Espaço para desvanecer a cada instante. Aqui se encontram textos, imagens e gráficos de vários autores. Sempre precisei colecionar o que eu chamo de figurinhas mágicas. São cartas que abrem novos horizontes e paisagens. Então, boa viagem ;)

sábado, 28 de junho de 2008

AS COISAS SÃO - Renato Russo

"Não é como a vida está e sim como as coisas são" (Renato Russo - Meninos e Meninas 2)

URUBU E O PAVÃO: Não tente melhorar

Tem um conto japonês milenar que é mais ou menos assim:
'Em uma planície, viviam um Urubu e um Pavão. Certo dia, o Pavão refletiu: ´Sou a ave mais bonita do mundo animal, tenho uma plumagem colorida e exuberante , porém , nem voar eu posso de modo a mostrar minha beleza, feliz é o urubu que é livre para voar para onde o vento o levar ´.
O Urubu, por sua vez, também refletia no alto de uma árvore: ´que infeliz ave sou eu , a mais feia de todo o reino animal e ainda tenho que voar e ser visto por todos, quem me dera ser belo e vistoso tal qual aquele pavão´.
Foi quando ambas as aves tiveram uma brilhante idéia em comum e se juntaram para discorrer sobre ela: cruzar-se seria ótimo para ambos, gerando um descendente que voasse como o Urubu e tivesse a graciosidade de um Pavão.
Então se cruzaram e

daí nasceu o peru,

QUE É FEIO PRA C.A.R.A.L.H.O E NÃO VOA!!!!
Conclusão: se tá ruim, nem tente arrumar, que piora!!

O IDIOTA

Conta-se que numa cidade do interior um grupo de pessoas se divertia com o idiota da aldeia. Um pobre coitado, de pouca inteligência, vivia de pequenos biscates e esmolas. Diariamente eles chamavam o idiota ao bar onde se reuniam e ofereciam a ele a escolha entre duas moedas: uma grande de 400 REIS e outra menor, de 2.000 REIS. Ele sempre escolhia a maior e menos valiosa, o que era motivo de risos para todos. Certo dia, um dos membros do grupo chamou-o e perguntou se ainda não havia percebido que a moeda maior valia menos."Eu sei" - respondeu o tolo assim: "Ela vale cinco vezes menos, mas no dia que eu escolher a outra, a brincadeira acaba e não vou mais ganhar minha moeda."
Pode-se tirar várias conclusões dessa pequena narrativa. A primeira: Quem parece idiota, nem sempre é. A segunda: Quais eram os verdadeiros idiotas da história? A terceira: Se você for ganancioso, acaba estragando sua fonte de renda.
Mas a conclusão mais interessante é: A percepção de que podemos estar bem, mesmo quando os outros não têm uma boa opinião a nosso respeito. Portanto, o que importa não é o que pensam de nós, mas sim, quem realmente somos.
"O maior prazer de uma pessoa inteligente é bancar o idiota, diante de um idiota que banca o inteligente"

CARTAS A UM JOVEM POETA (1ª Carta) - Rainer Maria Rilke

Paris, 17 de fevereiro de 1903

Prezadíssimo Senhor,

Sua carta alcançou-me apenas há poucos dias. Quero agradecer-lhe a grande e amável confiança. Pouco mais posso fazer. Não posso entrar em considerações acerca da feição de seus versos, pois sou alheio a toda e qualquer intenção crítica. Não há nada menos apropriado para tocar numa obra de arte do que palavras de crítica, que sempre resultam em mal-entendidos mais ou menos felizes. As coisas estão longe de ser todas tão tangíveis e dizívies quanto se nos pretenderia fazer crer; a maior parte dos acontecimentos é inexprimível e ocorre num espaço em que nenhuma palavra nunca pisou. Menos suscetíveis de expressão do que qualquer outra coisa são as obras de arte, — seres misteriosos cuja vida perdura, ao lado da nossa, efêmera.

