sem fala. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar. Para mim Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto... (O amor que acende a lua, pág. 65.)

sábado, 26 de setembro de 2009

FAMILIA - 家族

Familia (家族) =  KA-ZOKU = Família em japonês são aqueles que mora no mesmo teto com mesmos ideais.
KA (家)= IE = Casa = Referencia de local sagrado onde se colocava porco como oferenda aos Deuses.
Zoku (族) = Referencia daqueles que ficam sobre mesma bandeira no batalhão de guerra.

Yiuki Doi

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

CONQUISTAS

Existem coisas que não podem ser repassados, pois são conquistas. Elegância, sabedoria e cortesia são uma delas. Yiuki

sábado, 12 de setembro de 2009

気 - Ki - Energia Vital

A energia vital que toda a matéria e os seres vivos possuem em japonês se chama Ki (気), um kanji que possui origem do ideograma chinês. Ele é usado em varias locuções linguísticas no quotidiano japonês, muitas vezes absorvemos essas expressões sem refletir o por quê de se usar esse ideograma nelas. Compartilho abaixo um pouco da cultura japonesa com vocês. Abraços. Yiuki Doi

  1. Sentindo-me (feeling) = kimoti (気持ち) = ki (energia) + moti (segurar) = Sentir é como asseguramos as energias.
  2. Favorito = kiniiri (気に入り)= ki (energia) + ni (preposição de destino) + iri (entrar) = Refere-se àquilo que favorecemos a entrada dentro do nosso ki.
  3. Não ligar = kinishinai (気にしない) = ki (energia) + shinai (não fazer) = Não ligar, não se preocupar ou não se importar em japonês significa não transformar em energia. O contrario disso seria Kinisuru (気にする) que significa se importar-se, preocupar-se e ligar-se.
  4. Avoado = nonki (呑気) = non (repuxado, retido, engolido) + ki (energia) = Uma pessoa avoada é aquela que repuxa o seu ki desconectando-se do seu entorno. É dita como sossegada e tranqüila, mas como é desligada da realidade geralmente não é bem vista dentro da sociedade.
  5. Ter atenção = kiwotsukeru (気を付ける)= ki (energia) + wo (preposição) + tsukeru (conectar) = Ter atenção é conectar a nossa energia para as coisas que nos rodeiam. Muitas vezes também se usa a expressão Kigakiku (気が利く) no japonês. O Kiku significa eficiente e por isso Kigakiku se refere as pessoas que possui a capacidade de entender o contexto e ser eficiente nela. É apreciada essa virtude para um japonês, pois entender e fazer parte do lugar ou da situação são essenciais numa convivência nipônica. No português tem uma palavra que lembra o Kigakiku, seria o prestimoso.
  6. Espairecer = kibarashi (気晴らし) = ki (energia) + barashi (fazer um céu azul) = Dissipar as nuvens internas para que nosso ki se clareie que nem um céu azul.
  7. Mesurar-se = kigane (気兼ね) = ki (energia) + gane (combinar) = Para combinar a energia com os outros precisamos restringir uma parte nossa, nesse contexto usamos a palavra kigane em japonês. Kigane é cansativo, pois existe uma restrição e privação de energia. Algumas pessoas causam isso e outras vezes algumas situações ocasionam isso. Kigane é necessário num contexto social japonês, faz parte da educação nipônica. No Japão não se aprecia pessoas efusivas e expansivas demais, as energias pessoais devem estar de acordo com o ambiente.
  8. Estado físico = kibun (気分) = ki (energia) + bun (parte): kibun não está bem, kibun está mal (estou passando bem, estou passando mal). Estado físico é uma parte do Ki de uma pessoa. Assim pela etimologia podemos concluir que somos um ki maior do que somente a matéria.
  9. Ater-se = kininaru (気になる) = kininaru = ki (energia) + ni (preposição de destino) + naru (transforma-se) = Usa-se esse termo kininaru para algo que se torna energia dentro de ti. Pode ser preocupação, curiosidade, afeição, etc. Algo externo chama a sua atenção, pois ele se torna energia.

P.S. Pesquisei a etimologia dos ideogramas e interpretei com a minha vivência como nissei.

P.S. Certa vez aprendi na “Nova Acrópole - Curso de Filosofia à maneira Clássica” que a tradição pode ser entendida como aquilo que se repete independente do tempo, espaço e cultura. Desta maneira, em muita ocasiões não sinto a diferença no uso da palavra Chí (China), Ki (Japão), Axê (África) e Prana (Índia).

P.S. Outra curiosidade, Aikidô em japonês escreve 合気道.
• Ai (合) = unificação, integração ou sintonia;
• Ki (気) = energia vital, a força vital que, num sentido restrito, anima o ser humano e, num sentido amplo, é o campo de energia que permeia todo o universo;
• dô (道) = caminho, senda.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

BELEZA

• Beleza no Físico é a Estética;
• Beleza no Prana é a Cortesia;
• Beleza no Astral é a Bondade e
• Beleza na Mente é a Sabedoria.

Anotação da aula na Nova Acrópole ministrada pelo Talal.