Depois de feito este reparo, dir-lhe-ei ainda que seus versos não possuem feição própria, somente acenos discretos e velados de personalidade. É o que sinto com a maior clareza no último poema Minha alma. Aí, algo de peculiar procura expressão e forma. No belo poema A Leopardi talvez uma espécie de parentesco com esse grande solitário esteja apontando. No entanto, as poesias nada têm ainda de próprio e de independente, nem mesmo a última, nem mesmo a dirigida a Leopardi. Sua amável carta que as acompanha não deixou de me explicar certa insuficiência que senti ao ler seus versos sem que a pudesse definir explicitamente. Pergunta se os seus versos são bons. Pergunta-o a mim, depois de o ter perguntado a outras pessoas. Manda-os a periódicos, compara-os com outras poesias e inquieta-se quando suas tentativas são recusadas por um ou outro redator. Pois bem — usando da licença que me deu de aconselhá-lo — peço-lhe que deixe tudo isso. O senhor está olhando para fora, e é justamente o que menos deveria fazer neste momento. Ninguém o pode aconselhar ou ajudar, — ninguém. Não há senão um caminho. Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranqüila de sua noite: "Sou mesmo forçado a escrever?” Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar àquela pergunta severa por um forte e simples "sou", então construa a sua vida de acordo com esta necessidade. Sua vida, até em sua hora mais indiferente e anódina, deverá tornar-se o sinal e o testemunho de tal pressão. Aproxime-se então da natureza. Depois procure, como se fosse o primeiro homem, dizer o que vê, vive, ama e perde. Não escreva poesias de amor. Evite de início as formas usais e demasiado comuns: são essas as mais difíceis, pois precisa-se de uma força grande e amadurecida para se produzir algo de pessoal num domínio em que sobram tradições boas, algumas brilhantes. Eis por que deve fugir dos motivos gerais para aqueles que a sua própria existência cotidiana lhe oferece; relate suas mágoas e seus desejos, seus pensamentos passageiros, sua fé em qualquer beleza — relate tudo isto com íntima e humilde sinceridade. Utilize, para se exprimir, as coisas do seu ambiente, as imagens dos seus sonhos e os objetos de sua lembrança. Se a própria existência cotidiana lhe parecer pobre, não a acuse. Acuse a si mesmo, diga consigo que não é bastante poeta para extrair as suas riquezas. Para o criador, com efeito, não há pobreza nem lugar mesquinho e indiferente. Mesmo que se encontrasse numa prisão, cujas paredes impedissem todos os ruídos do mundo de chegar aos seus ouvidos, não lhe ficaria sempre sua infância, esta esplêndida e régia riqueza, esse tesouro de recordações? Volte a atenção para ela. Procure soerguer as sensações submersas deste longínquo passado: sua personalidade há de reforçar-se, sua solidão há de alargar-se e transformar-se numa habitação entre o lusco e fusco diante do qual o ruído dos outros passa longe, sem nela penetrar. Se depois desta volta para dentro, deste ensimesmar-se, brotarem versos, não mais pensará em perguntar seja a quem for se são bons. Nem tão pouco tentará interessar as revistas por esses seus trabalhos, pois há de ver neles sua querida propriedade natural, um pedaço e uma voz de sua vida. Uma obra de arte é boa quando nasceu por necessidade. Neste caráter de origem está o seu critério, — o único existente. Também, meu prezado Senhor, não lhe posso dar outro conselho fora deste: entrar em si e examinar as profundidades de onde jorra sua vida; na fonte desta é que encontrará resposta à questão de saber se deve criar. Aceite-a tal como se lhe apresentar à primeira vista sem procurar interpretá-la. Talvez venha significar que o Senhor é chamado a ser um artista. Nesse caso aceite o destino e carregue-o com seu peso e a sua grandeza, sem nunca se preocupar com recompensa que possa vir de fora. O criador, com efeito, deve ser um mundo para si mesmo e encontrar tudo em si e nessa natureza a que se aliou.

Mas talvez se dê o caso de, após essa decida em si mesmo e em seu âmago solitário, ter o Senhor de renunciar a se tornar poeta. (Basta como já disse, sentir que se poderia viver sem escrever para não mais se ter o direito de fazê-lo). Mesmo assim, o exame de sua consciência que lhe peço não terá sido inútil. Sua vida, a partir desse momento, há de encontrar caminhos próprios. Que sejam bons, ricos e largos é o que lhe desejo, muito mais do que lhe posso exprimir.

Que mais lhe devo dizer? Parece-me que tudo foi acentuado segundo convinha. Afinal de contas, queria apenas sugerir-lhe que se deixasse chegar com discrição e gravidade ao termo de sua evolução. Nada a poderia perturbar mais do que olhar para fora e aguardar de fora respostas a perguntas a que talvez somente seu sentimento mais íntimo possa responder na hora mais silenciosa.

Foi com alegria que encontrei em sua carta o nome do professor Horacek; guardo por este amável sábio uma grande estima e uma gratidão que desafia os anos. Fale-lhe, por favor, neste meu sentimento. É bondade dele lembrar-se ainda de mim; e eu sei apreciá-la.

Restituo-lhe ao mesmo tempo os versos que me veio confiar amigavelmente. Agradeço-lhe mais uma vez a grandeza e a cordialidade de sua confiança. Procurei por meio desta resposta sincera, feita o melhor que pude, tornar-me um pouco mais digno dela do que realmente sou, em minha qualidade de estranho.

Com todo o devotamento e toda a simpatia,

Rainer Maria Rilke

MORTE - 2

Quando me refiro a morte, refiro à morte do meu orgulho e da certeza absoluta. O entendimento da insignificância de se apegar a algumas verdades que seriam somente minha.
As paisagens a serem vistas são ilimitadas nesta vida e o caminho do meu canto eu conheço, então preciso às vezes abdicar da minha janela para poder visitar os outros mundos.
Somente isto, sem levar em conta quem é o dono da verdade, pois certo dia eu compreendi que a vida é uma ilusão. Eu busco neste ponto a capacidade de renascer diariamente.
Yiuki Doi

Efemeridade das coisas...

Às vezes sinto que soluções que estão externa da gente é fragil demais. Mas também percebo que aquilo que está fora da gente é prazeroso de descobertas e aprendizados. Talvez o segredo não é o que está fora da gente, e sim, a relação que temos do interno para o externo. Porque as coisas externas morrem, eu morro. E o que pode ser renascido, reconfigurado são as relações.

MORTE: Tolstoi

"O homem não tem poder sobre nada enquanto tem medo da morte. Aquele que supera esse medo possui tudo, pois é imortal." Léon Tolstoi

FELICIDADE: Victor Hugo

Infeliz do que só tiver amado corpos, aparências, que tudo lhe tirará a morte. Amai as almas se depois da morte as quereis encontrar. Victor Hugo

FELICIDADE: Provérbio Chinês

A felicidade é como a borboleta: Quando a perseguimos, nos escapa; quando desistimos de persegui-la, pousa em nós. (Provérbio Chinês)

TEMPO RELATIVO

Cada pessoa possui o tempo certo de aprender. Ninguém é mais ou menos por causa destas diferenças. Tampouco devemos esquecer que um dia engatinhávamos, que tivemos o primeiro beijo, que aprendemos a dirigir ou que descobrimos que a vida é um show de ilusões. Respeitar o tempo de cada pessoa, inclusive o nosso, nos torna serenos e gentis conosco e com o mundo. Yiuki Doi

domingo, 22 de junho de 2008

SOU UM GUARDADOR DE REBANHOS - Alberto Caeiro

"Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto.
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade
Sei a verdade e sou feliz.

Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

PENSAR EM DEUS É DESOBEDECER A DEUS - Alberto Caeiro

"Pensar em Deus é desobedecer a Deus,
Porque Deus quis que o não conhecêssemos,
Por isso se nos não mostrou...
Sejamos simples e calmos,
Como os regatos e as árvores,
E Deus amar-nos-á fazendo de nós
Belos como as árvores e os regatos,
E dar-nos-á verdor na sua primavera,
E um rio aonde ir ter quando acabemos!..."
Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

segunda-feira, 16 de junho de 2008

AMAR É A ÚNICA INOCÊNCIA - Alberto Caeiro

"Creio no mundo como num malmequer.
Porque o vejo
Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez pra pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo da Natureza não é porque saiba o que ela é.
Mar porque a amo, e amo-a por isso
Por que quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...
Amar é eterna inocência,
E a única inocência não pensar..."

Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

REBIRTH (Renascimento) - Swami Tilak

"Tão temida e inevitável é a morte! mas muito pouco gente pensa seriamente no problema da morte. Que é a morte? Como ela ocorre? Vem de repente? Ou segue um processo contínuo? Na realidade, não há nenhum momento em que a morte não esteja presente. A morte é o clímax de um processo contínuo que se poderia comumente chamar "transformação". É muito curioso saber que vemos a morte e vemos também a transformação, mas não vemos a morte na transformação e nem a transformação na morte. Se não houvesse a "transformação" não haveria nenhuma morte." (Swami Tilak)

sábado, 7 de junho de 2008

EMPATIA - Yiuki

Dela nasce o respeito, medo, humildade, compaixão e conseqüentemente a harmonia que é diferente de igualdade. Gostaria que as pessoas vissem que é uma virtude a ser cultivada ao longo da vida. Quando as pessoas perceberem a importância dela creio que haverá menos guerras, discriminações e conflitos neste mundo. Talvez neste momento encontremos a paz que tanto procuramos. Yiuki Doi

PRINCÍPIO E O FIM - Léon Tolstói

"É no coração do homem que reside o princípio e o fim de todas as coisas" Léon Tolstói, escritor russo, 1828-1910

INTUIÇÃO - Rousseau

“A verdade não reside primariamente no pensamento, mas no sentimento, na intuição imediata, na certeza do coração”. (Rousseau)

O QUE A MEMÓRIA AMA FICA ETERNO - Rubem Alves

"Os meus desejos, não é preciso que ninguém me lembre deles. Não precisam ser escritos. Sei-os (isto mesmo, SEIOS!) de cor. De cor, quer dizer no "coração". Aquilo que está escrito no coração não necessita de agendas porque a gente não esquece. O que a memória ama fica eterno." (Rubem Alves)

BUSCA - Yiuki

Divaguei, chorei, sorri e exauri de tanto buscar o mundo, o qual não encontrei. Mas graças a isso, hoje sinto que todo universo se encontra dentro de mim. Yiuki Doi

DOR - Marquês de Maricá

"A experiência que não dói pouco de aproveita" Marquês de Maricá

OLHAR - Yiuki

Um dia sempre é um dia, cabe o olhar ver a beleza nela. Yiuki Doi

FELICIDADE - Goethe

"Feliz é o homem que pode achar a relação entre o começo e o fim de sua vida." Goethe

DESPREZO PELAS COISAS QUE NÃO DEPENDEM DE NÓS - Epíteto

“Resguarda-te muito quando vires alguém coberto de honras ou alcançando as mais elevadas dignidades, para não considerá-lo, arrastado por tua imaginação, como um homem feliz. Porque se a essência do verdadeiro bem está nas coisas que dependem de nós, nem a inveja, nem a rivalidade, nem o ciúme poderá ter lugar em ti; e não desejarás ser general, nem senador, nem cônsul, mas livre. E procura pensar que, para alcançar essa liberdade, só há um caminho: o desprezo pelas coisas que não dependem de nós.” (Epíteto)

KATALEPSIS - Steven Pressfield

"Os espartanos tem um termo para o estado mental, que deve ser, a qualquer preço, evitado em combate. Chamam de Katalepsis, "possessão", isto é, a perturbação dos sentidos que ocorre quando o terror ou a raiva usurpam o domínio da mente. ...O papel do oficial: atiçar sua bravura quando esmorecida e refrear sua fúria quando ela ameaça tirar-les o controle. Um homem cujo atributo principal era o auto-controle e a serenidade, não por si mesmo, mas por aqueles para quem ele era o exemplo....Realizar o lugar-comum sob condições nada comuns." (Steven Pressfield - Portões de Fogo - capítulo onze)

UM TEMPO PARA CADA COISA: Eclesiastes 3

Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus:
Há tempo para nascer, e tempo para morrer;
Tempo para plantar, e tempo para arrancar o que foi plantado;
Tempo para matar, e tempo para sarar;
Tempo para demolir, e tempo para construir;
Tempo para chorar, e tempo para rir;
Tempo para gemer, e tempo para dançar;
Tempo para atirar pedras, e tempo para ajuntá-las;
Tempo para dar abraços, e tempo para apartar-se;
Tempo para procurar, e tempo para perder;
Tempo para guardar, e tempo para atirar fora;
Tempo para rasgar, e tempo para coser;
Tempo para calar, e tempo para falar;
Tempo para amar, e tempo para odiar;
Tempo para guerra, e tempo para paz;