Yiuki

AUTOCONTROLE

• Domínio do Físico: Controle da rigidez
• Domínio do Prana: Controle da agitação
• Domínio do Astral: Controle da ansiedade
• Dominio do Kama-manas: Controle dos desejos

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O VAZIO SAGRADO

Lavoisier disse que na natureza nada se cria, nada se perde tudo se transforma. Aos vinte e pouco anos eu achava que tinha percebido na prática a lei da transformação. Eu observava a natureza e com ela entendia sobre a vida, morte, sexo, respeito, casamento, velhice, monogamia, poligamia, tirania, etc. e assim aprendi transformar e recriar os sonhos e desejos adaptando-os a nova realidade. Nesse entendimento eu achava que as pessoas bastavam saber as leis mundanas para mudar tudo que transpassasse por ela (materia, conhecimento, emoção, energia). Mas hoje aos 32 anos estou vislumbrando uma consciência nova em relação a causa e nascimento. Eu duvidava da existência divina, pois era inconcebível ao meu ver algo surgir do vazio. Mas a verdade era pura e simples. A vida é maravilhosa e o fato de estarmos aqui é a prova de que algo surgiu do vazio, simplesmente pela vontade divina. Deus criou o mundo pela vontade, logo a criação vem do Vazio movida pela Vontade. Eu uso o termo Vazio ao que uns chamam de Ser - aquilo que existiu antes da matéria e do tempo, muitos também o chamam de Espaço. Porém se pensarmos com calma o Vazio se encontra no meio daquilo que Existe e por isso Ele sempre está dentro da gente aguardando a centelha da manifestação. Essa centelha se chama Vontade. A Vontade é algo acima do material, pois o nascimento dela não depende da disponibilidade do ambiente. Eu sempre busquei a verdade na adaptação e na transformação baseando-o no entendimento cartesiano e mundano. Mas hoje percebo que a ela é regida pela Lei Espiritual e por isso nasce do Vazio Sagrado Intrapessoal. Hoje sinto que Deus deixou a chave da clarividência da Vontade neste lugar silencioso de escuta da Vida; por isso apesar dela sempre estar dentro de nós para acessá-lo precisamos ser tocado pelo poder do Vazio. O Todo é o Vazio, o Vazio é o Todo e sentindo isso agora consigo encontrar melhor o meu caminho. Yiuki

PS: Parece-me que o conceito do vazio, todo, tempo, felicidade e espaço precisa ser sempre atualizada de acordo com a idade e fase.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

AMIZADE

O cachorro senta na calçada e olha para trás. Inclino a cabeça e vejo um mendigo se aproximar. Agora os dois caminham juntos e desaparecem sem rastros no meio da multidão.

domingo, 23 de agosto de 2009

Gaia Ciência

Gaia já foi o nome da deusa que, na mitologia dos antigos povos
romanos, representava a Terra e se ligava à fertilidade, portanto, à
vida. A palavra, transformada em adjetivo e no decorrer da história das sociedades medievais, passaria a ter significados como “mundano” (no sentido de inserido no mundo), mas também “alegre”, “intensamente vivo”, “plenamente livre”. Um pouco de cada um desses sentidos aparece na incorporação do adjetivo “gaia” à palavra “ciência”, para designar a arte poética dos trovadores europeus da Idade Média Central (séculos XII a
XIV). A Gaia Ciência, portanto, é aqui entendida como a “alegre ciência” ou o “alegre saber” dos trovadores medievais, que é um saber inteiramente dedicado à capacidade de viver intensamente, ao envolvimento amoroso, à exaltação da natureza, à experiência da verdadeira liberdade e, sobretudo, à fina arte de tecer versos e fazer da própria vida individual, ela mesma, uma obra de arte.
A expressão encontra seus primeiros registros conhecidos no provençal, língua medieval falada ao sul da França e que seria precisamente o idioma da mais influente corrente de trovadores medievais (os trovadores provençais).2 Aqui, “gai saber” (“gaya scienza”) corresponde simultaneamente à habilidade técnica e ao espírito livre que seriam requeridos para a criação e escrita dessa nova poesia que estava nascendo com os trovadores medievais.3

José D’Assunção Barros (link para ao texto original)

Gaiato – s.m. Pessoa alegre, despreocupada, divertida, vadia. De gaio e sufixo diminutivo ato como lobato, lobinho; ver gaio.

Gaio – adj. Alegre, divertido, esperto, ladino. É também uma tonalidade de verde claro, que dá uma sensação de alegria. Fr. gai de um provável étimo frâncico *gahi, vivo, vivo, impetuoso, esperto.

Fonte: Dicionário Etimológico-Prosódico da Língua Portuguesa. Francisco da Silveira Bueno.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

BRASÃO PESSOAL - Yiuki

Brasão Colorido 10

Anjos

Anjos são pessoas que aparecem na nossa vida sem esperar. Traz alegria e conforto sem pedir - benção divina. Fomos agraciado por um deles em casa, se chama meu irmão caçula. Yiuki

terça-feira, 11 de agosto de 2009

PÓS MODERNIDADE - Charles

“ A pós modernidade representa o momento histórico preciso em que todos os freios institucionais que se opunham a emancipação individual se esboroam e desaparecem, dando lugar à manifestação dos desejos subjetivos, da realização individual, do amor- próprio. As grandes estruturas socializantes perdem a autoridade, as grandes ideologias já não estão mais em expansão, os projetos históricos não mobilizam mais, o âmbito social não é mais que o prolongamento do privado – instala-se a era do vazio, mas sem tragédia e sem apocalipse” (CHARLES, 2004 p.23)

terça-feira, 28 de julho de 2009

PURIFICAÇÃO x ORDEM - Talal

Hoje na aula do professor entendi algumas coisas novas:

  • A purificação é a ordem mental.
  • A ordem no físico seria a organização do espaço, ambiente e do nosso próprio corpo.
  • O invisível propicia a ordem.
  • O étero físico fica na base, logo ele deve servir ao energético, astral, mente de desejos, mente pura, intuicional e a vontade. Por essa razão precisamos dominar, organizar e ordenar o espaço que vivemos, roupas que usamos, bens materiais e principalmente o nosso corpo físico em função da nossa vocação, estética e moral. No caminho da purificação e da elevação não podemos ser dominado pela matéria, mas ao mesmo tempo precisamos ter a consciência de que ela é uma dádiva oferecida a nós. Yiuki

terça-feira, 21 de julho de 2009

FLUXO DO PENSAMENTO

A mente possui duas características de análise inicial do mundo externo:

Mente Una x Dual

A forma como ordenamos essas informações no segundo instante altera a nossa percepção do mundo. Modificar com a própria vontade o percurso dessas sinapses é um exercício que possibilita maior consciência do mundo.

Fluxos

P.S. Às vezes precisamos colocar em suspensão a emoção para sentirmos leve, dessa forma conseguimos enxergar o todo.

domingo, 12 de julho de 2009

6 FORMAS DE APRENDER

  1. Amor, dor e corpo.
  2. Vendo, ouvindo e fazendo.

Estrela do aprendizado

Existem pessoas que conseguem escutar e aprender, outros ver e aprender, muitos somente fazendo e experimentando. Há pessoas que precisam aprender com a lei universal da dor (lei física, espiritual e emocional). Os yogues disciplinam o corpo até um dia algo acontecer na emoção e na mente, este é o aprendizado pelo corpo. Mas a vida é mais leve quando aprendemos com o amor, os pais e os professores acreditam neste canal.

Eu creio que precisamos sempre estar atento para perceber com que canal aprendemos e de que maneira podemos repassar as magias.

Yiuki

PS1: Muitas pessoas possuem simplesmente caminhos e aprendizados distintos do nosso, somente isso.

PS2: “Conte-me e eu esqueço. Mostre-me e eu apenas me lembro. Envolva-me e eu compreendo.” Confúcio

PS3: Abdicação, sacro-ofício, morte e a devoção são os meios para a clarividência.

PS4: A estrela acima só é uma forma simplificada para o aprendizado, para quem busca algo mais análitico segue outro esquema com 3 tríades (9 maneiras de aprender).

Canal do aprendizado

9 formas de aprender

sábado, 11 de julho de 2009

SOBRE O ÊXITO - Michel Echenique Isasa

Continuaremos tratando da Vocação, este tema já comentado nos artigos dos números anteriores da nossa revista Esfinge. Do ponto de vista da vocação, o êxito não é uma questão aleatória, o que pode ser demonstrado através de algumas premissas básicas:

1ª.) O êxito não depende de que tenhamos recebido inteligência ou dons especiais, também não depende de uma educação esmerada ou de uma posição social, de ter trabalhado duro, e menos ainda da sorte.

2ª.) A diferença entre êxito e fracasso não é tão grande quanto parece.

3ª.) O êxito é questão de compreender e praticar religiosamente certos hábitos específicos e simples, ditados pelo senso comum. E entender que para alcançá-lo devemos dar uma série de passos que paulatinamente nos conduzirão até ele.

Uma vida de êxito é a soma de muitos anos de êxito, os anos de êxito são a soma de meses de êxito, de semanas, de dias, de horas, enfim, de momentos de êxito. O que vale não é uma vitória ocasional, mas os pequenos triunfos consecutivos, o que em definitivo nos levará a desfrutar de uma vida de êxito.

Todos obtemos resultados, mas o importante é que sejam positivos.

Existem dez hábitos, muito fáceis, mas importantes, que necessariamente se devem adquirir e cultivar para alcançar êxito na vida:

1. O hábito da realidade: devemos aprender nos posicionar de acordo com aquilo que é e com aquilo somos, não com o que gostaríamos que fosse nem com o que gostaríamos ser.

2. O hábito da atitude mental positiva: devemos saber o que queremos e ter uma fé inquebrantável na vitória final. Para isso, devemos saber que existem quatro realidades básicas:

· Os problemas são parte da vida. Eles correspondem aos passos que devemos dar para desenvolver o nosso cominho, que nos permite triunfar.

· Lei de equilíbrio. Cada fracasso espalha as sementes de um triunfo equivalente. Tudo leva consigo seu contrário, que o equilibra e harmoniza.

· Lei das porcentagens. Para que apareça a compensação é só questão de tempo. Na acumulação de intentos está o segredo para finalmente chegar ao triunfo. Portanto, deve-se saber esperar, pois mais cedo ou mais tarde chegará o percentual de possibilidades que nos pertencem para conseguir o que procuramos.

· O poder da mente. Para triunfar, temos que nos imaginar triunfantes. Triunfante não é quem sempre vence, mas quem tem sempre mentalidade positiva. A mente é um paradigma expansivo, e quando a usamos de forma correta ela nos traz todas as ferramentas que colaboraram sem dúvida para encontrar as soluções dos problemas.