Que proveito tira o trabalhador de sua obra? Eu vi o trabalho que Deus impôs aos homens: Tôdas as coisas que Deus fêz são boas, a seu tempo. Êle pôs, além disso, no seu coração a duração inteira, sem que ninguém possa compreender a obra divina de um extremo a outro. Assim eu concluí que nada é melhor para o homem do que alegrar-se e procurar o bem-estar durante sua vida; e que comer, beber e gozar do fruto do seu trabalho é um dom de Deus. Reconheci que tudo o que Deus fêz subsistirá sempre, sem que se possa ajuntar nada, nem nada suprimir. Deus precede desta maneira para ser temido. Aquilo que é, já existia, e aquilo que há de ser, já existiu; Deus chama de novo o que passou.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

AFINIDADE - Arthur da Távola

A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil,
delicado e penetrante dos sentimentos.
O mais independente.
Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos,
as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação,
o diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto em que foi interrompido.
Afinidade é não haver tempo mediando a vida.
É uma vitória do adivinhado sobre o real.
Do subjetivo sobre o objetivo.
Do permanente sobre o passageiro.
Do básico sobre o superficial.
Ter afinidade é muito raro.
Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois
que as pessoas deixaram de estar juntas.
O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples
e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.
Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos
fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavra.
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.
Afinidade é sentir com.
Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo.
Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado.
Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.
Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo.
É olhar e perceber.
É mais calar do que falar.
Ou quando é falar, jamais explicar, apenas afirmar.
Afinidade é jamais sentir por.
Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo.
Mas quem sente com, avalia sem se contaminar.
Compreende sem ocupar o lugar do outro.
Aceita para poder questionar.
Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.
Só entra em relação rica e saudável com o outro,
quem aceita para poder questionar.
Não sei se sou claro: quem aceita para poder questionar,
não nega ao outro a possibilidade de ser o que é, como é, da maneira que é.
E, aceitando-o, aí sim, pode questionar, até duramente, se for o caso.
Isso é afinidade.
Mas o habitual é vermos alguém questionar porque não aceita
o outro como ele é. Por isso, aliás, questiona.
Questionamento de afins, eis a (in)fluência.
Questionamento de não afins, eis a guerra.
A afinidade não precisa do amor. Pode existir com ou sem ele.
Independente dele. A quilômetros de distância.
Na maneira de falar, de escrever, de andar, de respirar.
Há afinidade por pessoas a quem apenas vemos passar,
por vizinhos com quem nunca falamos e de quem nada sabemos.
Há afinidade com pessoas de outros continentes a quem nunca vemos,
veremos ou falaremos.
Quem pode afirmar que, durante o sono, fluidos nossos não saem
para buscar sintomas com pessoas distantes,
com amigos a quem não vemos, com amores latentes,
com irmãos do não vivido?
A afinidade é singular, discreta e independente,
porque não precisa do tempo para existir.
Vinte anos sem ver aquela pessoa com quem se estabeleceu
o vínculo da afinidade!
No dia em que a vir de novo, você vai prosseguir a relação
exatamente do ponto em que parou.
Afinidade é a adivinhação de essências não conhecidas
nem pelas pessoas que as tem.
Por prescindir do tempo e ser a ele superior,
a afinidade vence a morte, porque cada um de nós traz afinidades
ancestrais com a experiência da espécie no inconsciente.
Ela se prolonga nas células dos que nascem de nós,
para encontrar sintonias futuras nas quais estaremos presentes.
Sensível é a afinidade.
É exigente, apenas de que as pessoas evoluam parecido.
Que a erosão, amadurecimento ou aperfeiçoamento sejam do mesmo grau,
porque o que define a afinidade é a sua existência também depois.
Aquele ou aquela de quem você foi tão amigo ou amado, e anos depois
encontra com saudade ou alegria, mas percebe que não vai conseguir
restituir o clima afetivo de antes,
é alguém com quem a afinidade foi temporária.
E afinidade real não é temporária. É supratemporal.
Nada mais doloroso que contemplar afinidade morta,
ou a ilusão de que as vivências daquela época eram afinidade.
A pessoa mudou, transformou-se por outros meios.
A vida passou por ela e fez tempestades, chuvas,
plantios de resultado diverso.
Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças,
é conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas,
quantos das impossibilidades vividas.
Afinidade é retomar a relação do ponto em que parou,
sem lamentar o tempo da separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas a oportunidade dada (tirada) pela vida,
para que a maturação comum pudesse se dar.
E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais,
a expressão do outro sob a forma ampliada e
refletida do eu individual aprimorado.
(Arthur da Távola)

quinta-feira, 5 de junho de 2008

SOMOS O QUE DEIXAMOS DE FAZER - Yiuki

A nossa vida é feita de escolhas e no momento de cada escolha, descartam-se todas outras possibilidades que a vida nos tinha reservado. Entendendo isto estou aprendendo a fazer as escolhas com maior consciência... talvez o livre arbítrio se encontre na responsabilidade daquilo que optamos em não fazer. Yiuki Doi

domingo, 1 de junho de 2008

BELEZA - Kafka

"Quem possui a faculdade de perceber a beleza nunca envelhece" (Kafka)

VOAR - Rubem Alves

“Somos assim: sonhamos o vôo mas tememos a altura. Para voar é preciso ter coragem para enfrentar o terror do vazio. Porque é só no vazio que o vôo acontece. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Mas é isso o que tememos: o não ter certezas. Por isso trocamos o vôo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram.” (Rubem Alves)

REFERENCIAS - Yiuki

Uma amiga especial, Keiko, comentou de um cara que crê que a religião é importante a algumas pessoas com intuíto de um dia caminhar sem necessitá-la. Hoje percebo que o mesmo acontece com nissei, japonês, negro, chinês, árabe, homem, mulher, etc., pois para o caminho da iluminação não importa os pontos de partidas, somente é necessário saber as referências de onde partimos. Yiuki Doi

ITACA - Cavafy, Constantino.

"Quando partires de regresso a Ítaca,
deves orar por uma viagem longa,
plena de aventuras e de experiências.
Ciclopes, Lestrogónios, e mais monstros,
um Poseidon irado - nas os temas,
jamais encontrarás tais coisas no caminho,
se o teu pensar for puro, e se um sentir sublime
teu corpo toca e o espírito te habita.
Ciclopes, Lestrogónios, e outros monstros,
Poseidon em fúria- nunca encontrarás,
se não é na tua alma que os transportes,
ou ela os não erguer perante ti.
Deves orar por uma viagem longa.
Que sejam muitas as manhãs de Verão,
quando, com que prazer, com que deleite,
entrares em portos jamais antes vistos!
Em colónias fenícias deverás deter-te
para comprar mercadorias raras:coral e madrepérola,
âmbar e marfim,e perfumes subtis de toda a espécie:
compra desses perfumes o quanto possas.
E vai ver as cidades do Egipto,
para aprenderes com os que sabem muito.
Terás sempre Ítaca no teu espírito,
que lá chegar é o teu destino último.
Mas não te apresses nunca na viagem.
É melhor que ela dure muitos anos,
que sejas velho já ao ancorar na ilha,
rico do que foi teu pelocaminho,
e sem esperar que Ítaca te dê riquezas.
Ítaca deu-te essa viagem esplêndida.
Sem Ítaca, não terias partido.
Mas Ítaca não tem mais nada para dar-te.
Por pobre que a descubras, Ítaca não te traiu.
Sábio como és agora,
senhor de tanta experiência,
terás compreendido o sentido de Ítaca."
(Cavafy, Constantino)

DESEJO - Yiuki Doi

Desejo encontrar pessoa fiel no amor e infiel na paixão.
Fiel no amor consigo, com a família, o trabalho, companheiro e tudo que realmente é importante para si.
Infiel nas mais variadas paixões do quotidiano. Num curso, num copo de bebida, num prato especial, numa roupa, num por de sol, etc. Pois na renovação das paixões que o amor se alimenta.
Alguém que entenda que 1 + 1 é muito mais do que 2 e que estes elementos a mais precisam de sacro-ofício.
Uma pessoa que perceba que o mundo é maior do que somente nós dois, pois ninguém pode ser o universo do outro; afinal ele é muito maior e maravilhoso para ser vivido por nós.
Alguém que nos momentos mais difíceis me possibilita descansar e sonhar para que neste momento possa me recompor; e quando ela precisar eu possa oferecer o meu ombro da mesma maneira.
Uma pessoa que ao final da vida possamos olhar o que somente por nós foi possível construir e dizermos que valeu a pena ter vivido juntos; e que por meio dessa união pudemos ser pessoas melhores para conosco e com as pessoas que amamos.