3. O hábito da perspectiva: é a capacidade para contemplar as coisas em seu relativo nível de importância, ou seja, ficar um pouco acima, olhar os problemas de uma certa distância. Este hábito inclui um método para resolução de conflitos:

· não fugir jamais de um problema;

· reconhecer o problema;

· aceitá-lo;

· integrá-lo a nossa vida;

· desenvolver uma tática para a solução;

· solucioná-lo de forma global.

4. O hábito de viver o presente: é a capacidade de ter objetivos imediatos, cotidianos. Temos de ser capazes de ver o conjunto da nossa vida, o que é importante, o que realmente queremos fazer, e ser capazes de trazê-lo ao nosso dia-a-dia.

5. O hábito de viver o que cremos: ser morais, coerentes entre o nosso comportamento e aquilo em que acreditamos. Ser capazes de sonhar e lutar para conquistar nossos sonhos.

6. O hábito de nos relacionar com os demais: o importante neste ponto é conseguir a cooperação de todos, e para isso existem regras:

· dar sempre mais do que esperamos receber;

· merecer o respeito dos demais sem procurá-lo;

· ser muito claros em nossas comunicações;

· não falar dos nossos problemas com os demais;

· cumprir todos os nossos compromissos

· agir com tato;

· reconhecer quem faz algo bom.

7. O hábito da simplicidade: de todos os caminhos que encontrarmos para solucionar um problema, devemos escolher o mais acessível, o mais simples de se fazer.

8. O hábito de procurar pessoas adequadas: é fundamental selecionar bem as pessoas com quem trabalhamos e não aceitar trabalhar com pessoas que tiram tempo, energia, paz ou dinheiro.

9. O hábito da autodisciplina: é a capacidade de nos concentrarmos na hora de fazer um trabalho, ou seja, não divagar nem ter em mente outros assuntos, ou o que faremos depois. Enfim, sermos em todo momento os donos de nós mesmos e controlar o nosso próprio destino.

10. O hábito da ação: deixei este hábito por último porque é o mais importante de todos. O conhecimento é inútil sem ação. Isso parece óbvio, porém estamos limitados por uma série de barreiras que dificultam agir e que nos freiam. Essas barreiras são basicamente:

· resistência a mudanças;

· tendência de esperar que aconteça alguma coisa que nos resolva o problema;

· sentirmo-nos abalados;

· esperar ter tudo na mão antes de começar qualquer empreendimento;

· a dúvida;

· a adversidade que não desejamos.

Finalmente, para alcançar o êxito, é importante nos convencermos de que deixar de agir constitui o maior de todos os perigos. Se não tomarmos a iniciativa, os acontecimentos controlar-nos-ão. Devemos escolher nossa forma de vida. Não podemos esquecer que a lei natural de equilíbrio diz que quanto mais tempo se trabalha para conseguir algo, maior significado representa a sua conquista, e que cada fracasso, num processo de eliminação, nos aproxima mais um passo do êxito.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

CÉLULAS ALEGRES

Espírito, mente, emoção, prânico, matéria… Minha materia seria as células, dentro delas também existem os seus núcleos (mentes) que comanda tudo; envolto pela membrana existem os prânicos. Então percebi uma coisa hoje, ela podem ter sentimentos (sensibilidades) também. Assim como nós, se elas entristecessem muito podem se adoecer… Dizem que se entristecem demais elas podem virar células cancerígenas. Achei bacana entender isso, pois assim posso tentar fazê-las sorrir :)

quarta-feira, 8 de julho de 2009

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Ararinha-azul

Último ararinha-azul do sertão, voou pelo céu em busca de um sonho. Morreu eletrocutado no fio de alta tensão. Yiuki

quinta-feira, 2 de julho de 2009

QUEM ESQUECE A LÍNGUA ESQUECE A CULTURA

Lembro da regra dentro de casa que era proibido falar a língua portuguesa, somente a língua japonesa era permitida. Meus pais até hoje dizem: Quem esquece a língua esquece a cultura. Agora aos 30 anos percebo que a língua estrutura toda a forma de organizar e ver o mundo de um indivíduo. Por exemplo: vejo como o fato de eu saber os kanjis, os ideogramas japoneses, me fizeram ter um pensamento radial e de conexões diferentes do que um brasileiro comum. Um dos fatores para isto é porque a língua brasileira possui uma conexão semântica mais linear do que a japonesa. Não acho melhor uma ou outra forma de se comunicar, somente percebo que é uma forma diferente sentir o mundo. A rapidez que os kanjis de agrupam como jogos de legos muda toda forma de relacionar com o mundo de um japonês. O curioso neste caso é que o japonês não possui um jogo de cintura como os brasileiros, mas isso é outro aspecto cultural que possui outros fatores determinantes que não vem somente da língua japonesa ou da brasileira; afinal a cultura individual ou de um povo não se mede somente pela sintaxe, fonética e morfologia. Contudo é interessante notar que as próprias palavras e as estrutura das frases japonesas (e de qualquer língua) quando são traduzidas em outras linguas não tem como transmitir a alma original dela. Existem coisas que somente um japonês saberá de cor, assim como outras que só o coração do brasileiro saberá. Cada corpo possui a sua alma, o mesmo acontece com as línguas. A cultura é aquilo que é vivenciado e repassado. Se a estrutura do que é transmitido que é a língua se modifica, isso alterará a trajetória da cultura e a manifestação dos seus herdeiros. Yiuki

CULTURA

“…Cultura é a soma de todos os conhecimentos humanos aplicado à vida. Queremos uma cultura viva e a cultura só vive quando responde a uma raiz profunda.” DSG

DOR

O vazio não deveria doer.
Dói o meu ombro cansado do computador.
A minha lombar após 10 horas de viagem.
Dói a irritação da minha brotoeja de tanto coçar…
O vazio não deveria doer.
Mas hoje amanheci com uma dor,
Uma dor no vazio e no silêncio do meu corpo.

Yiuki Doi

terça-feira, 30 de junho de 2009

MORTE - Walter Gutdeutsch

“É necessário passsar pelas portas alquímicas da dor e da morte, transformando a morte em vida.” Walter Gutdeutsch

segunda-feira, 29 de junho de 2009

quarta-feira, 24 de junho de 2009

CONHECIMENTO x FENOMENOLOGIA - HEGEL, G.W.F.

"Segundo uma representação natural, a filosofia, antes de abordar a coisa mesma, ou seja, o conhecimento efetivo do que em verdade é, necessita pôr-se de acordo sobre o conhecer, o qual se considera ou um instrumento com que se denomina o absoluto, ou um meio através do qual se o contempla.

Parece correto esse cuidado, pois há, possivelmente, diversos tipos de conhecimento. Alguns poderiam ser mais aptos do que outros para a obtenção do fim último, e por isso seria possível uma falsa escolha entre eles. Há também outro motivo: sendo o conhecer uma faculdade de espécie e de âmbito determinados, sem uma determinação mais exata de sua natureza e de seus limites, há o risco de alcançar as nuvens do erro em lugar do céu da verdade. Ora, esse cuidado chega até a transformar-se na convicção de que constitui um contra-senso em seu conceito todo empreendimento que, mediante o conhecer, almeje conquistar para a consciência o que é em si, de que entre o conhecer e o absoluto passa uma nítida linha divisória. Pois, se o conhecer é o instrumento para apoderar-se da essência absoluta, logo se suspeita que a aplicação do instrumento não deixe a coisa tal como é para si, mas com ele traga transformação e alteração. Ou então, o conhecimento não é instrumento de nossa atividade, mas de certa maneira um meio passivo através do qual a luz da verdade chega até nós. Nesse caso, também não recebemos a verdade como é em si, mas como é nesse meio e através dele.

Nos dois casos, usamos um meio que produz imediatamente o contrário de seu fim; ou melhor, o contra-senso está antes em recorrermos em geral a um meio. Sem dúvida, parece possível remediar esse inconveniente pelo conhecimento do modo de atuação do instrumento, o que permitiria descontar no resultado a contribuição do instrumento para a representação do absoluto que por meio dele fazemos, obtendo-se assim o verdadeiro em sua pureza. Só que essa correção nos levaria, de fato, aonde antes estávamos. Ao retirar novamente, de uma coisa elaborada, o que o instrumento operou nela, então essa coisa – no caso o absoluto – fica para nós exatamente como era antes desse esforço, que, portanto, fora inútil. Se, através do instrumento, o absoluto tivesse apenas de achegar-se a nós, como o passarinho na visgueira, sem que nada nele mudasse, ele zombaria desse artifício, se já não estivesse e não quisesse estar perto de nós em si e para si. Pois, nesse caso, o conhecimento seria um artifício: com seu múltiplo esforço, daria a impressão de produzir algo totalmente diverso do que só a relação imediata, a qual, sendo imediata, não exige por isso empenho. Ou então, se o exame do conhecer, aqui representado como um meio, nos faz conhecer a lei da refração de seus raios, de nada ainda nos serviria descontar a refração no resultado. Com efeito, o conhecer não é o desvio do raio: é o próprio raio, através do qual a verdade nos toca. Ao subtraí-lo, só nos restaria a pura direção ou o lugar vazio.

Desse modo, o temor de errar introduz uma desconfiança na ciência, que, sem tais escrúpulos, se entrega espontaneamente à sua tarefa, e conhece efetivamente. Entretanto, deveria ser levada em conta a posição inversa: por que não cuidar de introduzir uma desconfiança nessa desconfiança, e não temer que esse temor de errar já seja o próprio erro? De fato, esse temor de errar pressupõe com a verdade alguma coisa (ou melhor, muitas coisas) na base de suas precauções e conseqüências, verdade que deveria antes ser examinada. Pressupõe, por exemplo, representações sobre o conhecer como instrumento e meio e também uma diferença entre nós mesmos e esse conhecer; mas, sobretudo, que o absoluto esteja de um lado e o conhecer de outro lado – para si e separado do absoluto, e mesmo assim seja algo real. Pressupõe com isso que o conhecimento, que, enquanto fora do absoluto, está também fora da verdade, seja verdadeiro, suposição pela qual se mostra que o assim chamado temor do erro é, antes, temor da verdade.

Essa conseqüência resulta de que só o absoluto é verdadeiro, ou só o verdadeiro é absoluto. E possível rejeita-la mediante a distinção entre um conhecimento que não conhece o absoluto, com quer a ciência, e ainda assim é verdadeiro e o conhecimento em geral, que, embora incapaz de apreender o absoluto, seja capaz de outra verdade. Mas vemos, afinal, que esse falatório acaba em uma distinção obscura entre um verdadeiro absoluto e um verdadeiro ordinário, e que o absoluto, o conhecer, etc., são palavras que pressupõem uma significação que é preciso primeiro adquirir." [HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Fenomenologia do Espirito].

terça-feira, 9 de junho de 2009

CorelDRAW X4 – DESENHAR OBJETOS COMPLEXOS

sign

Onde está a ferramenta "Desenhar objetos complexos ao mover ou transformar” e o “Tratar como preenchido” no do Corel X4?