DESEJO - Victor Hugo

Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,

Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.

(Victor Hugo)

HAJIMARI

Kuro to shirono ishinami ga hirogaru bench no ashimoto.
Hitori suwari, kikoeru mati no toiki.
kuruma no oto wa yamanu kumoribini sugiyuku kitotati wa tooii sonzai.
Mawari no hanagi wa soyokaze de yure samishii boku wo otitsukasetekureru.
Tadashii ka wakaranaku ayundeiru konomiti itsushika sunao ni waraeru toki ga kuru to jibun ni iikikaseru.
Hitori kurashi hajimeru kono mati yasashiku boku wo ukeireruno darouka.
Kangaetsutsu mitsumeteiru ishinami.
Soyokaze wa hoho wo sasuri toorisugiru.
Asu wa hareru no darouka.
Yiuki Doi


AMOR PLATÔNICO - Yiuki

No olhar nenhuma lágrima a cair.
Por que chorar a perda daquilo que nunca tive?
No peito vazio, o vento parecia passar direto.
Se pelo menos pudesse provar o meu amor...
Nem isso eu pude.
O que vale as palavras ditas se já desapareceram no ar?
Nada, apenas nada...
Por você, teria feito as maiores loucuras de amor.
O Evereste eu encararia.
Nos carros teria me jogado.
A família e o emprego?!
Eu largava-os. Insano? Brega?
Pode ser, mas agir de cor todos precisam.
E é isso que enaltece o amor: A coragem.
Contudo, nada adianta se a pessoa amada não corresponde.
Dar vazão e ser retribuído é primordial para viver o amor.
Mas isso não aconteceu e o mundo nada testemunhou.
Ninguém, a menos eu, saberás a imensidão e o limite que ele alcançaria.
Percebi tristemente que ele existia apenas na minha cabeça.
Ao mundo ele nunca fez a diferença.
Então, qual é o real significado dele?
O porquê desse sentimento sagrado e divino se não faz diferença nenhuma ao mundo?
Semanas passam e o vazio continua a me incomodar.
Fechava os olhos e a sua imagem perdurava na minha cabeça.
O tempo arrastava parecendo estagnar a vida.
Foi então que comecei a lembrar dos meus outros amores.
Amores que o tempo fez com que os apagassem do coração.
Mas lentamente, eles começaram a se juntar com o seu rosto.
Percebi nesse momento, que os sentimentos que tive por eles ainda existiam.
Com o passar dos anos imaginei que tivessem desaparecidos.
Mas não, eles apenas estavam ocultos e dissimulados.
Apenas faziam parte de um todo maior que é o meu amor por você.
Estavam sempre no mesmo lugar, eu que tinha perdido-os.
Pouco a pouco, a tranqüilidade tomava conta de mim.
Sobre leve sorriso as lágrimas caíram.
E eu senti o gosto salgado.
Percebi então, o mundo a minha espera. Sempre no mesmo lugar.
Do silêncio o som nascia e a luz estava a abrir as paisagens.
Respirei profundamente e tentei escutar o meu peito.
A batida quase parando parecia acelerar pela descoberta.
Mas entre as batidas percebia-se ainda a dor.
Só que era uma dor leve e suave, não era mais dilacerante.
O vazio que me incomodava tinha desaparecido.
Então consegui enfim olhar o mundo com a vontade de desvendá-lo.
Procurar algo nele para sentir e viver.
Correr e ver o horizonte a me esperar.
Hoje consegui perceber que o amor não acaba nem morre.
Ele apenas passa por momento de latência e de amadurecimento.
O amor que eu tenho por você só existe por causa dos outros que tive.
E esse, o tempo irá silenciar e acalantá-lo a espera de outra oportunidade.
Mas quando chegar o momento certo ele ganhará vida e forma.
Conhecerá os raios de sol, sentirá a brisa do mar e escutará a música.
E sei que nessa hora, o mundo saberá o amor que tenho por você.
Yiuki Doi

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