Essas ferramentas não aparecem no AJUDAR do Corel X4, então precisa ir direto no PERSONALIZAR:

1. Vai no menu FERRAMENTAS e selecione PERSONALIZAÇÃO;

2. Na nova janela na coluna esquerda selecionar COMANDOS;

3. No quadrado que aparece, abaixo do titulo COMANDOS, está escrito ARQUIVO, trocar ele para TUDO (MOSTRAR TODOS OS ITENS);

4. Procurar o sign "desenhar objetos complexos ao mover ou transformar” e o “tratar como preenchido” e arrastá-los com o mouse, com o botão esquerdo apertado, até a sua barra ferramenta do CorelDRAW X4.

PS: Em inglês essas ferramentas se chamam:
• “tratar como preenchido” = "Treat as Filled"
• "desenhar objetos complexos ao mover ou transformar” = "Draw objects"

quinta-feira, 4 de junho de 2009

EPOCHÉ - Newton Aquiles von Zuben

O texto na integra que está no site da unicamp é genial, deixo aqui somente a definição do epoché que é um vocabulário útil para compreender melhor o mundo. Yiuki

"As reduções, através da "epoché" (suspensão do juízo, colocação entre parênteses) visavam basicamente a mudança de atitude. A atitude natural, onde vivemos espontaneamente e consideramos os objetos como exteriores à consciência, existentes em si, deve transformar-se, pelas reduções, numa atitude transcendental para a qual a realidade exterior, (transcendente), dos objetos era colocada entre parênteses, pela suspensão do juízo sobre sua existência real (exterior), sendo, então, estes objetos considerados como meramente significados - os objetos intencionados.
Pela "epoché' o que é posto entre parênteses é a nossa certeza espontânea na realidade transcendente, isto é, exterior à consciência. Para Husserl o fundamento absoluto deveria estar no objeto enquanto consciente - noema -, pois a consciência do objeto exterior (noese) é mais evidente do que o próprio objeto exterior. A crença no objeto exterior é praticamente certa, porém, como o filósofo não pode contentar-se com certezas meramente práticas, deve buscar uma certeza numa evidência apodítica. O campo de investigação está, então, estabelecido para Husserl: será o campo da consciência pura e seus estados, frente ao objeto puro, o objeto intencional, o fenômeno. Estamos no âmago do idealismo transcendental fenomenológico. A teoria fenomenológica do objeto intencional - a coisa como revelada à consciência, como fenômeno - é uma forte crítica ao idealismo enquanto considera essa realidade como meramente idealizada, fruto da consciência. Husserl sustenta um idealismo metódico, somente ao nível da atitude transcendental. Ele não é idealista ao nível da atitude natural."

© Newton Aquiles von Zuben
Doutor em Filosofia - Université de Louvain
Professor Titular - Faculdade de Educação da UNICAMP

P.S. Tem mais definição do epoché no wikipédia.

EXPERIÊNCIA x CONCEITO

“No homem a experiência deriva da memória. De fato, muitas recordações do mesmo objeto chegam a constituir uma experiência única.” (Aristóteles)*.
As próprias percepções possuem memórias: Memória gustativa, olfativa, tátil, visual e auditiva. Todas as experiências são memórias. Mas quando as experiências do passado criam juízos que atrapalham as nossas percepções inéditas? Em que momento esses mesmos juízos ajudam-nos a compreender melhor o nosso entorno?
De um lado, encontro o corpo que se manifesta no hábito dentro do mundo conhecido - são os movimentos e espaços meus que tendem da trivialidade à banalidade. Noutro está o meu lado humano, artista e bailarino que necessita degustar o que o presente tem a me oferecer e acrescentar. Uma dualidade instigante onde a própria experiência fresca é a mesma que cria os pré-conceitos do amanhã.

Yiuki Doi

* Trecho retirado do capítulo "Sapiência é o conhecimento de causas" do livro Metafísica II de Aristóteles

SAPIÊNCIA É O CONHECIMENTO DE CAUSAS - Aristóteles

Todos os homens, por natureza, tendem ao saber. Sinal disso é o amor pelas sensações. De fato, eles amam as sensações por si mesmas, independentemente da sua utilidade e amam, acima de toda, a sensação da visão. Com efeito, não só em vista da ação, mas mesmo sem ter nenhuma intenção de agir, nós preferimos o ver, em certo sentido, a todas as outras sensações. E o motivo está no fato de que a visão nos proporciona mais conhecimentos do que todas as outras sensações e nos torna manifestas numerosas diferenças entre as coisas.

Os animais são naturalmente dotados de sensação, mas em alguns da sensação não nasce a memória, ao passo que em outros nasce. Por isso estes últimos são mais inteligentes e mais aptos de aprender do que os que não tem capacidade de recordar. São inteligentes, mas incapazes de aprender, todos os animais incapacitados de ouvir os sons (por exemplo a abelha e qualquer outro gênero de animais desse tipo); ao contrário, aprendem todos os que, além da memória, possuem também o sentido da audição.

Ora, enquanto os outros animais vivem com imagens sensíveis e com recordações, e pouco participam da experiência, o gênero humano vive também da arte e de raciocínios. No homem a experiência deriva da memória. De fato, muitas recordações do mesmo objeto chegam a constituir uma experiência única. A experiência parece um pouco semelhante à ciência e à arte.

Com efeito, os homens adquirem ciência e arte por meio de experiência. A experiência, como diz Pólo, produz a arte, enquanto a inexperiência produz puro acaso. A experiência se produz quando, de muitas observações da experiência, forma-se um juízo geral e único passível de ser referido a todos os casos semelhantes.

Por exemplo, o ato de julgar que determinado remédio faz bem a Cálias, que sofria de certa enfermidade, que também fez bem a Sócrates e a muitos outros indivíduos, é próprio da experiência; ao contrário, o ato de julgar que a todos esses indivíduos, reduzidos à unidade segundo a espécie, que padeciam de certa enfermidade, determinado remédio faz bem (por exemplo, aos fleumáticos, aos biliosos e ao febris) é próprio da arte.

Ora, em vista da atividade prática, a experiência em nada parece distinguir da arte; antes, os empíricos tem mais sucesso do que os que possuem a teoria sem a prática. E a razão disso é a seguinte: a experiência é conhecimento dos particulares, enquanto a arte é o conhecimento dos universais; ora, todas as ações e as produções referem-se ao particular. De fato, o médico não cura o homem a não ser acidentalmente, mas cura Cálias ou Sócrates ou qualquer outro indivíduo que leva um nome como eles, ao qual ocorra ser homem. Portanto, se alguém possui a teoria sem a experiência e conhece o universal mas não conhece o particular que nele está contido, muitas vezes errará o tratamento, porque o tratamento se dirige, justamente, ao indivíduo particular.

Todavia, consideramos que o saber e o entender sejam mais próprios da arte do que da experiência, e julgamos os que possuem arte mais sábios do que os que só possuem a experiência, na medida em que estamos convencidos de que a spiência, em cada um dos homens, corresponda à sua capacidade de conhecer. E isso porque os primeiros conhecem a causa, enquanto os outros não a conhecem. Os empíricos conhecem puro dado de fato, mas não seu porquê; ao contrário, os outros conhecem o porquê da causa.

Por isso consideramos os que têm a direção nas diferentes artes mais dignos de honra e possuidores de maiores conhecimentos e mais sábios do que os trabalhadores manuais, na medida em que aqueles conhecem as causas das coisas que são feitas; ao contrário os trabalhadores manuais agem, mas sem saber o que fazem, assim como agem alguns dos seres inanimados, por exemplo, como fogo queima: cada um desses seres inanimados age por certo impulso natural, enquanto os trabalhadores manuais agem por hábito. Por isso consideramos os primeiros mais sábios, não porque são capazes de fazer, mas porque possuidores de um saber conceptual e por conhecerem a causas.

Em geral, o que distingue quem sabe e quem não sabe é a capacidade de ensinar: por isso consideramos que a arte seja sobretudo a ciência e não a experiência; de fato, os que possuem a arte são capazes de ensinar, enquanto os que possuem a experiência não o são.

Ademais, consideramos que nenhuma das sensações seja sapiência. De fato, se as sensações são, por excelência, os instrumentos de conhecimentos dos particulares, entretanto não nos dizem porquê de nada: não dizem, por exemplo, por que o fogo é quente, apenas assinalam o fato de ele ser quente.

Portanto, é lógico que quem por primeiro descobriu alguma arte, superando os conhecimentos sensíveis comuns, tenha sido objeto de admiração dos homens, justamente enquanto sábio e superior aos outros, e não só pela utilidade de alguma de suas descobertas. E também é lógico que, tendo sido descobertas numerosas artes, umas votadas para as necessidades da vida e outras para o bem-estar, sempre tenham sido julgados mais sábios os descobridores destas do que os daquelas, porque seus conhecimentos não eram dirigidos útil. Daí resulta que, quando já se tinham constituído todas as artes desse tipo, passou-se à descoberta das ciências que visam nem ao prazer nem às necessidades da vida, e isso ocorreu primeiramente nos lugares em que primeiro os homens se libertaram de ocupações práticas. Por isso as artes matemáticas se constituíram pela primeira vez no Egito. De fato, lá era concedida essa liberdade à casta dos sacerdotes.

Diz-se na Ética qual é a diferença entre a arte e a ciência e as outras disciplinas do mesmo gênero. E a finalidade do raciocínio que ora fazemos é demonstrar que pelo nome de sapiência todos entendem a pesquisa das causas primeiras e dos princípios. E é por isso que, como dissemos acima, quem tem experiência é considerado mais sábio do que quem possui apenas algum conhecimento sensível: quem tem a arte mais do que quem tem experiência, quem dirige mais do que o trabalhador manual e as ciências teóréticas mais do que as práticas.

É evidente, portanto, que a sapiência é uma ciência acerca de certos princípios e certas causas.

(Aristóteles – Metafísica II, Ensaio introdutório, tradução e comentário de Giovanni Reale, Tradução por Marcelo Perine, Edições Loyolas, primeiro capítulo)

segunda-feira, 1 de junho de 2009

NÃO ESTÁS DEPRIMIDO, ESTÁS DISTRAÍDO - Facundo Cabral



Não estás deprimido, estás distraído, distraído em relação à vida que te preenche. Distraído em relação à vida que te rodeia: Golfinhos, bosques, mares, montanhas, rios.
Não caias como caiu teu irmão que sofre por um único ser humano, quando no mundo existem 5,6 milhões. Além de tudo, não é assim tão ruim viver só. Eu fico bem, decidindo a cada instante o que desejo fazer, e graças à solidão conheço-me, o que algo fundamental para viver.
Não cais no que caiu teu pai, que se sente velho porque tem setenta anos, e esquece que Moisés comandou o Êxodo aos oitenta e Rubinstein interpretava Chopin com uma maestria aos noventa. Só para citar dois casos conhecidos.
Não estás deprimido, estás distraído, por isso acreditas que perdeste algo, o que é impossível, porque tudo te foi dado. Não fizeste um só cabelo de tua cabeça, portanto não podes ser dono de nada. Além disso, a vida não te tira coisas, a vida te liberta de coisas. Te alivia para que voe mais alto, para que alcances a plenitude. Do útero ao túmulo, vivemos numa escola, por isso, o que chamas de problemas são lições. Não perdeste nada, aquele que morre simplesmente está adiantado em relação a nós, porque para lá vamos todos. Além disso, o melhor dele, é o amor,segue em teu coração.
Quem poderia dizer que Jesus esta morto? Não existe a morte: existe mudança. E do outro lado te esperam pessoas maravilhosas: Gandhi, Michelangelo, Whitman, São Agostinho, a Madre Teresa, teu avô e minha mãe, que acreditavam que a pobreza está mais próxima do amor, porque o dinheiro nos distrai com coisas demais, e nos machuca, porque nos torna desconfiados.
Faz apenas o que amas e serás feliz e aquele que faz o que ama, está benditamente condenado ao sucesso, que chegará quando deve chegar, porque o que deve ser será, e chegará naturalmente. Não faças nada por obrigação nem por compromisso, apenas por amor. Então terás plenitude, e nessa plenitude tudo é possível. E sem esforço, porque és movido pela força natural da vida, a que me levantou quando caiu o avião que levava minha mulher e minha filha; a que me manteve vivo quando os médicos me deram três ou quatro meses de vida.
Deus te tornou responsável por um ser humano, e é tu mesmo. A ti deves fazer livre e feliz, depois poderás compartilhar a vida verdadeira com todos os outros. Lembra-te de Jesus: "Amarás ao próximo como a ti mesmo". Reconcilia-te contigo, coloca-te frente ao espelho e pensa que esta criatura que estás vendo, é uma obra de Deus; e decide agora mesmo ser feliz, porque a felicidade é uma aquisição.
Aliás, a felicidade não é um direito, e sim um dever, porque se não fores feliz, estarás levando amargura para todos os que te amam. Um único homem que não possuiu nenhum talento nenhum valor para viver, mandou matar seis milhões de irmãos judeus.
Existem tantas coisas para experimentar, e a nossa passagem pela terra é tão curta, que sofrer é uma perda de tempo. Temos para gozar a neve no inverno e as flores na primavera, o chocolate de Perusa, a baguette francesa, os tacos mexicanos, o vinho chileno, os mares e os rios, o futebol dos brasileiros, As Mil e Uma Noites, a Divina Comédia, Quixote, Pedro Páramo, os boleros de Manzanero e as poesias de Whitman, as músicas de Mahler, Mozart, Chopin, Beethoven, as pinturas de Caravaggio, Rembrandt, Velázquez, Picasso e Tamayo, entre tantas maravilhas.
E se estás com câncer ou AIDS, podem acontecer duas coisas, e as duas são boas; se a doença ganha te liberta do corpo que é cheio de moléstias: tenho fome, tenho frio, tenho sono, tenho vontades, tenho razão, tenho dúvidas... e se tu vences, serás mais humilde, mais agradecido, portanto, facilmente feliz. Livre do tremendo peso da culpa, da responsabilidade e da vaidade, disposto a viver cada instante profundamente,.... como deve ser.
Não estás deprimido, estás desocupado. Ajuda a criança que precisa de ti, essa criança que será sócia do teu filho. Aliás o serviço é uma felicidade segura como gozar a natureza e cuidar dela para aqueles que virão. Dá sem medida e te darão sem medida. Ama até que te tornes o ser amado, mais ainda converte-te no mesmíssimo Amor . E não te deixes confundir por uns poucos homicidas e suicidas, o bem é maioria, porém, não se nota porque é silencioso, uma bomba faz mais barulho que uma caricia, porém, para cada bomba que destrói há milhões de carícias que alimentam a vida.
Se Deus possuísse uma geladeira, teria a tua foto pregada nela. Se ele possuísse uma carteira, tua foto estaria dentro dela. Ele te envia flores a cada primavera. Ele te envia um amanhecer a cada manhã. Cada vez que desejas falar, Ele te escuta. Ele poderia viver em qualquer ponto do Universo, porém escolheu o teu coração. Enfrenta, amigo, Ele está louco por ti!
Deus não te prometeu dias sem dor, riso sem tristeza, sol sem chuva, porém prometeu força para cada dia, consolo para as lágrimas e luz para o caminho. Quando a vida te apresenta mil razões para chorar, mostra que tens mil e uma razões para sorrir. Não, .... não estás deprimido, ... estás distraído!

Seguidores

Archivo del blog